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Movimento "Cinco Estrelas" precisa-se

Terça-feira, 26.02.13

“Itália ingovernável”. A preocupação instalou-se nos governos europeus.

Itália ingovernável? Claro que não. Qualquer país é governável excepto se a sua governação for inconveniente para os poderosos (antigamente eram as armas que falavam, hoje é o dinheiro).

Veja-se o caso do Zimbabwe e da inacreditável criatura Mugabe, seu supremo líder (na opinião dele excelente governante, para não fugir à regra, lá como cá). A comunidade internacional mantém-se serena com esta situação e com outras mais recentes. Mas a Itália é diferente: faz parte da Europa, da “civilização”.

Corrupção, compadrio, malandros à solta, justiça inoperante, incompetência generalizada, riqueza de governantes e de “boys”, pobreza do mexilhão, total ausência de transparência nos actos do Governo (democracia? Vou ali e já volto). Lá como cá, em escalas e dores diferentes é certo.

O resultado das eleições na Itália e o “downgrade” do Reino Unido tiveram um impacto económico muito significativo, nas bolsas e nos mercados. É um pertinente exemplo porque aqueles comportamentos nada mais são do que reflexos/avisos de quem realmente manda na “civilização”: a finança. Esta manda nos que nós pensamos que mandam: nos governos.

                                    

No Zimbabwe a situação foi mais sangrenta, é mais aflitiva para os de lá e menos grave do que a que existe cá. Que diabo, nós somos “civilizados”. Em vez de sangue, tortura, prisões e puro despotismo, por cá existe desemprego galopante, quase-miséria na classe média, dívida para além do razoável, esmagamento do contribuinte em geral e dos reformados em particular, nepotismo, corrupção, incompetência, indecência cívica. A terceira força italiana resultante das eleiçõe de ontem é um movimento cívico denominado, “Movimento Cinco Estrelas”. É eurocéptico, contra o euro, contra os partidos. Obteve 25,55% dos votos. A coligação da esquerda e a de centro-direita obtiveram na Câmara dos Deputados, respectivamente, 29,55% e 29, 18% dos votos. Contra os partidos? Fico curioso quanto ao futuro. Não seria estranho se se transformasse em mais um partido... O que aconteceu em Itália deveria ser um exemplo para nós: que se crie cá um movimento com as bandeiras “Decência”, “Honestidade”, “Competência”, “Dever de Serviço Público”. O movimento italiano, que reuniu dezenas de milhares nas ruas e nas redes sociais e não em teatros, hóteis e restaurantes fechados ou com “reserva do direito de admissão”, classifica-se como “anti-político”. Acho que esta afirmação resulta da revolta. Toda a governação é, por definição, política. Governo tecnocrata? Não existe e se existe é mau. O movimento “Cinco Estrelas”, fundado em 2009, entende, pela voz do seu fundador (que não dá entrevistas, ele lá sabe porquê e eu também) Beppe Grilo, que “ser honesto está na moda”. Novamente não estou de acordo. Ser-se honesto não é uma questão de moda mas sim de carácter e de educação (hoje, 26 de Fevereiro, li no DN: “desde que tomou posse, o ministro da Administração Interna já assinou 58 despachos para expulsar elementos da PSP e da GNR, 13 da primeira força de segurança, 45 da segunda. A maior parte é devida a casos de crimes de corrupção, com a GNR a dar o maior contributo”). Só ali, naquelas duas? E no governo do Estado, das Autarquias, das Juntas, dos clubes de futebol, etecetera? Não? A corrupção não invadiu tudo? Claro que sim, basta “parar, ver e escutar” junto à cancelas que nos rodeiam no dia-a-dia. Mas a onda de m...em que mergulharam este pobre povo tem que ser negada. Tem que haver “discurso de estado”, que somos tão bons como os melhores. “Não só no futebol e na música, na economia também”. E na política? Como está o povo neste regime partidocrático? Bem? A democracia é o melhor regime até que se descubra/invente outro? Sim, eventualmente sim, mas os romanos suspendiam-na nas ocasiões graves e perigosas para o Estado. Ou não? Democracia? Qual? A presidencial, a parlamentar, a para lamentar, a participativa, a popular, a directa, a eteceteraetal? Ora, ora, pois pois.

Pois. O que nos falta é um movimento daqueles e escusa ser de cinco estrelas. Por mim contentava-me com duas.

                                     

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publicado por alea às 18:22

Os dias da semana em Portugal

Segunda-feira, 25.02.13

Desde sempre o homem preocupou-se com o registo do tempo. Esse registo, geralmente a cargo dos sacerdotes e no qual constavam  as datas de natureza civil, religiosa ou agrícola, é, hoje em dia, denominado “calendário“ ou, mais raramente, “almanaque“.O termo calendário vem do latim “calendarium“ que, para os romanos, constituía um registo das dívidas a serem liquidadas nas calendas, ou seja, no 1º dia de cada mês. A designação almanaque julga-se provir do árabe (“acção de contar “) e aplica-se ao registo no qual se indicam as divisões do ano, os meses, as semanas, os dias, as fases da lua, as estações, as festas religiosas, etc. Um quadro, com esta natureza, era designado pelos romanos não por “calendarium“ mas por “fasti “, porque nele se identificavam os dias “faste “ e “nefaste “ (permitidos/benéficos e proibidos/maléficos).

