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Movimento "Cinco Estrelas" precisa-se

Terça-feira, 26.02.13

“Itália ingovernável”. A preocupação instalou-se nos governos europeus.

Itália ingovernável? Claro que não. Qualquer país é governável excepto se a sua governação for inconveniente para os poderosos (antigamente eram as armas que falavam, hoje é o dinheiro).

Veja-se o caso do Zimbabwe e da inacreditável criatura Mugabe, seu supremo líder (na opinião dele excelente governante, para não fugir à regra, lá como cá). A comunidade internacional mantém-se serena com esta situação e com outras mais recentes. Mas a Itália é diferente: faz parte da Europa, da “civilização”.

Corrupção, compadrio, malandros à solta, justiça inoperante, incompetência generalizada, riqueza de governantes e de “boys”, pobreza do mexilhão, total ausência de transparência nos actos do Governo (democracia? Vou ali e já volto). Lá como cá, em escalas e dores diferentes é certo.

O resultado das eleições na Itália e o “downgrade” do Reino Unido tiveram um impacto económico muito significativo, nas bolsas e nos mercados. É um pertinente exemplo porque aqueles comportamentos nada mais são do que reflexos/avisos de quem realmente manda na “civilização”: a finança. Esta manda nos que nós pensamos que mandam: nos governos.

                                    

No Zimbabwe a situação foi mais sangrenta, é mais aflitiva para os de lá e menos grave do que a que existe cá. Que diabo, nós somos “civilizados”. Em vez de sangue, tortura, prisões e puro despotismo, por cá existe desemprego galopante, quase-miséria na classe média, dívida para além do razoável, esmagamento do contribuinte em geral e dos reformados em particular, nepotismo, corrupção, incompetência, indecência cívica. A terceira força italiana resultante das eleiçõe de ontem é um movimento cívico denominado, “Movimento Cinco Estrelas”. É eurocéptico, contra o euro, contra os partidos. Obteve 25,55% dos votos. A coligação da esquerda e a de centro-direita obtiveram na Câmara dos Deputados, respectivamente, 29,55% e 29, 18% dos votos. Contra os partidos? Fico curioso quanto ao futuro. Não seria estranho se se transformasse em mais um partido... O que aconteceu em Itália deveria ser um exemplo para nós: que se crie cá um movimento com as bandeiras “Decência”, “Honestidade”, “Competência”, “Dever de Serviço Público”. O movimento italiano, que reuniu dezenas de milhares nas ruas e nas redes sociais e não em teatros, hóteis e restaurantes fechados ou com “reserva do direito de admissão”, classifica-se como “anti-político”. Acho que esta afirmação resulta da revolta. Toda a governação é, por definição, política. Governo tecnocrata? Não existe e se existe é mau. O movimento “Cinco Estrelas”, fundado em 2009, entende, pela voz do seu fundador (que não dá entrevistas, ele lá sabe porquê e eu também) Beppe Grilo, que “ser honesto está na moda”. Novamente não estou de acordo. Ser-se honesto não é uma questão de moda mas sim de carácter e de educação (hoje, 26 de Fevereiro, li no DN: “desde que tomou posse, o ministro da Administração Interna já assinou 58 despachos para expulsar elementos da PSP e da GNR, 13 da primeira força de segurança, 45 da segunda. A maior parte é devida a casos de crimes de corrupção, com a GNR a dar o maior contributo”). Só ali, naquelas duas? E no governo do Estado, das Autarquias, das Juntas, dos clubes de futebol, etecetera? Não? A corrupção não invadiu tudo? Claro que sim, basta “parar, ver e escutar” junto à cancelas que nos rodeiam no dia-a-dia. Mas a onda de m...em que mergulharam este pobre povo tem que ser negada. Tem que haver “discurso de estado”, que somos tão bons como os melhores. “Não só no futebol e na música, na economia também”. E na política? Como está o povo neste regime partidocrático? Bem? A democracia é o melhor regime até que se descubra/invente outro? Sim, eventualmente sim, mas os romanos suspendiam-na nas ocasiões graves e perigosas para o Estado. Ou não? Democracia? Qual? A presidencial, a parlamentar, a para lamentar, a participativa, a popular, a directa, a eteceteraetal? Ora, ora, pois pois.

Pois. O que nos falta é um movimento daqueles e escusa ser de cinco estrelas. Por mim contentava-me com duas.

