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Piadas de mau gosto.

Quinta-feira, 14.03.19

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Acho piada ao Marcelo com as suas danças, beijocas, eteceteretal. Acho piada ao Costa com as suas traiçõeszecas, o seu malabarismo, o seu jeito para cataplanas gastronómicas e políticas. Acho graça a uma Cristina com voz própria de sirenes de alarme e risos histéricos. Acho graça a um ex-inspector da polícia judiciária presumível mandante de assaltos na zona de Cascais e em outras a sul do Tejo. Acho piada ao “escondido” património de Ricardo Salgado que, por incompetência e deshonestidade, enganou e arruinou milhares de cidadãos (não dorme, coitado). Acho piada à impossibilidade de afastar o Sr.Tomáz Correia da gestão do Montepio com a cumplicidade de um “milicioso” padreca presidente da AG. Acho piada a um incompetente Pedro Marques (ex-adjunto do incompetente ex-ministro Mário Lino), que defende um novo aeroporto no Montijo (que se revelará uma anormalidade e um êrro técnico e financeiro irreversível) e que teve um miserável mandato de governante, sendo, no entanto, o cabeça de lista do PS às eleições europeias. Acho piada que o lindo jardim de Belém, à frente do palácio presidencial, seja transformado num palco de greves de fome para chamar a atenção do PR, (foram os enfermeiros, agora são os agentes da PSP e amanhã?). Acho piada à importância avassaladora dada pelas estações televisivas ao futebol com catedráticos da bola e mestres do absolutamente nada. Acho piada que o dinheiro das dádivas populares de apoio à reconstrução do destruído pelos incêndios de Pedrógão Grande não tenha sido devidamente registado e que seja considerado desaparecido ou desviado para outros fins, com uma vergonhosa lavagem de mãos do governo.

Tudo piadas de muito mau gosto mas que, infelizmente, não passam de vergonhosas realidades.

O Brexit? Os mortíferos e invulgares acidentes aéreos da Boeing? A guerra sem fim na Síria? A situação política nos EUA? Os problemas na UE? A questão delicadíssima da presidência na Argélia? A corrupção que grassa em Portugal e que não poupa a política, os mais altos cargos empresariais, o sacrossanto futebol, a polícia e até a justiça. A verdadeira história da banca portuguesa (do BPN ao Montepio), com as enormes responsabilidades da acção da partidocracia portuguesa (de Sócrates a Costa), no seu escandaloso descalabro (que continua com um vergonhoso e cúmplice alheamento parlamentar)?

Tudo importantes e preocupantes questões mas para cujo conhecimento, para algumas, é necessário recorrer à informação de “lá de fora” onde quase tudo é debatido e transmitido regularmente e com naturalidade.

Somos Europa? Vou ali e já volto.

Tenho pena, muita pena, vergonha muita vergonha por quem governa, por quem rouba impunemente e com desfaçatez este desgraçado país, por quem imbecilmente promove a estupidez, a pinderiquice e a ignorância.

“Une merde”.

 

 

 

    

 

 

 

                                 

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publicado por alea às 15:55

Passa para cá uns milhares

Sábado, 30.12.17

Passa para cá uns milhares de euros que eu só faço o que achares que devo. E, aparentemente, assim foi.

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Um guarda redes, dois defesas centrais e um lateral de uma equipe de futebol da 1ª divisão foram subornados e alteraram o resultado de um desafio.

Para os apostadores portugueses de nada lhes valeu porque a Stª Casa da Misericórdia, responsável pelas apostas, alertou de imediato as autoridades. Foi há 6 meses. Ouvidos pela polícia judiciária, os quatro jogadores, um deles já numa equipa inglesa, foram constituídos arguidos.

O presidente do sindicato e a equipa onde os quatro presumíveis criminosos jogam já vieram a terreno manifestar espanto, seis meses depois dos factos. O que dizer?

A corrupção alastra neste país não poupando nada e ninguém. Agora foi no futebol, mas foi no governo (como a substituição/resignação de vários Secretários de Estado), nas autarquias (“eles roubam mas fazem” é quase um lema para uma eleição), nas forças armadas (o escândalo dos fornecimentos na manutenção militar que envolveu um oficial general), na justiça (com um procurador constituído arguido), na educação (com textos de exame divulgados por uma professora com particulares responsabilidades), na banca (os exemplos são por demais conhecidos), nas IPSS (a “Raríssimas” é um dos casos), no meio empresarial (poupem-me esclarecer com famosos nomes que na vergonha deveriam ter caído se soubessem o que ela é) e etecetera.