A opção dos Babilónios em adoptar as fases da Lua como base do seu calendário condicionou durante séculos o modo de registo do tempo.

                                  

Para os Sumérios (6000 a.C.) o ano tinha 12 meses que totalizavam 354 dias. Daqui resultava, ao fim de 3 anos, uma diferença de cerca de um mês em relação ao início das estações. A solução consistiu em introduzir um 13º mês o que era feito por ordem real.

Os Egípcios evitaram o impasse da Lua e foram os primeiros (há mais de 10.000 anos?) a definir a duração do ano solar e a aplicá-la para fins úteis (religiosos, agrícolas). Em 4300 a.C. estabeleciam como ano civil o “ano do Nilo” e concluíram que se obtinha um calendário fiável para as estações considerando o ano constituído por 12 meses de 30 dias aos quais se deviam adicionar 5 dias. O erro do calendário egípcio era muito pequeno para o quotidiano das gentes: as estações ocorreriam durante o mesmo mês durante um período de cerca de 1460 anos. A precisão do calendário egípcio era suficiente para que fosse adoptado por César 4300 anos depois de ter sido definido.

Ainda hoje, o Islão continua a viver segundo o calendário lunar. Não é por acaso que o crescente figura na bandeira de um país muçulmano. É a lua nova que marca o começo do Ramadão (9º mês) e é ela que confere uma cadência regular ao calendário, no qual os meses são independentes das estações (o jejum do Ramadão ou a peregrinação a Meca tanto podem calhar no Verão como no Inverno). A designação ano manteve a sua justificação como unidade de medida uma vez que, como “anel“  (annulus em latim) do tempo, mede o ciclo sazonal da vegetação e dos factores climáticos.

Aristóteles calculou a duração do ano em 365,25 dias e a do mês em 29 dias e 499/940. A estes valores (calculados em 335 a.C.) correspondem erros de 11,232 minutos num ano e de 22,7 segundos num mês. É uma precisão notável.

Júlio César, em 46 a.C., na qualidade de grande pontífice e recorrendo ao astrónomo Sosigenes, estabelece a duração do ano em 365 dias e 6 horas, aumenta para 445 dias o ano de 47 a.C. (por isso designado o “ano da confusão”) e introduz o ano bissexto (de modo diferente do actualmente adoptado). O ano corrente tinha uma duração de 365,25 dias, enfermando de um erro de 11 minutos e 14 segundos. César alterou a data de início do ano de 1 de Março para 1 de Janeiro.

O actual calendário gregoriano resulta de uma revisão do calendário juliano efectuada por ordem do papa Gregório XIII. Nesse ano de 1582 verificava-se, em relação ao ano solar, um avanço de 10 a 11 dias resultante da sucessiva acumulação do erro de 11 minutos e 14 segundos dos cálculos de Sosigenes. A mando do papa, o astrónomo Lélio reduziu em 10 dias o ano em curso, passando o dia 5 de Outubro a ser 15 de Outubro. Eram também suprimidos os anos bissextos que não tivessem os seus dois últimos algarismos divisíveis por 4. O ano gregoriano tem uma duração de 365,2425 dias e é, portanto, mais comprido 0,0003 dias do que o “ano solar“. No futuro ano de 11582 o actual calendário terá mais 3 dias em relação ao “calendário solar“…

Portugal e Espanha foram as primeiras nações que adoptaram de imediato o calendário gregoriano (o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582 foi 15 de Outubro, mas só no séc. XVIII a reforma gregoriana foi adoptada pelos protestantes da Alemanha, Suíça, Suécia e Inglaterra).

A identificação, para fins religiosos, económicos ou outros, dos ciclos naturais (sejam eles as fases da Lua ou as Estações) não dispensou o homem da necessidade de pormenorizar a medida do tempo, que manifestamente se revelava na alternância entre o dia e a noite a qual se impôs, naturalmente, como a primeira unidade de medida do tempo.

No séc. IV, os gregos fizeram a sua associação com o Sol, mas só em 1543, no meio de escândalo e de polémica, Copérnico demonstrou a relação entre o movimento de rotação da Terra e a ocorrência do dia e da noite. Pode dizer-se, sem exagero, que a Terra foi o primeiro relógio da humanidade, relógio de grande e inultrapassável precisão.

No “ Génesis “ lê-se: “As trevas cobriam o abismo...Deus disse faça-se a luz. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia á luz e ás trevas noite. Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia “. De acordo com as Escrituras, o dia começa, portanto, com a noite.

