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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.


Sábado, 30.12.17

Passa para cá uns milhares

Passa para cá uns milhares de euros que eu só faço o que achares que devo. E, aparentemente, assim foi.

Corrupção.jpg

Um guarda redes, dois defesas centrais e um lateral de uma equipe de futebol da 1ª divisão foram subornados e alteraram o resultado de um desafio.

Para os apostadores portugueses de nada lhes valeu porque a Stª Casa da Misericórdia, responsável pelas apostas, alertou de imediato as autoridades. Foi há 6 meses. Ouvidos pela polícia judiciária, os quatro jogadores, um deles já numa equipa inglesa, foram constituídos arguidos.

O presidente do sindicato e a equipa onde os quatro presumíveis criminosos jogam já vieram a terreno manifestar espanto, seis meses depois dos factos. O que dizer?

A corrupção alastra neste país não poupando nada e ninguém. Agora foi no futebol, mas foi no governo (como a substituição/resignação de vários Secretários de Estado), nas autarquias (“eles roubam mas fazem” é quase um lema para uma eleição), nas forças armadas (o escândalo dos fornecimentos na manutenção militar que envolveu um oficial general), na justiça (com um procurador constituído arguido), na educação (com textos de exame divulgados por uma professora com particulares responsabilidades), na banca (os exemplos são por demais conhecidos), nas IPSS (a “Raríssimas” é um dos casos), no meio empresarial (poupem-me esclarecer com famosos nomes que na vergonha deveriam ter caído se soubessem o que ela é) e etecetera.

Muito provavelmente há muito mais e que existe onde menos se suspeita. Haverá muito mais para descobrir e só não se sabe mais porque estão quase todos à “manjedoura do Estado” (a recente proposta de lei sobre o financiamento dos partidos políticos é disso reflexo) e só põe a “boca no trombone” quem estiver irremediavelmente entalado. Esprema-se, dê-se a volta ao torniquete, e as vergonhosas verdades virão ao de cima. Mas quem tem espremedores e torniquetes na mão talvez não queira.

O futebol não é a virgem que os seus fanáticos apoiantes querem fazer crer: apito de várias cores, emails com intuitos mais do que duvidosos e agora corrupção de jogadores. Que fazer?

Dar às autoridades de investigação e à Justiça meios humanos e materiais indispensáveis a uma rápida, inflexível e exemplar acção. No caso vertente, caso se prove, expulsar de qualquer competição os presumíveis culpados, cadeia com eles e, em vez de tatuagens de que eles tanto gostam, carimbar de preto as suas caras.

corruption.jpg

 

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por alea às 19:39

Terça-feira, 26.12.17

2017 - Um mini balanço

Em 2017, os vergonhosos acontecimentos que assolaram este país foram diários, semanais, mensais. Corrupção, nepotismo, mentira, roubo, incompetência são alguns dos carimbos na acção política, financeira, económica, empresarial. Claro que em 2017 nem tudo foi reprovável ou criminoso. Houve outros acontecimentos, uns enormemente trágicos e outros bons.

                                          nepotismo-vaca-peituda.png

A infernal e dupla tragédia dos incêndios vai marcar tragicamente e durante muito tempo terras e gentes.

Como foi possível esta enorme catástrofe, misto de condições atmosféricas anormais e de impreparação no limite da incompetência de organismos e autoridades que têm como obrigação primeira a segurança do povo e dos seus bens? Houve inquéritos, peritagens e pareceres diversos que deixaram muitas dúvidas e desconfianças.

Os bombeiros voluntários foram de uma dedicação inexcedível e merecem a gratidão de todos.

Depois, o bom, o muito bom. A situação da economia e das finanças que, graças ao novo governo, deu uma volta de 180º, inicialmente muito criticada pelo “reviralho”, com resultados só vistos há mais de quinze anos e nos quais poucos acreditavam. Pelos vistos, a nova política económica da “Geringonça” funcionou para despeito confrangedoramente aparente e pouco louvável da oposição.

Nos “diversos” negativos podem referir-se a banca, os paióis das forças armadas, as tricas parlamentares e futebolísticas, o jantar no Panteão.