Muito provavelmente há muito mais e que existe onde menos se suspeita. Haverá muito mais para descobrir e só não se sabe mais porque estão quase todos à “manjedoura do Estado” (a recente proposta de lei sobre o financiamento dos partidos políticos é disso reflexo) e só põe a “boca no trombone” quem estiver irremediavelmente entalado. Esprema-se, dê-se a volta ao torniquete, e as vergonhosas verdades virão ao de cima. Mas quem tem espremedores e torniquetes na mão talvez não queira.

O futebol não é a virgem que os seus fanáticos apoiantes querem fazer crer: apito de várias cores, emails com intuitos mais do que duvidosos e agora corrupção de jogadores. Que fazer?

Dar às autoridades de investigação e à Justiça meios humanos e materiais indispensáveis a uma rápida, inflexível e exemplar acção. No caso vertente, caso se prove, expulsar de qualquer competição os presumíveis culpados, cadeia com eles e, em vez de tatuagens de que eles tanto gostam, carimbar de preto as suas caras.

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publicado por alea às 19:39

2017 - Um mini balanço

Terça-feira, 26.12.17

Em 2017, os vergonhosos acontecimentos que assolaram este país foram diários, semanais, mensais. Corrupção, nepotismo, mentira, roubo, incompetência são alguns dos carimbos na acção política, financeira, económica, empresarial. Claro que em 2017 nem tudo foi reprovável ou criminoso. Houve outros acontecimentos, uns enormemente trágicos e outros bons.

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A infernal e dupla tragédia dos incêndios vai marcar tragicamente e durante muito tempo terras e gentes.

Como foi possível esta enorme catástrofe, misto de condições atmosféricas anormais e de impreparação no limite da incompetência de organismos e autoridades que têm como obrigação primeira a segurança do povo e dos seus bens? Houve inquéritos, peritagens e pareceres diversos que deixaram muitas dúvidas e desconfianças.

Os bombeiros voluntários foram de uma dedicação inexcedível e merecem a gratidão de todos.

Depois, o bom, o muito bom. A situação da economia e das finanças que, graças ao novo governo, deu uma volta de 180º, inicialmente muito criticada pelo “reviralho”, com resultados só vistos há mais de quinze anos e nos quais poucos acreditavam. Pelos vistos, a nova política económica da “Geringonça” funcionou para despeito confrangedoramente aparente e pouco louvável da oposição.

Nos “diversos” negativos podem referir-se a banca, os paióis das forças armadas, as tricas parlamentares e futebolísticas, o jantar no Panteão.

Houve ainda outros acontecimentos, também negativos, aos quais só recentemente se deu uma certa relevância. Por exemplo a IPSS “Raríssimas”, na qual um ex-secretário de Estado está alegadamente envolvido; as licenciaturas reivindicadas por responsáveis da protecção civil que se revelaram falsas; elementos da família (pais e irmão) de um ex-secretário de Estado e ex-quadro do BES que não sendo funcionários da empresa receberam 54.000 euros do saco azul daquele grupo através de uma conta offshore; a inacreditável e irresponsável participação financeira (200 milhões de euros) da Misericórdia no Montepio em provável estado de pré-falência.

Dado que a verdade ainda que venha sempre ao de cima leva o seu tempo, julgo que esta procissão ainda vai no adro.

Tudo isto sob o olhar incompetente ou distante das mais variadas governações, supervisões e fiscalizações. Ninguém nos meios político, mediático, desportivo ou empresarial denunciou em devido tempo fosse o que fosse. Nem mesmo o Sr. Presidente, que comenta o tudo e o nada, está a conseguir garantir um são funcionamento das instituições nacionais e parece ignorar que a sociedade sob a sua alta chefia está doente.

A culpa é sempre dos outros, mesmo que estes sejam sempre vizinhos chegados. A culpa morrerá solteira e um “como sempre” não consola.