                                     

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publicado por alea às 18:22

Os dias da semana em Portugal

Segunda-feira, 25.02.13

Desde sempre o homem preocupou-se com o registo do tempo. Esse registo, geralmente a cargo dos sacerdotes e no qual constavam  as datas de natureza civil, religiosa ou agrícola, é, hoje em dia, denominado “calendário“ ou, mais raramente, “almanaque“.O termo calendário vem do latim “calendarium“ que, para os romanos, constituía um registo das dívidas a serem liquidadas nas calendas, ou seja, no 1º dia de cada mês. A designação almanaque julga-se provir do árabe (“acção de contar “) e aplica-se ao registo no qual se indicam as divisões do ano, os meses, as semanas, os dias, as fases da lua, as estações, as festas religiosas, etc. Um quadro, com esta natureza, era designado pelos romanos não por “calendarium“ mas por “fasti “, porque nele se identificavam os dias “faste “ e “nefaste “ (permitidos/benéficos e proibidos/maléficos).

A opção dos Babilónios em adoptar as fases da Lua como base do seu calendário condicionou durante séculos o modo de registo do tempo.

                                  

Para os Sumérios (6000 a.C.) o ano tinha 12 meses que totalizavam 354 dias. Daqui resultava, ao fim de 3 anos, uma diferença de cerca de um mês em relação ao início das estações. A solução consistiu em introduzir um 13º mês o que era feito por ordem real.

Os Egípcios evitaram o impasse da Lua e foram os primeiros (há mais de 10.000 anos?) a definir a duração do ano solar e a aplicá-la para fins úteis (religiosos, agrícolas). Em 4300 a.C. estabeleciam como ano civil o “ano do Nilo” e concluíram que se obtinha um calendário fiável para as estações considerando o ano constituído por 12 meses de 30 dias aos quais se deviam adicionar 5 dias. O erro do calendário egípcio era muito pequeno para o quotidiano das gentes: as estações ocorreriam durante o mesmo mês durante um período de cerca de 1460 anos. A precisão do calendário egípcio era suficiente para que fosse adoptado por César 4300 anos depois de ter sido definido.

Ainda hoje, o Islão continua a viver segundo o calendário lunar. Não é por acaso que o crescente figura na bandeira de um país muçulmano. É a lua nova que marca o começo do Ramadão (9º mês) e é ela que confere uma cadência regular ao calendário, no qual os meses são independentes das estações (o jejum do Ramadão ou a peregrinação a Meca tanto podem calhar no Verão como no Inverno). A designação ano manteve a sua justificação como unidade de medida uma vez que, como “anel“  (annulus em latim) do tempo, mede o ciclo sazonal da vegetação e dos factores climáticos.

Aristóteles calculou a duração do ano em 365,25 dias e a do mês em 29 dias e 499/940. A estes valores (calculados em 335 a.C.) correspondem erros de 11,232 minutos num ano e de 22,7 segundos num mês. É uma precisão notável.

Júlio César, em 46 a.C., na qualidade de grande pontífice e recorrendo ao astrónomo Sosigenes, estabelece a duração do ano em 365 dias e 6 horas, aumenta para 445 dias o ano de 47 a.C. (por isso designado o “ano da confusão”) e introduz o ano bissexto (de modo diferente do actualmente adoptado). O ano corrente tinha uma duração de 365,25 dias, enfermando de um erro de 11 minutos e 14 segundos. César alterou a data de início do ano de 1 de Março para 1 de Janeiro.

O actual calendário gregoriano resulta de uma revisão do calendário juliano efectuada por ordem do papa Gregório XIII. Nesse ano de 1582 verificava-se, em relação ao ano solar, um avanço de 10 a 11 dias resultante da sucessiva acumulação do erro de 11 minutos e 14 segundos dos cálculos de Sosigenes. A mando do papa, o astrónomo Lélio reduziu em 10 dias o ano em curso, passando o dia 5 de Outubro a ser 15 de Outubro. Eram também suprimidos os anos bissextos que não tivessem os seus dois últimos algarismos divisíveis por 4. O ano gregoriano tem uma duração de 365,2425 dias e é, portanto, mais comprido 0,0003 dias do que o “ano solar“. No futuro ano de 11582 o actual calendário terá mais 3 dias em relação ao “calendário solar“…

Portugal e Espanha foram as primeiras nações que adoptaram de imediato o calendário gregoriano (o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582 foi 15 de Outubro, mas só no séc. XVIII a reforma gregoriana foi adoptada pelos protestantes da Alemanha, Suíça, Suécia e Inglaterra).