Houve ainda outros acontecimentos, também negativos, aos quais só recentemente se deu uma certa relevância. Por exemplo a IPSS “Raríssimas”, na qual um ex-secretário de Estado está alegadamente envolvido; as licenciaturas reivindicadas por responsáveis da protecção civil que se revelaram falsas; elementos da família (pais e irmão) de um ex-secretário de Estado e ex-quadro do BES que não sendo funcionários da empresa receberam 54.000 euros do saco azul daquele grupo através de uma conta offshore; a inacreditável e irresponsável participação financeira (200 milhões de euros) da Misericórdia no Montepio em provável estado de pré-falência.

Dado que a verdade ainda que venha sempre ao de cima leva o seu tempo, julgo que esta procissão ainda vai no adro.

Tudo isto sob o olhar incompetente ou distante das mais variadas governações, supervisões e fiscalizações. Ninguém nos meios político, mediático, desportivo ou empresarial denunciou em devido tempo fosse o que fosse. Nem mesmo o Sr. Presidente, que comenta o tudo e o nada, está a conseguir garantir um são funcionamento das instituições nacionais e parece ignorar que a sociedade sob a sua alta chefia está doente.

A culpa é sempre dos outros, mesmo que estes sejam sempre vizinhos chegados. A culpa morrerá solteira e um “como sempre” não consola.

A estratégia de afectos é confrangedora pela sua total irrelevância social e política. Chegará o tempo em que os “afectos” levantarão sobrolhos e suscitarão sorrisos trocistas. “Afecto”, palavra que deveria ser eleita como a do ano.

Esta sociedade, escandalosamente endogâmica nas esferas do poder político, deveria ser objecto de mais severidade, de mais exigência. Com “afectos” tudo ficará na mesma se não pior. É como na educação das crianças: respeito e uma boa palmada em tempo certo, diálogo ôco e beijinhos é que não.

Então o que se pode fazer e quem é que tem o poder para o fazer? Antigamente, durante séculos havia uma entidade que o tinha: as forças armadas, cuja acção era catalisada e potenciada pelo povo. Hoje, vale rigorosamente zero.

Os portugueses estão de pés e mãos atados. A soberania está entregue a terceiros que de Portugal nada entendem ou pouco sabem. Mas tudo tem o seu preço e escolheu-se, não tão democraticamente como se afirma e se pretende fazer crer, o que hoje se tem e que aflige os que estão atentos e de olhos abertos. A “Europa” há muito que manda em tudo, na moeda, nas finanças, na economia, na agricultura, nas pescas, nas forças armadas. Em tudo, e os portugueses inclinam-se porque, infelizmente, andaram demasiadas vezes de mão estendida.

Isto tem que dar uma volta.

Tem que se aumentar o nível de exigência na família, no trabalho e na escola e alterar radicalmente os métodos de governação da coisa pública. Existe um problema de educação e, também, uma desadequação à realidade do regime político. A actual Constituição já deu o que tinha a dar. O regime parlamentar já não serve e não está, claramente, no ADN do povo português.

Basta analisar os períodos de decadência ou de confusão e os de sucesso, ordem político-social e progresso que Portugal viveu ao longo dos seus 1300 anos de existência. Os primeiros, sob a égide de fracos chefes (“os fracos reis fazem fraca a forte gente”), os segundos sob o primado de uma autoridade central competente e forte. Hoje, o regime parlamentar não passa de um numeroso grupo de personagens, com inúmeras benesses pagas pelo cidadão contribuinte, que periodicamente participam, por vezes sonolentamente, em sessões ordinárias e também em comissões de inquérito das quais nada resulta. É assim que se quer continuar a ir?

                                    Imagens sapo.jpg

Tudo está nas mãos do povo, que só se revolta quando manipulado pelos sindicatos e que nada pode fazer excepto delegar periodicamente o seu poder a anónimos deputados e autarcas que não estão à altura da governação.

Isto tem que dar uma volta mas, no estado em que as coisas estão, só com uma revolução que ninguém quer, excepto, claro, se for democrática o que não se vê como.

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por alea às 14:51


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