A estratégia de afectos é confrangedora pela sua total irrelevância social e política. Chegará o tempo em que os “afectos” levantarão sobrolhos e suscitarão sorrisos trocistas. “Afecto”, palavra que deveria ser eleita como a do ano.

Esta sociedade, escandalosamente endogâmica nas esferas do poder político, deveria ser objecto de mais severidade, de mais exigência. Com “afectos” tudo ficará na mesma se não pior. É como na educação das crianças: respeito e uma boa palmada em tempo certo, diálogo ôco e beijinhos é que não.

Então o que se pode fazer e quem é que tem o poder para o fazer? Antigamente, durante séculos havia uma entidade que o tinha: as forças armadas, cuja acção era catalisada e potenciada pelo povo. Hoje, vale rigorosamente zero.

Os portugueses estão de pés e mãos atados. A soberania está entregue a terceiros que de Portugal nada entendem ou pouco sabem. Mas tudo tem o seu preço e escolheu-se, não tão democraticamente como se afirma e se pretende fazer crer, o que hoje se tem e que aflige os que estão atentos e de olhos abertos. A “Europa” há muito que manda em tudo, na moeda, nas finanças, na economia, na agricultura, nas pescas, nas forças armadas. Em tudo, e os portugueses inclinam-se porque, infelizmente, andaram demasiadas vezes de mão estendida.

Isto tem que dar uma volta.

Tem que se aumentar o nível de exigência na família, no trabalho e na escola e alterar radicalmente os métodos de governação da coisa pública. Existe um problema de educação e, também, uma desadequação à realidade do regime político. A actual Constituição já deu o que tinha a dar. O regime parlamentar já não serve e não está, claramente, no ADN do povo português.

Basta analisar os períodos de decadência ou de confusão e os de sucesso, ordem político-social e progresso que Portugal viveu ao longo dos seus 1300 anos de existência. Os primeiros, sob a égide de fracos chefes (“os fracos reis fazem fraca a forte gente”), os segundos sob o primado de uma autoridade central competente e forte. Hoje, o regime parlamentar não passa de um numeroso grupo de personagens, com inúmeras benesses pagas pelo cidadão contribuinte, que periodicamente participam, por vezes sonolentamente, em sessões ordinárias e também em comissões de inquérito das quais nada resulta. É assim que se quer continuar a ir?

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Tudo está nas mãos do povo, que só se revolta quando manipulado pelos sindicatos e que nada pode fazer excepto delegar periodicamente o seu poder a anónimos deputados e autarcas que não estão à altura da governação.

Isto tem que dar uma volta mas, no estado em que as coisas estão, só com uma revolução que ninguém quer, excepto, claro, se for democrática o que não se vê como.

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publicado por alea às 14:51

Major-General dentro, Ex-Ministro fora

Terça-feira, 04.07.17

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Ora até que enfim!

No âmbito da “Operação Zeus” foram detidos 12 militares da força aérea e quatro empresários por associação criminosa, corrupção activa e passiva e falsificação de documentos.

O esquema que durava há dezena de anos (trinta segundo confissão de um sargento preso em Novembro de 2016) consistia em triplicar o valor facturado na comercialização de bens alimentares fornecidos às messes da força aérea. O Estado foi lesado em 10 milhões de euros.

Mas a novidade, é ter sido detida uma alta patente militar, nada mais nada menos do que um major-general. Que maravilha: de Novembro passado até hoje passou-se de um sargento para um oficial general. Aqui, não se o pode negar, o progresso foi relevante e não foi só “mexilhão”. Muito bem.

Mas, nunca se sabe o que um maravilhoso advogado poderá conseguir.

Ainda ontem um deles afirmou, em entrevista televisiva, que a situação de arguido de um seu cliente, um muito conhecido ex-ministro de um governo do Sr. Pinto de Sousa, era inaceitável e que iria requerer a nulidade da mesma.

O Sr. Ex-Ministro foi constituído arguido no âmbito de uma investigação de um alegado esquema de corrupção que envolve a EDP mas foi autorizado a saír do país para ir dar aulas para a China.

Em 2007, o mesmo senhor deu o seu aval, como ministro da economia, aos novos valores que a EDP viria a receber como compensação por vender a sua energia em condições de mercado. Uma queixa apresentada a Bruxelas apontou a possibilidade de o Estado ter sido lesado em milhões de euros com esse acordo.