A identificação, para fins religiosos, económicos ou outros, dos ciclos naturais (sejam eles as fases da Lua ou as Estações) não dispensou o homem da necessidade de pormenorizar a medida do tempo, que manifestamente se revelava na alternância entre o dia e a noite a qual se impôs, naturalmente, como a primeira unidade de medida do tempo.

No séc. IV, os gregos fizeram a sua associação com o Sol, mas só em 1543, no meio de escândalo e de polémica, Copérnico demonstrou a relação entre o movimento de rotação da Terra e a ocorrência do dia e da noite. Pode dizer-se, sem exagero, que a Terra foi o primeiro relógio da humanidade, relógio de grande e inultrapassável precisão.

No “ Génesis “ lê-se: “As trevas cobriam o abismo...Deus disse faça-se a luz. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia á luz e ás trevas noite. Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia “. De acordo com as Escrituras, o dia começa, portanto, com a noite.

A divisão do dia em horas (do latim hora que significa duração, parte do dia) deve-se, provavelmente, aos caldeus e desde a antiguidade até hoje que é adoptado, na astronomia, o seu sistema numérico de base 60. A hora foi, assim, dividida primeiro em 60 partes designadas por minutos (do latim pars minuta prima) e, novamente, uma segunda vez em 60 partes designadas segundos (do latim pars minuta secunda). Como medida astronómica é duvidoso que o minuto, e muito menos o segundo, tenha constituído, senão em recentes épocas, uma medida prática, dada a inexistência de aparelhagem adequada a tal precisão - no séc. II, os cálculos de Ptolomeu não tinham uma precisão superior ao quarto da hora e no mundo medieval um intervalo de três horas canónicas dividiam as actuais 24 horas do dia: de três em três horas, os sinos anunciavam matinas (meia-noite), laudas (três da madrugada), prima (seis da manhã), tercia (três horas), sexta (meio-dia), nona (três da tarde), vésperas (seis da tarde) e completas (nove da noite). Tal como foi considerada necessária a divisão do dia em partes mais pequenas, igualmente se considerou vantajoso o agrupamento dos dias numa unidade maior incluída no mês.

Esta divisão do mês variou de povo para povo, mas por razões de comodidade será aqui adoptada a designação vinda do latim septimana (grupo de 7 dias), a semana (os gregos e antes deles os egípcios e os chineses, contavam os dias por décadas). Os romanos tinham uma muito particular divisão em calendas, idos e nonas (respectivamente, o 1º dia da lua nova, o da lua cheia e o nono dia antes desta) e foi do Oriente que se herdou, pelos hebreus e árabes, o sistema dos caldeus numa base de 7 (sete, número nefasto que obrigava a que nada fosse feito a 7, a 14, a 21 ou a 28 do mês).

O imperador Augusto mandou adoptar para nomes dos dias da semana os daqueles planetas, que se acreditava terem influência na 1ª hora do dia e, portanto, em todo o dia: Sol, Lunae, Martis, Mercurii, Jovis, Veneris, Saturni, (dies). O 7º dia da semana, como o Saturni dies dos romanos ou o Shamash dos babilónios, ou o Shabbat dos judeus ou o nosso Sábado, manteve-se o “pivot“, o início da semana.    

                      

Em 321 da nossa era, o imperador Constantino, a conselho dos “Pais da Igreja”, ordenou que o dia do Sol (dia de veneração do deus do Sol pré-cristão, Mitra) passasse a ser o dia do Senhor: dies Dominica, o nosso Domingo. Data também dessa época a determinação oficial da Igreja de rejeitar a designação pagã dos dias da semanae de seguir, tal como os hebreus e os árabes, uma sua simples enumeração.              

Os nomes pagãos e o seu significado mantiveram-se, até aos nossos dias, nos países de língua latina e germânica. No entanto, nos países de influência da igreja ortodoxa, como os de língua eslava e a Grécia adoptam-se designações numéricas: Pyat e Pyatnisa (5º e 6º) na Rússia, Deutera, Triti, Tetarti (2º, 3º, 4º) na Grécia. 

Paradoxalmente, as nações cristãs que, num ou noutro momento da sua História, sofreram a influência ou o poder religioso de Roma, não seguiram, a partir de uma dada época, a determinação da Igreja, com a singular excepção de Portugal, não só no contexto da Europa Ocidental mas também no da Península Ibérica. A semana cristã só se distinguia da semana judaica pela designação “feria“ e, claro, pela consagração do 1º dia ao Senhor: Domenica (feria prima), feria secunda, feria tertia, feria quarta, feria quinta, feria sexta.