A divisão do dia em horas (do latim hora que significa duração, parte do dia) deve-se, provavelmente, aos caldeus e desde a antiguidade até hoje que é adoptado, na astronomia, o seu sistema numérico de base 60. A hora foi, assim, dividida primeiro em 60 partes designadas por minutos (do latim pars minuta prima) e, novamente, uma segunda vez em 60 partes designadas segundos (do latim pars minuta secunda). Como medida astronómica é duvidoso que o minuto, e muito menos o segundo, tenha constituído, senão em recentes épocas, uma medida prática, dada a inexistência de aparelhagem adequada a tal precisão - no séc. II, os cálculos de Ptolomeu não tinham uma precisão superior ao quarto da hora e no mundo medieval um intervalo de três horas canónicas dividiam as actuais 24 horas do dia: de três em três horas, os sinos anunciavam matinas (meia-noite), laudas (três da madrugada), prima (seis da manhã), tercia (três horas), sexta (meio-dia), nona (três da tarde), vésperas (seis da tarde) e completas (nove da noite). Tal como foi considerada necessária a divisão do dia em partes mais pequenas, igualmente se considerou vantajoso o agrupamento dos dias numa unidade maior incluída no mês.

Esta divisão do mês variou de povo para povo, mas por razões de comodidade será aqui adoptada a designação vinda do latim septimana (grupo de 7 dias), a semana (os gregos e antes deles os egípcios e os chineses, contavam os dias por décadas). Os romanos tinham uma muito particular divisão em calendas, idos e nonas (respectivamente, o 1º dia da lua nova, o da lua cheia e o nono dia antes desta) e foi do Oriente que se herdou, pelos hebreus e árabes, o sistema dos caldeus numa base de 7 (sete, número nefasto que obrigava a que nada fosse feito a 7, a 14, a 21 ou a 28 do mês).

O imperador Augusto mandou adoptar para nomes dos dias da semana os daqueles planetas, que se acreditava terem influência na 1ª hora do dia e, portanto, em todo o dia: Sol, Lunae, Martis, Mercurii, Jovis, Veneris, Saturni, (dies). O 7º dia da semana, como o Saturni dies dos romanos ou o Shamash dos babilónios, ou o Shabbat dos judeus ou o nosso Sábado, manteve-se o “pivot“, o início da semana.    

                      

Em 321 da nossa era, o imperador Constantino, a conselho dos “Pais da Igreja”, ordenou que o dia do Sol (dia de veneração do deus do Sol pré-cristão, Mitra) passasse a ser o dia do Senhor: dies Dominica, o nosso Domingo. Data também dessa época a determinação oficial da Igreja de rejeitar a designação pagã dos dias da semanae de seguir, tal como os hebreus e os árabes, uma sua simples enumeração.              

Os nomes pagãos e o seu significado mantiveram-se, até aos nossos dias, nos países de língua latina e germânica. No entanto, nos países de influência da igreja ortodoxa, como os de língua eslava e a Grécia adoptam-se designações numéricas: Pyat e Pyatnisa (5º e 6º) na Rússia, Deutera, Triti, Tetarti (2º, 3º, 4º) na Grécia. 

Paradoxalmente, as nações cristãs que, num ou noutro momento da sua História, sofreram a influência ou o poder religioso de Roma, não seguiram, a partir de uma dada época, a determinação da Igreja, com a singular excepção de Portugal, não só no contexto da Europa Ocidental mas também no da Península Ibérica. A semana cristã só se distinguia da semana judaica pela designação “feria“ e, claro, pela consagração do 1º dia ao Senhor: Domenica (feria prima), feria secunda, feria tertia, feria quarta, feria quinta, feria sexta.

Mas, por que é que dos países da Europa Ocidental só Portugal (e, também e ainda no 1º quartel deste século, a Galiza) se manteve, até hoje, fiel a uma determinação da Igreja que data do séc. IV da nossa era? Duas teorias se defrontam mas, na nossa opinião, sem resposta á questão principal (porquê só em Portugal?).

A do Prof. Paiva Boléu que considera como factor explicativo “...uma maior influência da Igreja e da linguagem eclesiástica no território lusitano... “ e a do Prof. Wilhelm Giese para quem a principal justificação reside no sistema enumerativo dos mouros, muito em particular, os residentes no “...arrebalde do vale da Baixa, extra-muros de Lisboa...”. Mas a influência da Igreja só se fez sentir em Portugal? E na mui vizinha e católica Castela, não? E a influência moura perdeu-se na Andaluzia, na Granada (árabe até 1492) e em todas as nações que são hoje Espanha para só ficar em Portugal? O sistema cristão foi certamente seguido nas espanhas (incluindo as suas zonas setentrionais), tendo sido substituído em época indeterminada pelo pagão (como consta em documentos do séc. XIII) mas nunca em Portugal “...onde não há notícia, em documentos, de se haverem empregado algum dia nomes pagãos...”.

As interrogações, por responder, mantêm-se portanto:

Em que época em Espanha (e na Europa cristã) se infringiu a determinação papal? Porquê? Por que razão em Portugal e, também na Galiza onde a língua era a mesma (note-se que até 1931 “...en algús escritores...carta, quinta e sesta feira súplena coas palabras mércoles, xoves, vernes. Voces, de xeito inteiramente galego e conforme coa orixe latina...”) não foi seguida essa desobediência?