Em 2009, o ex-ministro, que nesse ano se demitira, é contratado para dar aulas na Universidade de Columbia, aulas essas patrocinadas pela EDP…

O quadro é maravilhoso. Aulas nos EUA em condições muito pouco claras envolvendo, segundo a acusação pública, “participação económica em negócio” e aulas na China onde a corrupção é uma praga e drasticamente punida, independentemente da posição política ou relevância económica do arguido.

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Claro que vivemos num estado democrático, embora desgovernado e onde é absolutamente normal que a responsabilidade assumida seja apenas de natureza política e não se traduzir em absolutamente nada.

Também é verdade que cada um dá aulas do que sabe e pratica e nas condições que lhe forem oferecidas.

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publicado por alea às 19:46

Sócrates dentro

Domingo, 23.11.14
 
 

“Nada há de encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se” Mateus 10:26.

Sócrates dentro,

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, por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais e de fraude fiscal.

É um incómodo que lhe não vai fazer grande mal, para além do “kaput” de uma carreira política. Nada o vai livrar disso. Do resto? Safa-se por advogados do melhor que a sua mal ganha e inexplicável fortuna irá pagar.

Surpreendido? Sim, por só ser agora.

É mau para o PS? Sim, é uma bomba política cujos estilhaços o atingem e com consequências negativas na sua luta pelo poder, até hoje com grandes probabilidades de victória. Basta lembrar as declarações irresponsáveis e desnecessárias do seu líder parlamentar Ferro Rodrigues de louvor ao saudoso líder José Sócrates (a que, curiosamente, se juntam, num espaço temporal muito curto, os apelos ao Presidente da República para uma sua condecoração e a condecoração que lhe foi conferida pela Câmara Municipal da Covilhã) e, também, a necessidade sentida pelo seu Secretário Geral, António Costa, de envio de um SMS aos militantes.

José Sócrates? Um aldrabão e um mentiroso que a suspeição acompanhou desde o início da sua carreira. Agora, de acordo com a Procuradoria Geral da República, é suspeito de corrupção. Até ontem conseguiu escapar à justiça. Como?

A casinha em Paris em Passy, bairro no muitíssimo refinado bairro do XVI éme? Afinal não foi alugada, foi comprada por três milhões de euros. As casinhas no edifício Castil de Lisboa? Até agora, continua a ser uma compra com as poupanças da mãezinha que passou, por passes de mágica, a herdeira rica. O curso numa prestigiosa escola de gestão europeia em Paris? Custeado por um empréstimo ao banco. A possibilidade de uma luxuosa vida após a sua saída de primeiro ministro de Portugal? Economias de vários anos de vida dedicada à causa pública. Etecetera-e-tal.

Surpresa? Para mim apenas a do indivíduo ter ido dentro só agora. Haverá compadrios, haverá uma vergonhosa defesa de vergonhas que a muitos poderá atingir, haverá pusilanimidade a todos os níveis e já há descabida retórica políticopartidária ("é um dia triste para Portugal", "tentativa de humilhação", "os políticos não são todos iguais") que só o politicamente conveniente pode justificar. Mas, explicações para quê? A justiça adormecida durante anos pelo poder e pelos interesses, apagou a indiscutível falsa licenciatura, os casos “Freeport”, “Monte Branco”, “Face Oculta” e só actuou ao retardador (como eventualmente é conveniente e certamente politicamente aconselhável) depois do “engenheiro” deixar de ser poder e de "marçano" passar a ser rico para além do que é compreensível. Acho que as alterações ao nível da Procuradoria Geral da República foram determinantes e não acredito numa acção governativa vingativa ou competente.
Enfim, uma vergonha a somar a tantas outras: foi o BPN (que é feito do Oliveira e Costa? E onde para o Dias Loureiro?). E foi o BPP e o caso dos submarinos, liminarmente resolvido pela justiça alemã e que por cá continua em "águas de bacalhau". Por que será? E é o BES e a PT e é a corrupção de altos dirigentes de importantes e sensíveis organismos do Estado, como é o caso dos serviços de registos e de notariado, dos serviços de segurança e da justiça, todos envolvidos na concessão fraudulenta de vistos "gold".
Tantos cúmplices miseráveis, com a esquerda e a direita misturadas num agoniante pacote central com a extrema esquerda portuguesa recebendo rejubilante o populismo demagógico e perigosíssimo do “Podemos” espanhol, do “Syriza” grego e do “Sinn Féin” irlandês num congresso fratricida.