Mas, por que é que dos países da Europa Ocidental só Portugal (e, também e ainda no 1º quartel deste século, a Galiza) se manteve, até hoje, fiel a uma determinação da Igreja que data do séc. IV da nossa era? Duas teorias se defrontam mas, na nossa opinião, sem resposta á questão principal (porquê só em Portugal?).

A do Prof. Paiva Boléu que considera como factor explicativo “...uma maior influência da Igreja e da linguagem eclesiástica no território lusitano... “ e a do Prof. Wilhelm Giese para quem a principal justificação reside no sistema enumerativo dos mouros, muito em particular, os residentes no “...arrebalde do vale da Baixa, extra-muros de Lisboa...”. Mas a influência da Igreja só se fez sentir em Portugal? E na mui vizinha e católica Castela, não? E a influência moura perdeu-se na Andaluzia, na Granada (árabe até 1492) e em todas as nações que são hoje Espanha para só ficar em Portugal? O sistema cristão foi certamente seguido nas espanhas (incluindo as suas zonas setentrionais), tendo sido substituído em época indeterminada pelo pagão (como consta em documentos do séc. XIII) mas nunca em Portugal “...onde não há notícia, em documentos, de se haverem empregado algum dia nomes pagãos...”.

As interrogações, por responder, mantêm-se portanto:

Em que época em Espanha (e na Europa cristã) se infringiu a determinação papal? Porquê? Por que razão em Portugal e, também na Galiza onde a língua era a mesma (note-se que até 1931 “...en algús escritores...carta, quinta e sesta feira súplena coas palabras mércoles, xoves, vernes. Voces, de xeito inteiramente galego e conforme coa orixe latina...”) não foi seguida essa desobediência?

                

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publicado por alea às 18:06

Bento XVI, bispo de Roma

Terça-feira, 19.02.13

Os cinco primitivos patriarcados

Ecclesias era como se chamavam as primeiras comunidades dos seguidores de Jesus (o termo “cristianismo” só surgiu mais tarde). Eram células à semelhança das comunistas de hoje. A chefia de cada ecclesia era assegurada por um presbítero livremente eleito pela comunidade. O presbítero era assistido por diáconos e subdiáconos, acólitos, leitores e exorcistas (aos quais se confiava a cura dos “possuídos”, dos epilépticos). O presbítero dava conta da sua conduta apenas aos seus fiéis, não existindo qualquer relação hierárquica entre os de cada cidade ou de cada comunidade. Melhor exemplo de democracia não há.

No entanto, a partir do século IV, com a enorme expansão do cristianismo transformado em religião de estado, a multiplicação de ecclesias em cada cidade tornou essencial uma verdadeira organização religiosa. Assim os presbíteros passaram a eleger, para a coordenação das suas acções, um epíscopo (um bispo). Posteriormente, apareceram a aparecer os arcebispos, os metropolitas e os primazes que eram os supervisores dos bispos de uma província. Até que em cinco cidades – Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria – foi instalado um patriarca. (Constantinopla, inaugurada em 330, só foi sede do Patriarcado do Oriente no séc. V, em 450. No séc. VI, com o seu  milhão de habitantes, era a cidade mais populosa do mundo, seguida, mas a muita distância, de Cartago, Alexandria e  Antioquia.)

Paulo, nas suas cartas, informa que o movimento de Jesus era dirigido por três “pilares”: Simão-Pedro, João e Tiago “irmão do Senhor”, ressaltando claramente que este último, que exercia o seu magistério em Jerusalém, constituía a autoridade suprema. Apenas no século V é que começou a teoria de que Pedro, fundador da primeira ecclesia em Roma, tinha primazia e foi nessa altura que apareceu a designação Papa, título também usado por muitos outros bispos.                                        

 

Simão-Pedro e Tiago ("o Justo", irmão do Senhor)

O papa de Roma era apenas o bispo de Roma, eleito, como todos os outros, pelo clero e pelo povo da cidade e tinha a mesma importância e os mesmos atributos que os das outras quatro sedes patriarcais. Só no Concílio de Calcedónia de 381 o bispo de Roma foi reconhecido, com muitas dificuldades e divergências, primus inter pares. No séc. VI, a supremacia, que ele já de facto exercia, foi consagrada com o título de Pontífice ou seja chefe da Igreja.

Brasão de Bento XVI

Neste brazão destacam-se três elementos: a cabeça coroada de um negro, uma concha e um urso que carrega um fardo atado, formando o cordame uma cruz de St. André.

