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Narcisismo político.

Sexta-feira, 01.02.19

São ambos narcisistas.

De acordo com as fábulas de La Fontaine, vão rebentar como rãs lisonjeadas ou vão deixar caír o queijo que têm trincado no bico.

“Maître corbeau sur son arbre perché havait dans son bec un fromage…”.

O queijo de um já caíu e o do outro, muito mais inteligente mas hipernarcisista como ele, irá, talvez e se Deus quiser (personagem que ele muito invoca), caír.

Mas caír a favor de quem? Não há ninguém nos horizontes de esquerda ou de direita que seja uma “ameaça presidencial”. Uma chatice eleitoral.

António-Cotrim-Lusa.jpg

Gostava muito que Marcelo Duarte Nuno levasse um valentíssimo pontapé no rabo, só que não há ninguém como alternativa! Ninguém o vê como ele realmente é. Só vêem as “selfies”, as beijocas. Só vêem o “presidente do povo” (como Sidónio, que o metia num chinelo académico, político, de coragem).

Índices estratosféricos de popularidade? Indiscutível, mas a “estratosfera”, lá muito em cima, não é a “atmosfera” daqui, a do dia-a-dia e do dia-a-dia que ele comenta.

Mete-se em tudo, tudo, mesmo onde não deve como maior magistrado da Nação.

Declarou que, eventualmente, não irá promulgar uma proposta de lei do governo sobre o Sistema Nacional de Saúde se esta não resultar de um acordo com os partidos da oposição. Será uma pressão sobre a AR?

Ele vai num TIR verificar as condições de trabalho dos motoristas que fazem as viagens Lisboa-Porto-Lisboa. A que propósito? Faz parte do poder executivo?

Ele tem a repentina vontade (vinda de Deus) de se recandidatar a um novo mandato se tiver saúde para isso, saúde divina e se não houver ninguém à sua altura para disputar o cargo. A que propósito Deus para além de uma assumida presunção?

A personagem acha que é o máximo, sendo apenas um muito bom (que, na minha opinião, não inspira confiança, o que poucos denunciam e muito poucos se apercebem).

As “selfies” e as beijocas são uma nebulosa e inteligente patranha.

O outro? O outro Sousa? O que se diz engenheiro?

socrates.jpg

Uma besta, mas surgiu um outro juíz de seu nome Rosa que muito provavelmente vai eliminar, apagar, emails, conversas telefónicas, etc, enfim, um mundo de milhares e milhões de documentos acusatórios.

Resultado? Um “Uf, livrámo-nos desta” ou um “Que justiça é esta?" Ambas as reacções são expectáveis.

Mas este narcisista Sócrates nunca se livrará do labéu de “aldrabão corrupto.”

Nâo tenho pena dele, está riscado (por exclusiva culpa sua política e pessoal) dos contemporâneos homens de estado (mas há tantos passarões que por aí andam livres de suspeitas, como lindos passarinhos).

Também não tenho nenhuma pena do Marcelo Duarte Nuno porque tem o que o outro não tem, amigos/confrades poderosos, e porque ao seu narcisismo alia inteligência e objectivos políticos que não se compadecem com a vergonha.

Eles que o safem. Vão safá-lo.

Entre os dois, não tenho quaisquer dúvidas: o futuro safará Marcelo Duarte Nuno (que será reeleito mesmo que tenha declarado ainda como comentador televisivo ser contra dois mandatos sucessivos) e remeterá o Pinto de Sousa para o nada que ele é.

 

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publicado por alea às 16:43

Soltura

Sexta-feira, 16.10.15
 
 

fera.jpg

Libertada a fera política.
Hoje, agora, o Sr. Pinto de Sousa (porque de engenheiro nada tem, de acordo com a sua prática profissional e as acreditações da Ordem dos Engenheiros) foi libertado, embora impedido de contactar outros arguidos no processo de que é o principal arguido e noutros (Grupo Lena, Vale de Lobo e CGD) e de saír do país sem autorização.
Esteve mais de 9 (nove) meses preso na cadeia de Évora (desde 25 de Novembro de 2014) e em prisão domiciliária desde o mês de Setembro do corrente ano.
Porquê? Por suspeição de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção (atente-se à natureza dos crimes), cujos indícios, recolhidos nos autos, o Ministério Público considera, também hoje, que “se mostram consolidados”.
A “fera” foi Primeiro-Ministro de Portugal acompanhando na vergonha outras figuras europeias, suspeitas, por exemplo, de tráfego de influências e de corrupção.
O Sr. Pinto de Sousa, juntamente com o Sirisa, foi um veneno eleitoral para o PS, utilizado como arma pelo PáF nas eleições legislativas que tiveram ontem o seu fim com a os resultados de todos os círculos eleitorais.
O Sr. Pinto de Sousa pode ser uma “fera política” mas o seu curriculum é uma sequência de vergonhas profissionais.
Eventuais qualidades de liderança podem superar o comportamento ético? A História está cheia de interrogações desta natureza e, em geral, a resposta é não.
Veremos se o cidadão não terá que pagar mais uma factura.