Hoje, em Portugal, não há força política que se preocupe com o cidadão, apenas partidos que olham para o umbigo com dirigentes que agem de acordo com interesses pessoais ignorando o interesse público. Vivemos (“pardon my english”) na mais completa m.... Olhem, para me animar e anestesiar, vou assistir ao resumo do Benfica-Moreirense. Bater nos mais fracos é um hábito descansativo e pouco perigoso como comprova a política recente.

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publicado por alea às 18:18

Os "parvos" nos tribunais

Quinta-feira, 05.09.13

Há meses chegou-me às mãos um “mail”, cheio de humor, muito bem escrito por autor desconhecido e que a minha memória agora repesca.

Com a devida vénia, aqui vai o que me lembro…

O Sr. Domingos Névoa (“Bragaparques) conquistou um lugar ao sol no mundo empresarial, mas não se livra de suspeitas e denúncias de corrupção em torno dos seus negócios (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1152582&page=-1)

Ofereceu, dizem, 200.000 euros para que o detentor de um cargo político lhe fizesse um favorzinho. Feita a denúncia, o Tribunal deu como provado o facto mas absolveu-o por entender que o político em causa não tinha os poderes necessários para dar provimento ao pedido. Ou seja, o Tribunal deu como provado um suborno inadequado.

Portanto, quem subornar uma pessoa errada não é corrupto, é só parvo.

Imagine-se uma sentença para outros casos e situações: quem assassinar uma pessoa errada não é assassino é incompetente, quem assaltar o banco errado não é ladrão é distraído, quem imprimir notas em mau papel, com valor facial, cores, assinaturas e papel errados não é falsário, é um mau artista, quem roubar um carro avariado não é ladrão é um ignorante em mecânica. E por aí fora.


São actos ilegais feridos de ilegalidades, praticados à balda e, obviamente, de feitura e eventual tramitação inadequadas para uma eventual condenação nos tribunais portugueses.

Em Portugal, a Lei exige talento no crime e uma tramitação absolutamente inatacável.

Não é qualquer um que é criminoso, era o que faltava. “Tenha paciência Sr. Fulano de Tal, tente outra vez, assim não. Isto não é crime que se apresente, ora francamente!”. 


 

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publicado por alea às 09:26

Uma denúncia: regabofe e corrupção

Quinta-feira, 18.07.13

Regabofe: festa em que se come e bebe à farta

Nestes tempos de grave crise política, de autêntico regabofe em que o cidadão tem que engolir e beber o que os políticos, analistas e e jornalistas lhe oferecem, lembrei-me de repescar uns extractos das afirmações de António Costa numa série do programa “Quadratura do Círculo”. Nelas tudo é, julgo, pertinente para se entender um pouco melhor o aspecto financeiro do dramático problema que Portugal enfrenta, embora haja quem considere oportuna uma viagem às Ilhas Selvagens a mais de 1.000 km daqui.

Então, o que é que ele afirmou perante o silêncio dos outros intervenientes?


(...) a situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir. Não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria (...). E, portanto, esta ideia de que em Portugal ouve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável (...).

(...) orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia, em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. (...) é isso que estamos a pagar (...).

(...) a ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise porque andaram a viver acima das suas possibilidades é um enorme embuste. 

(...) quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o Orçamento do Estado. 

A administração central e local enxameou-se de milhares de “boys”, criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e em presas municipais fantasmas. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. 


Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004 e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada mas só na Alemanha. 

(...) e foram as vigarices de Isaltino Morais (...) a que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e previlégios concedidos a um polvo que com os seus tentáculos se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos e têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos. 

(...) enquanto isto os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos, pois, enquanto povo ter remorsos pelo estado das contas públicas, devemos antes exigir a eliminação dos previlégios que nos arruínam. 

Há que renegociar as parcerias público-privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos. Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões sem penalizar os cidadãos. 

Não é assim, culpando e castigando o povo pelos erros da classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. (...)