Um mouro figura nas bandeiras da Córsega e da Sardenha, simbolizando em ambas a victória daqueles povos sobre os sarracenos (século XIII).

A concha tem um triplo significado para os cristãos: a lenda de S. Agostinho relativa ao menino que pretendia encher com ela todo o mar numa cova feita na areia (inútil tentativa de fazer entrar a infinidade de Deus na limitada mente humana), é o símbolo do peregrino e é o utensílio utilizado no baptismo cristão.

O urso - que consta nas armas da cidade de Freising cujo patrono é S. Corbínio (séc. VIII) o qual tem uma história que explica a figura do urso - identifica o arcebispo de Freising-Munich, Joseph Aloisius Ratzinger, tal como o leão de Veneza identifica o papa João-Paulo I que daquela cidade foi arcebispo.


O urso foi utilizado pela Igreja como símbolo da victória do cristianismo sobre o paganismo podendo também, nas armas de Bento XVI, ser interpretado numa leitura mais livre como estando a carregar o peso da Igreja (S. André era irmão de Pedro, segundo o Novo Testamento).  

Libertação, infinidade de Deus, jornada de devoção e purificação, fardo do sucessor de Pedro. 

 



 


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publicado por alea às 18:17

Isto só pode virar m...

Domingo, 17.02.13
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=dDG0GcScCXA

Peço desculpas, imensas, pela ideia e pela frase “vai tomar no c…” (vernácula, ordinária e muito pouco “intelectual”). A frase não é minha mas considero-a muito adequada ao contexto e tem o carimbo de direitos de autor do ex-Secretário de Estado da Cultura (sublinho “cultura”) Francisco José Viegas (FJV). Foi amplamente publicada nos jornais e consta no blog de FJV “A Origem das Espécies" http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/.

Vá levar” foi, na minha juventude, uma exclamação de desespero ordinária mas, sei-o hoje, utilizada com o verbo impróprio. Nunca é tarde para se aprender. Registei e no futuro poderei adoptar, se as circunstâncias para tal se apresentarem (nomeadamente no domínio fiscal), o termo correcto “Vá tomar”.

Transcrevo, com a devida vénia, a maravilhosa ameaça do ex-Secretário de Estado da Cultura (sublinho agora "ex-Secretário de Estado"): 

“Queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar fiscalizar-me à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência” e, mais adiante, “Ele, pobre funcionário, não tem culpa nenhuma; mas se a Autoridade Tributária e Aduaneira quiser cruzar informações sobre a vida dos cidadãos, primeiro que verifique se a Comissão Nacional de Protecção de Dados já deu o aval, depois que pague pela informação a quem quiser dá-la”. FJV já afirmara que: “um estado falido e especialista em extorsão decida sitiar os cidadãos com leis absurdas é coisa digna de um monumental manguito”.                                                 

 FJV foi secretário de Estado da Cultura do Governo de Passos Coelho até Outubro de 2012, data em que apresentou a sua demissão, invocando motivos de saúde. A razão não podia ser outra, como é habitual nestes casos.

Claro que houve pronta e muito lúcida reacção do Governo na pessoa da criatura Relvas. O Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares afirmou não ter lido as afirmações de FJV e disse que respeita "a opinião de todos os portugueses, tenham ou não feito parte do Governo". Acrescentou saber que "as medidas são difíceis e delicadas" e realçou que cabe a quem decide tomá-las fazê-las aplicar.

Frases próprias do estadista que julga ser.

O tema “vá tomar no c…” deve-se à artista Cris Nicolloti com mais de trinta anos de carreira (http://www.youtube.co/watch?v=hV76KXU1x6g).

Após o sucesso da canção, Cris gravou "Eu falei que isso ia virar merda", seguindo a mesma linha do "Vai tomar no c…".

Acho que sim, acho que isto só pode virar merda.

 

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publicado por alea às 00:28

O burlão e os pacóvios

Segunda-feira, 24.12.12

Haveria tantos comentários a fazer sobre talvez a melhor anedota do ano de 2012.

Acontecimento inacreditavel mas paradigmático. 


“(...)Artur Baptista da Silva é um ilustre desconhecido para a maioria dos portugueses. Mas não devia ser um ilustre desconhecido para o Governo. Em primeiro lugar, porque coordena a equipa de sete economistas que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, decidiu criar para estudar o risco geopolítico e social na Europa do Sul como resultado dos programas de ajustamento. E em segundo, porque é ele que ficará encarregado do Observatório Económico e Social das Nações Unidas para a Europa do Sul, a instalar em Portugal a partir de 2013.(...). (Nicolau Santos in "Expresso" de  22.12.12).