                

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publicado por alea às 18:06

Bento XVI, bispo de Roma

Terça-feira, 19.02.13

Os cinco primitivos patriarcados

Ecclesias era como se chamavam as primeiras comunidades dos seguidores de Jesus (o termo “cristianismo” só surgiu mais tarde). Eram células à semelhança das comunistas de hoje. A chefia de cada ecclesia era assegurada por um presbítero livremente eleito pela comunidade. O presbítero era assistido por diáconos e subdiáconos, acólitos, leitores e exorcistas (aos quais se confiava a cura dos “possuídos”, dos epilépticos). O presbítero dava conta da sua conduta apenas aos seus fiéis, não existindo qualquer relação hierárquica entre os de cada cidade ou de cada comunidade. Melhor exemplo de democracia não há.

No entanto, a partir do século IV, com a enorme expansão do cristianismo transformado em religião de estado, a multiplicação de ecclesias em cada cidade tornou essencial uma verdadeira organização religiosa. Assim os presbíteros passaram a eleger, para a coordenação das suas acções, um epíscopo (um bispo). Posteriormente, apareceram a aparecer os arcebispos, os metropolitas e os primazes que eram os supervisores dos bispos de uma província. Até que em cinco cidades – Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria – foi instalado um patriarca. (Constantinopla, inaugurada em 330, só foi sede do Patriarcado do Oriente no séc. V, em 450. No séc. VI, com o seu  milhão de habitantes, era a cidade mais populosa do mundo, seguida, mas a muita distância, de Cartago, Alexandria e  Antioquia.)

Paulo, nas suas cartas, informa que o movimento de Jesus era dirigido por três “pilares”: Simão-Pedro, João e Tiago “irmão do Senhor”, ressaltando claramente que este último, que exercia o seu magistério em Jerusalém, constituía a autoridade suprema. Apenas no século V é que começou a teoria de que Pedro, fundador da primeira ecclesia em Roma, tinha primazia e foi nessa altura que apareceu a designação Papa, título também usado por muitos outros bispos.                                        

 

Simão-Pedro e Tiago ("o Justo", irmão do Senhor)

O papa de Roma era apenas o bispo de Roma, eleito, como todos os outros, pelo clero e pelo povo da cidade e tinha a mesma importância e os mesmos atributos que os das outras quatro sedes patriarcais. Só no Concílio de Calcedónia de 381 o bispo de Roma foi reconhecido, com muitas dificuldades e divergências, primus inter pares. No séc. VI, a supremacia, que ele já de facto exercia, foi consagrada com o título de Pontífice ou seja chefe da Igreja.

Brasão de Bento XVI

Neste brazão destacam-se três elementos: a cabeça coroada de um negro, uma concha e um urso que carrega um fardo atado, formando o cordame uma cruz de St. André.

Um mouro figura nas bandeiras da Córsega e da Sardenha, simbolizando em ambas a victória daqueles povos sobre os sarracenos (século XIII).

A concha tem um triplo significado para os cristãos: a lenda de S. Agostinho relativa ao menino que pretendia encher com ela todo o mar numa cova feita na areia (inútil tentativa de fazer entrar a infinidade de Deus na limitada mente humana), é o símbolo do peregrino e é o utensílio utilizado no baptismo cristão.

O urso - que consta nas armas da cidade de Freising cujo patrono é S. Corbínio (séc. VIII) o qual tem uma história que explica a figura do urso - identifica o arcebispo de Freising-Munich, Joseph Aloisius Ratzinger, tal como o leão de Veneza identifica o papa João-Paulo I que daquela cidade foi arcebispo.


O urso foi utilizado pela Igreja como símbolo da victória do cristianismo sobre o paganismo podendo também, nas armas de Bento XVI, ser interpretado numa leitura mais livre como estando a carregar o peso da Igreja (S. André era irmão de Pedro, segundo o Novo Testamento).  

Libertação, infinidade de Deus, jornada de devoção e purificação, fardo do sucessor de Pedro. 

 



 


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publicado por alea às 18:17

Isto só pode virar m...

Domingo, 17.02.13
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=dDG0GcScCXA

Peço desculpas, imensas, pela ideia e pela frase “vai tomar no c…” (vernácula, ordinária e muito pouco “intelectual”). A frase não é minha mas considero-a muito adequada ao contexto e tem o carimbo de direitos de autor do ex-Secretário de Estado da Cultura (sublinho “cultura”) Francisco José Viegas (FJV). Foi amplamente publicada nos jornais e consta no blog de FJV “A Origem das Espécies" http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/.

Vá levar” foi, na minha juventude, uma exclamação de desespero ordinária mas, sei-o hoje, utilizada com o verbo impróprio. Nunca é tarde para se aprender. Registei e no futuro poderei adoptar, se as circunstâncias para tal se apresentarem (nomeadamente no domínio fiscal), o termo correcto “Vá tomar”.