 

 Regabofe? Corrupção? Vergonhosamente sim, mas do que Portugal sofre é de um problema de educação (que não se deve confundir com "instrução" que tanto é badalada por governos e sindicatos). Dêem-lhe tanta importância como ao deficit e os resultados aparecerão. E quem são os culpados da falta de educação de que Portugal sofre? Entre outros, pais, professores, jornalistas, chefes, políticos.

Muitos pais que enfiam os filhos em escolas e que só os vêem, que só falam com eles aos fins-de-semana, se tanto. Demasiados professores que cada vez têm menos educação (que, repito, não é "instrução"). Tantos jornalistas que escrevem mal, que não sabem falar, que pensam mal e que escolhem e exploram temas para divulgação com critério próprios da imbecilidade e do sensacionalismo bacoco. Chefes, que o são mais por automatismos e por confianças do que por competência e dedicação ao trabalho. Políticos que, todos os dias e de todas as formas salvas raríssimas e honrosas excepções, nos revelam que o que interessa é "o deles", que não têm a menor ideia do que é o bem-público, que vagamente conseguem distinguir o que é honestidade e se embrulham em negociatas vergonhosas.

Não? Só pode ser distracção.

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publicado por alea às 22:14

Estou farto disto tudo.

Terça-feira, 13.11.12

"Estou farto de ver o país sequestrado por corruptos. Farto de ver políticos a mentir. Farto de ver a Constituição ser trespassada. Farto de ver adolescentes saltitantes e acéfalos, de bandeira partidária em punho, a lamberem as botas de meia dúzia de ilusionistas. Farto de oportunistas que, após mil tropelias, acabam a dirigir os destinos do país. Farto de boys que proliferam como sanguessugas e transformam o mérito em pouco mais do que uma palavra. Farto da injustiça social e da precariedade. Farto da Justiça à Dias Loureiro. Farto dos procuradores de pacotilha. Farto de viver num regime falso, numa democracia impositiva. Farto da austeridade. Farto das negociatas à terceiro mundo. Farto das ironias, da voz irritante, dos gráficos e da falta de sensibilidade de Vítor Gaspar. Farto dos episódios inacreditáveis do 'Dr.' Relvas, das mentiras de Passos Coelho e da cobardia de Paulo Portas. Farto de me sentir inseguro cada vez que ouço José Seguro. Farto de ter uma espécie de Tutankhamon como Presidente da República. Farto dos disparates do Dr. Mário Soares.

Estou farto de ver gente a sofrer sem ter culpa. Farto de ver pessoas perderem o emprego, os bens, a liberdade, a felicidade e muitas vezes a dignidade. Farto de ver tantos a partir sem perspectivas, orientados pelo desespero. Farto de silêncios. Farto do FMI e da Troika. Farto de sentir o pânico a cada esquina. Farto de ver lojas fecharem a porta pela ultima vez e empresas a falir. Farto de ver rostos fechados, sufocados pela crise. Farto dos Sócrates, Linos, Varas, Campos e outros a gozarem connosco depois de terem hipotecado o futuro do país. Farto da senhora Merkel.

Estou farto de ver gente miserável impor a miséria a milhões. Farto da impunidade. Farto de ver vigaristas, gente sem escrúpulos, triunfar. Farto de banqueiros sem vergonha, corresponsáveis em tudo, a carpirem mágoas nos meios de comunicação social. Farto de ver milhares de pessoas a entregarem as suas casas ao banco. Farto de vergonhas como o BPN e as PPP. Farto de ver um país maltratar os seus filhos e abandoná-los à sua sorte. E, finalmente, estou farto de estar farto e imagino que não devo estar só."

 

6 de Novembro de 2012

 

Tiago Mesquita

 (www.expresso.pt)

 

Ler mais :

http://expresso.sapo.pt/estou-farto-disto-tudo=f764688#ixzz2HCdTIqN1

 

Que Deus me dê a força para mudar aquilo que posso.

Que Deus me dê a paciência para suportar aquilo que não posso mudar.

Que Deus me dê o discernimento para distinguir o que posso daquilo que não posso.

Vou ausentar-me do país durante uma temporada para ver se isto passa...


 

 

 

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publicado por alea às 15:28