As descrições (por exemplo no semanário Sole no diário i) do que se passou e os esclarecimento do semanário Expresso falam por si.

Aqui vão eles.

     

             (em: http://www.acapoeira.com/?pg=8&lng=pt)

“Apresentou-se como coordenador de um centro de estudos das Nações Unidas e foi entrevistado por jornais, rádios e televisões portuguesas, propondo a renegociação da dívida. Mas o dito observatório não existe e ninguém na ONU conhece o suposto «economista» Artur Baptista da Silva, que poderá ser um impostor. A conclusão é da SIC, televisão 'enganada' por Baptista da Silva, à semelhança do Expresso e da TSF, entre outros órgãos que deram grande destaque às declarações do suposto especialista das Nações Unidas. A televisão de Carnaxide afirma que o português foi condenado nos anos 80 por uma burla milionária a uma empresa. O canal contactou ainda várias fontes na ONU, que afirmaram desconhecer tal nome e que apontaram a inexistência do suposto observatório liderado pelo 'académico'. Baptista da Silva tinha feito manchetes ao defender que Portugal estaria «de joelhos dentro de seis meses» se não renegociasse 41% da dívida, declarando ser essa a opinião institucional das Nações Unidas.

Ainda na sexta-feira, o suposto economista tinha sido um dos convidados do Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias. Não há nos sites da ONU qualquer referência ao nome de Baptista da Silva, nem o dito centro de estudos para a Europa do Sul aparece mencionado. Surgem também dúvidas sobre o currículo académico do português, que diz ser doutorado por uma universidade norte-americana e mestre por uma universidade belga. (...)."

http://www.ionline.pt/portugal/falso-coordenador-da-onu-engana-imprensa

“Artur Baptista da Silva, o homem que nos últimos dias deu três entrevistas na qualidade de coordenador do Observatório Económico e Social das Nações Unidas é afinal um farsante. Segundo o i apurou ontem, foi o Ministério dos Negócios Estrangeiros que ao tentar confirmar o relatório que analisava a política de austeridade portuguesa deparou-se com uma fraude: nem o homem trabalha na ONU nem o observatório referido existe.(...)”

http://www.ionline.pt/portugal/falso-coordenador-da-onu-engana-imprensa

“(...)Artur Baptista da Silva, suposto membro do PNUD e supostamente encarregue pela ONU de montar em Portugal um Observatório dos países da Europa do sul em processos de ajustamento (...), (intitulando-se) professor em "Social Economics", na Milton Wisconsin University, nos Estados Unidos da América. (...), realizou conferência no Grémio Literário a 4 de Dezembro tendo sido introduzido pela presidente do American Club, Anne Taylor. Tudo indica que Artur Baptista da Silva não exerce os cargos e as responsabilidades que dizia ocupar e que as declarações que fez não vinculam nem a ONU nem o PNUD. Investigações conduzidas pelo Expresso e por outros órgãos de comunicação social indicam que Artur Baptista da Silva não faz nem nunca fez parte dos quadros de nenhuma daquelas organizações (...). Consultados os sites alusivos aquela universidade constata-se que ela encerrou em 1982."

(Extracto de esclarecimento do semanário Espresso de 24 de Dezembro.) 

http://expresso.sapo.pt/o-expresso-e-artur-baptista-da-silva=f775848#ixzz2Fz2GIlMn.

 

Vide vídeo em: http://videos.sapo.pt/Cn15AIpaqJSJTo9IvDJu.  

Simplesmente delicioso.

 

 

 

 

 

 

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publicado por alea às 16:37

O bispo de Roma

Segunda-feira, 24.12.12

“ (...) As primeiras comunidades de fiéis, as ecclesias, não foram nem mais nem menos do que células, como se chamam hoje às comunistas.

Estavam espalhadas em todas as cidades do Império aonde chegara a palavra dos apóstolos.

Na chefia de cada comunidade era colocado um presbítero,... livremente escolhido pela assembleia de fiéis. Para o assistir foram nomeados diáconos e subdiáconos, acólitos, leitores e exorcistas (aos quais se confiava a cura dos epilépticos).

Inicialmente as ecclesias não tinham entre si relações hierárquicas. O presbítero dava conta da sua conduta apenas a Deus e aos fiéis que o tinham eleito, o que garantia uma perfeita democracia mas não se revestia de qualquer forma de organização.