Transcrevo, com a devida vénia, a maravilhosa ameaça do ex-Secretário de Estado da Cultura (sublinho agora "ex-Secretário de Estado"): 

“Queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar fiscalizar-me à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência” e, mais adiante, “Ele, pobre funcionário, não tem culpa nenhuma; mas se a Autoridade Tributária e Aduaneira quiser cruzar informações sobre a vida dos cidadãos, primeiro que verifique se a Comissão Nacional de Protecção de Dados já deu o aval, depois que pague pela informação a quem quiser dá-la”. FJV já afirmara que: “um estado falido e especialista em extorsão decida sitiar os cidadãos com leis absurdas é coisa digna de um monumental manguito”.                                                 

 FJV foi secretário de Estado da Cultura do Governo de Passos Coelho até Outubro de 2012, data em que apresentou a sua demissão, invocando motivos de saúde. A razão não podia ser outra, como é habitual nestes casos.

Claro que houve pronta e muito lúcida reacção do Governo na pessoa da criatura Relvas. O Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares afirmou não ter lido as afirmações de FJV e disse que respeita "a opinião de todos os portugueses, tenham ou não feito parte do Governo". Acrescentou saber que "as medidas são difíceis e delicadas" e realçou que cabe a quem decide tomá-las fazê-las aplicar.

Frases próprias do estadista que julga ser.

O tema “vá tomar no c…” deve-se à artista Cris Nicolloti com mais de trinta anos de carreira (http://www.youtube.co/watch?v=hV76KXU1x6g).

Após o sucesso da canção, Cris gravou "Eu falei que isso ia virar merda", seguindo a mesma linha do "Vai tomar no c…".

Acho que sim, acho que isto só pode virar merda.

 

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publicado por alea às 00:28

Merkel – Governo de Portugal?

Segunda-feira, 12.11.12

Primeiro foi, na cerimónia do 5 de Outubro à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, o hastear da bandeira portuguesa de pernas para o ar.




Hoje, é a chanceler Merkel da RFA a falar num "púlpito" do Governo de Portugal.



Mas não há ninguém que ponha ordem nesta bagunçada?

Regras de protocolo? Parece que não. Vejam-se Merkel e Sarkosy, respectivamente em Berlim e no Eliseu:


 



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publicado por alea às 19:51

A língua portuguesa e o "acordo" ortográfico

Domingo, 11.11.12

"Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?"


 Nada do que se segue é da minha autoria. Trata-se de apontamentos que tenho tirado de livros, da net, sobre esta língua que é a minha e de que tanto gosto.

Portugal, país de poetas e de soldados.

Sim, de soldados e sei do que falo. Estive na “Nó Górdio” no norte de Moçambique e vi a bravura, a coragem dos soldados portugueses com quem confraternizei, como alferes, durante dois muito difíceis anos (quando falo de soldados, penso neles e não dos mercenários que hoje vão defender o Ocidente de óculos escuros, “écharpe” colorida ao pescoço e uns bons euros no bolso). E quando falo de poetas não falo nos políticos que “compaginam” muita coisa nem dos do mundo do futebol que parlapateiam discursos inimaginavelmente imbecis.

Somos, de facto, um povo que é estranho em muitas coisas do dia-adia, desde a governação à língua, passando por paixões que desrazoam como a do futebol.

Povo, no entanto, que eu não trocava por nenhum dos que conheço.

Hoje, o serviço público de televisão, na sequência do “acordo” ortográfico

(“acordo” esse para o qual os cidadãos não foram ouvidos nem chamados a pronunciar-se devidamente - será que o assunto é menos importante do que o aborto, o casamento “gay” ou o euro?) teima, todas as manhãs e através do canal 1 da televisão pública, em ensinar como se fala “em bom português”. Aparentemente o outro, aquele que teimo em continuar a praticar, é “mau”, como “mau” é para “eles” a 4ªclasse que os da minha geração felizmente tiveram no ensino público, obrigatório.

Enfim, coisas da vida, como diria a minha Engrácia.

Não nego a inevitável e própria evolução das línguas (leiam-se as crónicas de Fernão Lopes ou, para não se ir tão longe, textos do século XVIII).

As línguas são como as cidades. São vivas e, por isso, evoluem, mudam e por vezes radicalmente quando vistas com a distância própria do tempo. Quando deixam de o ser passam, naturalmente, a “mortas”, como é o caso do latim e dos sítios arqueológicos

Outra línguas há, tão ou mais ricas como a nossa e com uma expansão geográfica comparável, mas que evitaram sempre uma súbita e forçada “modernização” que, de algum modo, as matasse.

Veja-se o caso do inglês.

Houve algum acordo da Grã-Bretanha com os EUA e com os países da Commonwealth (só para falar do país mais falante) para a “oralidade” (gosto deste vocábulo) e  da língua escrita, da uniformização de vocábulos?

Não.

E o francês?