 

 

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publicado por alea às 23:22

Cinco Figuras da História

Segunda-feira, 04.02.13

Sócrates, Alexandre, César, Jesus, Maomé

Sócrates era calvo,  feíssimo, barrigudo, de nariz achatado e narinas abertas, lábios espessos e olhos esbugalhados. Tinha o aspecto de imbecil anormal. A sua apresentação era sempre modesta, não só porque era pobre mas, sobretudo, porque era simples Socrates era corajoso e tinha uma invulgar paciência e um notável autodomínio. Conviva agradável e jovial, bebia muito mas sempre sem se embriagar. Não era colérico nem irritável. Ao darem-lhe um dia uma bofetada respondeu calmamente: “É muito aborrecido não saber quando é necessário pôr um capacete antes de sair”, ou quando o pontapearam: Mas então, se fosse um burro que me tivesse dado um pontapé eu processava-o?”.

Alexandre o Grande tinha o corpo de um atleta. A sua beleza era célebre O seu rosto, branco e rosado, tinha uma aparência de indolência. Os seus cabelos espessos e encaracolados eram de um louro dourado e descobriam uma testa larga e ligeiramente abaulada. Os seus olhos eram azuis e lançavam um estranho olhar devido ao facto do olho direito ser mais escuro do que o esquerdo. O nariz era direito e no prolongamento da testa. Tinha uma expressão severa, quase feroz. Contrariamente ao costume da época, muito em particular na classe militar, fazia a barba. Falava sempre muito depressa como se o tempo fosse precioso e tivesse muito para dizer. Tinha o hábito de manter inclinada a cabeça para o lado esquerdo. Bebia rápida e enormemente. Dormia excessivamente. Era pouco atraído pelas mulheres.

Excepcional cavaleiro, corredor e caminhante infatigável de passada insolitamente rápida. Aliava a uma grande força uma inacreditável resistência. Muito ardente, enérgico, perseverante e de uma obstinada tenacidade. Era valente até à total inconsciência. De uma megalomania arrogante, as suas qualidades de chefe eram incomparavelmente superiores à sua visão da táctica militar.

Tinha uma elevada opinião de si próprio, fanfarrão e incansável falador. Tinha uma forte tendência para a crítica e não tinha sentido de humor ou de ironia. Excepcionalmente dotado do sentimento divino, místico e muitíssimo supersticioso (a questão de se saber se era são de espírito foi frequentemente debatida pelos eruditos). De notórias insuficiências intelectuais, muito ignorante da geografia e da natureza humana, tinha, no entanto, um gosto natural pela literatura e pelo estudo. Lia muito.  

César era de estatura acima da média dos seus contemporâneos romanos. Precocemente calvo, tinha uma testa alta, um rosto pálido e ligeiramente alongado, olhos negros e penetrantes, nariz aquilino e um pouco grande, uma boca larga de lábios finos e de cantos ligeiramente descaídos. Embora de constituição delicada e de saúde frágil, tinha uma extraordinária forma física obtida por contínuo exercício e treino. O seu valor em combate era excepcional, valente até à temeridade. Iimplacável conquistador mas generoso para com os vencidos. Era adorado pelos “seus” soldados. De temperamento tranquilo e pensativo, de inteligência lúcida, penetrante e firme. Não castigava sob cólera. Era proverbial a sua rapidez na tomada de decisões, nunca cedendo à impulsividade.

Não era homosexual, falsidade muito insinuada pelos seus inimigos e que motivava a gargalhada das suas tropas. Pelo contrário, gostava muito de mulheres, sobretudo as dos outros.

Desprezava o dinheiro. Sofria do estômago, era sujeito a crises de epilepsia. 

Maomé era de estatura inferior à media e de fraca constituição. De cabeça grande, olhos negros, nariz direito, dentes afastados e barba espessa. De mãos e pés grossos e articulações imponentes. Era muito peludo e a sua pele era clara, rosada. O seu cabelo era negro e  comprido, o que lhe permitia enrrolá-lo em duas ou três dobras.Cobria-se de perfumes, tingia o cabelo e pintava os olhos.

A sua imagem constava inicialmente no escudo das suas tropas mas, posteriormente, foi proibida qualquer representação do seu rosto.

Era de temperamento sábio, embora impressionável, inquieto, nervoso e frequentemente colérico. Embora com particular sentido de humor, nunca

se ria em público, mantendo uma impassivel dignidade. Era vaidoso e imensamente orgulhoso. Sofria de epilepsia.