Com a difusão maciça do cristianismo nas províncias do Império, a necessidade de uma verdadeira organização revelou-se essencial. Multiplicando-se as ecclesias em cada cidade, os vários presbíteros acabaram por eleger um epíscopo, um bispo, que lhes coordenaria as acções.

No séc. IV começaram a aparecer os primeiros arcebispos, os metropolitas e os primazes que eram os supervisores dos bispos de uma província. Até que em cinco cidades – Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria – foi instalado um patriarca.

Paulo, nas suas cartas, informa que o movimento de Jesus (o termo “cristão” só surgiu mais tarde) era dirigido por três “pilares”: Simão-Pedro, João e Tiago “irmão do Senhor”, ressaltando claramente que este último, que exercia o seu magistério em Jerusalém, constituía a autoridade suprema.

       

O de Roma chamou-se Papa, mas este título era também usado por muitos outros bispos.

O papa de Roma era apenas o bispo de Roma, eleito, como todos os outros, pelo clero e pelo povo da cidade.

A teoria de que S. Pedro, fundando a primeira ecclesia em Roma, tinha uma primazia começou a desenvolver-se apenas no séc.V. Até então o seu bispo tinha a mesma importância e os mesmos atributos que os das outras quatro sedes patriarcais. Só no Concílio de Calcedónia de 381 o bispo de Roma foi reconhecido, com muitas dificuldades e divergências, primus inter pares.

No séc. VI, a supremacia, que ele já de facto exercia, foi consagrada com o título de Pontífice ou seja sucessor de Pedro, vigário de Cristo e chefe ecuménico da Igreja. (...)“

(notas recolhidas há anos, cuja fonte hoje desconheço).


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publicado por alea às 15:23

As eras e os políticos

Quinta-feira, 20.12.12

Com uma frequência que se torna alarmante, os políticos falam como se não vivêssemos numa era negra (por exemplo, a de Kaliuga - 3101 a. C.-) ou como as suas políticas (e só elas) asseguram às gerações vindouras um futuro resplandecente. Por isso parece interessante (embora, confesso, pouco pertinente) identificar as diversas eras ao longo da história da humanidade.

Será, espero, uma contribuição para que os discursos se adaptem a um verdadeiro tempo e para que seja mais credível o esforço de “calibragem” de orçamentos ou de “refundação” de planos e acordos.

Era vem do grego eirein que significa parar, ponto fixo. Ponto fixo que os nossos políticos não têm (e não podem ter pela sua própria natureza), não se preocupando sequer com a Res Pública.

Não me refiro, como é evidente, aos  ideólogos da esquerda "radical" ou conservadora ou aos “craques” da economia, presos a modelos que nada têm a ver com a realidade que nos rodeia e que não os apalpa (infelizmente) porque ao abrigo da redoma em que se encontram alojados.

Refiro-me aos que têm uma prática resultante ou do interesse próprio ou da mediocridade ou da falta de educação e de valores ou, simplesmente, da bandalheira. São os “parvenus” que, não podendo ser uns senhores, querem ter qualquer título próprio de uma educação académica. Uma licenciatura e, já agora, porque não um mestrado, um doutoramento?

Refiro-me, também, aos “boys” e às “girls” (pouco ou nada referidas pelos “media” porque beneficiárias de uma discriminação dita positiva) que se encontram revestidos de uma autoridade que lhes permite exercer um poder ou gozar de um cargo que não provêem do mérito, seja ele do saber ou da experiência. É vê-los nos mais altos cargos do regime e nas mais cobiçadas posições empresariais (públicas ou privadas) e europeias. São braços de interesses ou destes recompensados servidores. Pululam por aí  e por aí pulam com enorme desfaçatez preocupados em assinalar que existem.

Vivemos numa era de progresso, de prosperidade, de paz e de bem-estar nunca antes referenciada na história do mundo e, no entanto, é uma era negra em muitos e variados aspectos.

A era cristã foi determinada por Dionísio Exíguo, monge do século VI, natural da Cítia Menor (actual Roménia), o qual, pelos seus conhecimentos de matemática e de astronomia, calculou pela data da Páscoa o início do “Anno Domini”, o qual é posterior em 4 anos ao nascimento de Jesus.

 

Depois deste “varrimento” de 7500 anos da história da humanidade, fico perplexo e preocupado. Perplexo porque desde a era da criação até à era de hoje (como é que será designada no futuro?) os homens não aprenderam com as desgraças que os afectaram (dilúvios, guerras, perseguições religiosas, revoluções sanguinárias).