Espalhado pela a Europa como língua da cultura (ainda o sendo na Rússia e outros países daquela região), por África e só recentemente gradual e fatalmente substituído pelo inglês (o latim do tempo contemporâneo, principalmente na ciência e na comunicação), procurou aquela língua adaptar a sua escrita à “oralidade” (como gosto deste culto vocábulo!), abandonando as suas raízes latinas e gregas? Substituíram eles o “ph” pelo “f”, por exemplo?

Não.

Mas, em Portugal, uns especialistas de linguística (adjectivação esta que não contesto) entenderam criar uma nova língua escrita, embora com a clara oposição de muitos escritores e especialistas do ramo de renome, cuja competência é indiscutível. Uma língua cuja escrita se aproximasse da “oralidade” (que maravilha; desculpem a repetição) e fosse mais conforme com o facilitismo e a incompetência próprios da sofistificada boçalidade e da ignorância que se ouve e lê no dia-a-dia, nos jornais nos canais da televisão portuguesa.

É assim. Nada há a fazer.

A Assembleia da República aprovou a proposta do Governo, o Governo decretou, o Presidente da República assinou.

E pronto.

O Português (apontamentos tirados em 2007 e cuja autoria hoje desconheço).       

 “ (...) o português é a sexta língua mais falada no mundo, indicam as estatísticas da Unesco que revela a existencia de 6,7 mil linguas vivas no mundo.

Segundo a instituição, o português está atrás do mandarim, do hindu, do castelhano, do inglês e do bengali.

Segundo o documento "Língua Portuguesa: Perspectivas para o Século XXI", elaborado polo Instituto Camões, a lingua portuguesa tem ganho falantes de forma contnua, desde o começo do século XX. Em 2000, a Unesco estimou en mais de 176 milhões o número de falantes de português no mundo.

O português é a língua oficial de oito países – Portugal, Brasil,  Angola, Cabo  Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - nos diferentes continentes. Desta forma, o português está presente nos quatro cantos do mundo. Utilizada diariamente por cerca de 200 milhões de pessoas, lonje dos cerca de três milhões que a utilizavam, na sua forma arcaica, no século XVI, quando foi difundida espontaneamente por navegadores, guerreiros, mercadores, marinheiros e missionários.

O galego e o português eram a mesma língua até aos séculos XII-XIII, quando se iniciou un processo de afastamento devido ao qual em Portugal adquiriu o caracter de língua nacional e na Galiza ficou submetida ao processo nacionalista que se concluiría com a criação de Espanha. Em Portugal a lingua foi normalizada e naturalizada e na Galiza não, além de que o seu uso desapareceu na prosa legal e na literária.

O esplendor literário medieval foi desconhecido nos dois lados da fronteira até ao século XIX por volta da década de 1920. Apesar disto, existem posições diferentes no que respeita à unidade-separação do galego e do português, como é o caso,por exemplo, do chamado reintegracionismo.

O reintegracionismo é uma corrente de pensamento e de movimento social que defende as seguintes proposições:

- O galego, historica e internacionalmente, está integrado na lingua portuguesa ou, no ámbito científico, na língua galego-portuguesa; as diferentes falas galegas são, como as portuguesas, parte do mesmo diasistema linguístico.

- Adopção da grafia histórica do galego que, no essencial, coincide  com a actual norma portuguesa, se bem que mantendo algumas das particularidades das falas galegas (...).

Nota: No sec. XII, em 2100 vocábulos do português primitivo, 1200 eram latinos (57%), 800 árabes (38%) e 100 germânicos (5%).                                                                                            

E, agora, uma maravilhosa contribuição paraxegarmux à (à sua, dela, língua portuguesa) perfaisaumque transcrevo parcialmente e com a devida vénia.

in “O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa” de Maria Clara Assunção, publicado em 14 de Agosto de 2009 no blogspot:

 http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/2009/08/o-acordo-ortografico-e-o-futuro-da.html

“ (...) Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. (…) Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.(...) Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”? Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som. (...) também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
(...) Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”. (...) Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. (...) O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa. (...) o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
(...) Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox. (...) Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.(...) Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
(...) eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum? ”

 (Uma autêntica maravilha de texto. A sua versão integral é de leitura obrigatória.)

                                                                                                                                         

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Israel e a Palestina

Terça-feira, 06.11.12

Há já algum tempo que não leio ou oiço notícias nos meios de comunicação sobre o conflito israelo-palestiniano.

Em Julho deste ano, o Presidente da Comissão Europeia afirmou em Ramallah que a União Europeia manterá o apoio aos palestinianos. Dois dias depois recebia o grau de doutor "honoris causa" pela Universidade de Haifa.

Amanhã é eleito o novo Presidente dos E.U.A. Seja eleito Obama ou o seu opositor republicano, caso seja apresentado no Conselho de Segurança qualquer projecto condenando Israel, ele terá, não tenho dúvidas, o veto dos E.U. Desde 2011 foram 11 (onze) e o último, que condenava Israel pela construção de colonatos em território palestiniano, foi da administração de Obama. Nada indica que no futuro próximo as coisas se alterem e que o "lobby" judaico naquele país manterá a sua influência.

Há muita desinformação sobre o assunto e para um esclarecimento cabal e fundamentado só escrevendo um livro.