Sabe-se que Jesus gostava da discussão, de comer, da companhia das mulheres. Mas Jesus não tem rosto e nenhuma memória do seu aspecto ficou registada. Ninguém sabe se era alto ou baixo, moreno ou loiro, gordo ou magro, belo ou feio. Durante séculos, milhares de pintores deram dele inúmeras representações que nos dão a ilusão de o terem visto. O “ sudário “ de Turim deu uma  fascinante mas falsa imagem de Jesus. Revelado por uma fotografia de 1898, a sua datação pelo  carbono 14, feita a pedido do Vaticano, apenas confirmou o que já se sabia desde o final do século XIV por dois bispos de Troyes, região onde apareceu. Data do periodo de 1260-1390 e não dos anos 30 da nossa era.

    

                                                               

 

 

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publicado por alea às 17:31

Filhos de piteu

Quinta-feira, 06.12.12

“ Não compreendo para que é preciso caluniar. Se se quer prejudicar alguém, a única coisa a fazer é dizer alguma verdade  acerca da pessoa “ F. Nietzche  

A vida é como é mas frequentemente não é como os princípios da Ética recomendariam. Se a Ética poderá ser, eventualmente, menos importante nalguns domínios da vida, não o é noutros. Refiro-me à profissão.

Por exemplo, ser-se médico, engenheiro, advogado ou funcionário público exige uma escrupulosa obediência à Ética. Não referi a política porque entendo que não é ou não deveria ser uma profissão, mas nela a observância dos mais elementares princípios da Ética, que resultam de carácter e de educação, são essenciais para a defesa do interesse público, o que, em geral, não se observa nos dias de hoje.

Um bom profissional sem ética é (como a ignorância) mais perigoso para a sociedade do que um malfeitor portador de uma metralhadora.

No entanto, não o ignoremos, há profissionais que são eticamente sólidos que nem uma rocha, nos bons e nos maus momentos que na vida atravessam, mas que são infelizmente poucos.

Grande parte deles zarpa da boa conduta, talvez incomodados pelas regras que esta impõe às suas conveniências pessoais, nomeadamente financeiras ou de carreira. Os que tomam aquele barco estão no limiar da conduta criminosa e, quando políticos, além de constituírem uma vergonha nacional, mudam de partido ou neles ficando (quando lhes é permitido) mudam de opinião com ligeireza e admirável à-vontade.

É comportamento que considero próprio das pessoas sem carácter porque há convicções que se devem seguir com a alma e que se devem defender intransigentemente. Na vida deve fazer-se o que é justo e digno e não o que é agradável, a nós ou aos outros. Doa a quem doer.

Lembra-me Sócrates e os seus acusadores e juízes “... muda, não persistas mais nas tuas filosofias ou morrerás…”. Depois, um natural do demo de Piteu (um tal Meleto) apresentou ao arconte-rei uma acusação jurada na qual era pedida a pena de morte, porque Sócrates não acreditava nos deuses em que acreditava a cidade e corrompia com os seus ensinamentos a juventude.              

Há criaturas que não respeitam o caminho da Ética e porque não acreditam nos deuses desta espalham a mentira com descaramento, sem qualquer vergonha.

Esses filhos de piteu de hoje ainda têm ainda a presunção de serem juízes dos actos dos outros e o falar verdade passou a ser, por causa deles, uma perigosa ou temerária audácia o que nunca, fossem quais fossem as circunstâncias, deveria ser. Aquelas criaturas que infelizmente abundam em particular na política, são umas autênticas merdas, uns filhos de Piteu do nosso tempo embora sejam consideradas respeitadas pessoas.

Na política deveria imperar a verdade, a honestidade e a competência. Nunca deveria ser de outro modo e um verdadeiro homem de Estado (incluindo os designados nos media por “senadores") nunca deveria fazer “concessões” naquilo que é justo, ainda que tivesse de sofrer o ostracismo ou a morte política.

Mas nada muda neste regime tão cheio de “adversários” políticos que exprimem “consideração pessoal” e “apreciação intelectual” mútuas, comovendo profundamente quem os houve em mesas redondas e quadradas.

Esses amigos, confrades ou irmãos sabem, no entanto, dizer mal dos “do outro lado” mas apenas no segredo do círculo dos seus “ninhos” (o que, diga-se de passagem, não se compreende uma vez que “para se prejudicar alguém basta apenas dizer algumas verdades“, as quais quanto mais públicas melhor).

Mas deste modo estão bem na vida, graças a Deus e aos cidadãos, reafirmando, com desenvoltura e desplante, os seus direitos e os deveres dos outros, e os valores da seriedade e do altruísmo.

Escutando-os sofre-se uma estranha sensação que é mistura de ofensa, revolta e, por vezes, de resignação.

Atenção, andam por aí muitos filhos de piteu.

                                                                

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publicado por alea às 09:40






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