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Um piparote, dois piparotes, três...

Terça-feira, 12.12.17

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Nos últimos dias ocorreram acontecimentos e notícias que só merecem piparotes, aqueles que uma pessoa dá quando descobre que uma pequena poeira está a sujar algo que nos merece cuidado ou quando tentamos num gesto de grande perícia técnica matar uma mosca.

Pequenas poeiras e moscas afligem esta nossa pequena e provinciana sociedade elevada a potência do diálogo internacional com a eleição de um nosso genial perito financeiro para presidente de uma autoridade europeia irrelevante. Sim, sim, uma autoridade que suplanta em conhecimentos e qualidades o malquisto Victor Gaspar. De seu nome Centeno ou CR7 das Finanças, como quiserem, foi efusivamente congratulado por todos, inclusivamente pelo Presidente-Menino Marcelo.

É-me totalmente indiferente, contráriamente aos sentimentos manifestados com maior ou menor sinceridade pelas forças políticas e pelos esclarecidos comentadores, incluindo D. Marcelo I ainda deslumbrado com as funções que finalmente conseguiu conquistar. Outro piparote.

Depois, o cidadão português ficou horrorizado com as presumíveis malfeitorias na associação “Raríssimas” esquecendo que as promiscuidades entre os interesses pessoais/privados e os das instituições de interesse público são de uma enorme frequência neste país e que ainda se vai no adro por falta de fiscalização do Estado. Um grande e enojado piparote.

As polémicas quase diárias entre os dois candidatos à liderança do PSD sobre o número e a natureza de debates são confrangedoras porque levantam uma questão, essa sim importante: a continuar assim para que vai servir aquele partido como alternativa governamental ou como oposição credível? Outro enorme piparote.

Depois, as notícias quase diárias sobre o estado de saúde da grande figura da música portuguesa, o Salvador que como pessoa com grave doença me merece a maior e mais sincera simpatia. Um piparote para a repetição das notícias.

E o que me dizem dos escândalos que invadem o nosso mundo futebolístico? Eles são "mails", eles são árbitros ceguetas ou comprados, eles são os insultos e troca de mimos que diariamente entram nas nossas casas através das televisões pública e privadas. Como na Roma Antiga dá-se ao povo o ópio necessário ao descanso dos poderes. Um piparote? Não, uma estalada.

Os estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa encerraram a cadeado as instalações universitárias porque não concordam com isto e com aquilo. Ai que voltamos aos gloriosos tempos de 1961/1967. Gloriosos, saudosos ou não, não merecem mais do que um pequeníssimo piparote.

Depois, dizem, o grande timoneiro da Coreia do Norte tem poderes sobrenaturais. Olha que bom.

Estamos mergulhados em cenários importantíssimos e angustiantes.  

Finalmente(?), na Autoeuropa (cuja produção representa 1% do PIB e mais de 1,7% das exportações, com cerca de 5.500 trabalhadores e a pespectiva da contratação de mais 400) a Administração determinou o trabalho contínuo 24 horas por dia nos dias da semana e aos sábados pagos a 200% e com outras benesses totalmente invulgares no nosso mundo laboral (25% de prémio trimestral, 2 fins-de-semana completos por mês) . As estruturas sindicais não foram consultadas e, à posteriori, não concordam com semelhante proposta por quererem uma melhoria das condições financeiras,  tal como a nova Comissão de Trabalhadores agora de maioria afecta ao PCP. Irresponsabilidade é o termo que me ocorre. Piparote? Não, é de todas as noticias a única que merece relevância e preocupação pelas consequências que poderá ter caso as conveniências sindicais/partidárias que estão a manobrar isto tudo se sobrepuserem ao interesse nacional, isto é, o interesse dos cidadãos.

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publicado por alea às 21:00






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