Aqui deixo umas breves notas para reflexão.

 

Palestina: Parte meridional da antiga região de Canaã (de Cham, neto de Noé), de fronteiras imprecisas a Nascente do rio Jordão mas que, a Sul e Norte, se pode considerar limitada, respectivamente, pelo Sinai e pelo rio Orontes. A antiga Canaã integra, actualmente, o que são, territórios do Líbano, do Egipto, da Jordânia, da Siria e, claro, de Israel. O primeiro povo de Canaã, os canaanitas, era cultural e religiosamente heterogéneo com influências do Egipto, da Mesopotamia, da Anatólia, do Egeu. Dizem que lá se estabeleceu por volta de 2000 AC. A  Palestina deve o seu nome ao povo dos Filisteus, povo originário de Creta, que invadiu a parte meridional de Canaã cerca de 1300 a.C., assim como outro povo: os Hebreus.

 

Hebreus: Designação que vem de “heber“, que designa  “do lado de lá“ porque vieram do outro lado do rio Eufrates, de Nascente do rio Jordão. O povo, que a ele próprio sedenominava “ben-Israel“, era constituido por 12 tribos (10 de Jacob e 2 de José) agrupadas em 4 famílias as quais, posteriormente (em 928 a.C.) e no seguimento de uma guerra civil, deram origem a dois reinos, o de Israel (a Norte entre Jafa - ou Joppa -  e Sidon e com capital em Samaria) e o de Judeia, cujo nome vem da tribo preponderante no  território, a de Judas (a Sul entre o Egipto e Jafa e com capital em Jerusalém). No século IX (a.C.) as relações entre os dois estados eram hostis, tendo a Judeia beneficiado do apoio militar de Damasco (Assíria).

 

A conquista: Os hebreus levaram 3 séculos a conquistar a terra aos povos aborígenes, Idumenos e Amalecitas a Sul, Moabitos, Ismaelitas e Amonitas a Este. A maior oposição foi dada pelos Filisteus que bloquearam a expansão para SO. A ocupação, iniciada por Joshua, foi sempre feita com base na soberania das tribos, as quais, no entanto e devido á forte oposição dos filisteus, reuniram-se numa monarquia cujo primeiro rei foi Saul (1006 a.C.).

 

Os reis: A Saul sucedeu David o qual, após ter submetido os povos aborígenes, criou o 1º estado hebreu. David abandonou a capital da sua tribo (Hebron) e conquistou, 300 km a Norte, a fortaleza de Sion capital dos autoctones cananitas, os jebuseanos. Sion seria baptizada (965 a.C.) como Jerusalém. A  David sucedeu o seu filho Salomão que mandou construir o “Templo“. O filho de Salomão, Rahoboam, não conseguiu manter a unidade entre as tribos e a guerra civil estalou entre judeus (que incluia as tribos mais populosas de Judas, de Benjamim, de Isau e de Simão) e israelitas. Depois de Rhoboam, foram 20 os reis da Judeia (até Sedécias, 587 a.C.).

 

O estado de Israel: A desunião e conflitualidade com a Judeia, assim como o poder crescente dos Assírios, conduziu ao enfraquecimento do estado de Israel, o qual no século.VIII a.C. era um reino vassalo do império assírio com capital em Samaria. Em 727 a.C. uma revolta conduzida por  Hoshea foi esmagada. Israel foi anexado e a sua população deportada para território assírio. O estado da Judeia: Em 701 a.C., o império assírio conquistou, também, a Judeia . Em 612 dá-se a queda do Império e a Judeia fica sob domínio do Egipto. Por pouco tempo, já que em 605 o rei Nabucodonosor captura Jerusalém e, anos mais tarde, deporta os judeus para a Babilónia. Em  539, o grande rei Cyrus da Pérsia destrói a Babilónia e autoriza o regresso dos judeus ao território entre a fronteira com o Egipto e Jerusalém. Nem mais, nem menos. Era o início da Diáspora.

 

Acima estão factos históricos podendo os mais relevantes serem resumidos nos seguintes pontos:

1 - Os hebreus invadiram um território que não era o deles em 1300 a.C. 

2 - Os hebreus eram 12 tribos desavindas.

3 - Os hebreus organizaram-se em dois estados distintos: Judeia e Israel.

4 - Há que considerar na História duas capitais: Jerusalém (Sion ) e Samaria.

5 - O que se pode designar como “Grande Israel“, não durou mais do que 80 anos (de David a Rahoboam).

6 - O regresso de judeus no século VI a.C. limitou-se, até ao século XX d.C., ao território entre a península do Sinai e Jerusalém. 

                  

 

                                                                                                 

 

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publicado por alea às 19:30

Não asguento

Sexta-feira, 02.11.12

As universidades de verão

O verão acabou e as suas universidades também.

Já foi há algum tempo, mas certas “lições” nelas proferidas “aborreceram-me” pela imbecilidade demonstrada por alguns dos “professores” e na altura, confesso, não asguentei.

Tive vontade de dar bengaladas, de rasgar jornais, de martelar televisões mesmo as de alta tecnologia e com “pivotes” lindas.

Sim, não asguentei.

Estou duvidoso que este neologismo de maravilhoso som não tenha sido contemplado no também maravilhoso acordo ortográfico (o qual na televisão com serviço público – assunto muito actual – é caracterizado com a frase “como se fala em bom português”; o outro aparentemente era mau português).

Mas, adiante.

Como é bom estar a par das universidades de verão do PSD e do PS.

Universidades de “líderes” (com ou sem assento agudo?) como em Angola.

Como é reconfortante e animador ouvir Paulas, Rangeles e Seguros orientar os “chefes” de amanhã cuja “profissão” será a política, a gestão da coisa pública e, sobretudo, da coisa deles.

É simplesmente lindo. 

E quem paga estes imbecis tempos de antena quem é, quem é?

As Paulas (inesperadas defensoras da iniciativa pública e dos seus indispensáveis funcionários, os quais são muitos diz ela)? Os Rangeles (que acenam com uma guerra europeia, e aqui os ignorantes devemos ser nós)? Os Seguros (até quando será o desgraçado – embora, o que não é pouco, detentor da máquina do partido - “líder” de um dos partidos do “arco do poder”)?

Não não, quem paga somos nós massa amorfa e ignorante que necessita de ensinamentos.

O Sr. Cavaco (primeira figura do Estado, responsável pelo “regular funcionamento das instituições democráticas”, chefe supremo das forças armadas e licenciado em finanças e doutorado em economia pública – e veja-se o estado em que as finanças e a economia continuam a estar neste desgraçado país - é mestre nesta matéria e na da de como acabar com a agricultura, as pescas, a pequena indústria, etecetera-e-tal, e na dos bolos-reis e na das economias dele e da D. Maria (não a do Prof. Oliveira Salazar – humilde governanta – não, a dele, a primeira dama de Portugal).

Deixei de fora a criatura Relvas e a sua extraordinária (sim, sem qualquer exagero) licenciatura, que é um insulto aos honestos licenciados.

Quanto ao Sr. Portas, licenciado “de facto” em direito pela Universidade Católica e ex-PSD (1979), quais submarinos qual quê, inocentes criaturas. Não! É tempo de rever o acordo com o PSDzinho (o rapaz de parvo não tem nada).

Estive, estou, enjoado, enojado, revoltado.

Mas que fazer?

Olhem: desabafar.

Desculpem.

                                                                                                                                                                                              

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publicado por alea às 17:10

A sabedoria popular

Terça-feira, 30.10.12

Pensando nos tempos de hoje, em particular nalguns dos mui dignos deputados da Nação, transcrevo, o que recolhi há anos na “Crónica de El-Rei D. João I” de Fernão lopes mas que hoje não consigo nela localizar, a declaração de um representante do povo nas cortes de Évora (de 1391 ou de 1408):

 

“ (…) Não sabem que cousa é honra, nem quando deve a honra precede o proveito, nem podem distinguir entre as virtudes morais. Sómente (...) como homens atónitos (...) com tumultos e vozes vãs, dão clamores de ora escolherem e ora enjeitarem, e segundo as vozes andam, assim andam(...)”

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publicado por alea às 17:10

Desiderata

Segunda-feira, 29.10.12

(Do Latim desideratu: aquilo que se deseja, aspiração)

Encontrado na Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692

 

Avance calmamente no meio do barulho e da pressa e lembre-se de quanta paz pode existir no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Diga a sua verdade com calma e clareza e oiça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; eles também têm a sua história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. São desagradáveis ao espírito. 

Se se comparar com outros, pode tornar-se vaidoso e amargo, porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a si. Goze os seus feitos e os seus desejos. Mantenha-se interessado na sua profissão, mesmo que ela seja humilde; é o que realmente se tem nas mudanças da sorte. 

Seja cauteloso nos negócios porque o mundo está cheio de truques. Mas não deixe que isso o cegue para a virtude: muitos lutam por altos ideais e a vida está cheia de heroísmos por todo o lado. 

Seja você. Sobretudo não finja afeição. Não seja cínico para com o amor, porque na aridez e desencanto ele é perene como a relva. 

Aceite gentilmente o conselho dos anos; renuncie com benevolência às coisas da juventude. Cultive a força de espírito para proteger-se do infortúnio inesperado. Mas não se amargure com imaginações. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Para lá de uma saudável disciplina, seja bondoso consigo. 

Você é filho do Universo, não menos do que as árvores e as estrelas. Tem o direito de aqui estar. E, quer seja para si claro ou não, é indiscutível que o Universo progride como deveria. Esteja, pois, em paz com Deus, seja qual for a ideia que dele tem e, sejam quais forem os seus trabalhos e aspirações na barulhenta confusão da vida, esteja em paz com a sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este mundo continua a ser maravilhoso. 

Seja alegre. Empenhe-se em ser feliz.

 

 

 

 

    

 

 

                          

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publicado por alea às 18:27






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