Continuam, por exemplo, a fomentar guerras (por interesses hipocritamente justificados) e a ignorar a inevitabilidade dos fenómenos naturais, tais como tufões, tsunamis e sismos (entre outros), persistindo em habitar exactíssimamente onde eles ocorrem. Assim, ficam na orla do mar em vez de se protegerem nas alturas, edificam em vales de cheia e sobre falhas sísmicas, reconstroem o que foi repetidamente destruído pela natureza do mesmo modo e nos mesmos locais, etecetera.

Ainda recentemente vi e ouvi na televisão as declarações dos habitantes de um prédio de vários andares em Vila Franca de Xira que ameaça ruína eminente. Ignoram o parecer do Laboratório Nacional de Engenharia e a ordem da Câmara Municipal e recusam abandonar os andares que ocupam. Dali não saem.

Por outro lado, espanta-me o facto de terem sido poucos os homens que marcaram o seu tempo e, sobretudo, o futuro. Contei, porque explícitos, nestas eras seis: Abrãao, Alexandre, Júlio César, Jesus Cristo, Maomé, Napoleão. Houve certamente muitos mais (mas mesmo muitos  mais) que a História, aliás, revela e identifica.

No entanto, no Portugal de hoje ninguém marcará qualquer página da história futura não indo figurar sequer numa sua nota de roda-pé. Mas eles acham que sim. Julgam-se "senadores" e são como tal adulados pelos "media".

Uma tristeza. 


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publicado por alea às 08:00

Cu de Judas

Segunda-feira, 17.12.12

Em linguagem “corrente” significa: “lugar muito distante; fim do mundo”. Mas “cu” também poderia ser (mas não é): as moedas que Judas recebeu se fossem de cobre (símbolo químico Cu); as nádegas (cu) de Judas; a abreviação do termo inglês “see you” (para os sms poderá ser prático); o nome da letra Q em castelhano (eles têm cada uma).

Mas o “lugar muito distante” existe. Tem as coordenadas: 37°46'26"N   25°10'42"W.

É nos Açores, mais precisamente na Ilha de S. Miguel, em Paupique (outro nome do raio), junto à Serra da Tronqueira, próximo da povoação de Vila Franca do Campo.


Podíamos mandá-los para lá.

Quem?

Esses mesmos.



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publicado por alea às 16:53

A Zona Euro - o contágio

Quarta-feira, 12.12.12

A Zona Euro

Desde 2010 que diversos governantes da Europa e até da África negam qualquer fenómeno de contágio na zona euro:

Estou do lado do Uganda.

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publicado por alea às 21:48

A matemática, as outras e os doutores

Terça-feira, 11.12.12

Sim, “maravilhas” mas não é certamente por elas que a Matemática (juntamente com a língua portuguesa) deva ser considerada pelo Ministério da Educação Nacional como a prioridade entre as prioridades do ensino. A ignorância não reside apenas nelas.

Hoje em dia, os nossos jovens nem sabem a tabuada (“prova dos nove”, o que é isso?) mas têm máquinas de calcular e computadores. Os “magalhães” são o produto desta cegueira de que sofre o entendimento do ensino da matemática. Os alunos olham para os resultados que esses sofisticados instrumentos (deuses dos resultados) lhes dão com um respeito e uma confiança próprios, de facto, de quem nada sabe. Esquecem-se que sses instrumentos não passam de meras ferramentas, como o lápis, o garfo e a faca, o pente, a escova de dentes, etc.

Se qualquer maquineta lhes comunicar que o seu peso é de 6550, 00 kg (seis mil...), eles aceitam confiantemente com uma total ausência de espírito crítico ou de noção da palpável realidade e que só uma sólida instrução lhes poderia e deveria transmitir.

E a História de Portugal, tem menos importância? A história (desculpem-me: “estória”, salvo erro é assim “em bom português…) deles, dos pais, dos avós, do seu país é menos importante de que saber (?) “teclar” sete vezes nove e obter 63 (se o dedo não escorregar)? Saber quem eram os nossos reis, conhecer as suas dinastias e não confundir a revolução do 25 de Abril com a de 1383, não será muito importante? Ou é indiferente a confusão entre Nuno Álvares Pereira (nuno quê?...) e um rei do século XVIII?

E a Geografia? Ou querem ser como os americanos, povo de mestres indiscutíveis na mais avançada investigação mas que não têm a mais pequena ideia onde é a Pérsia, a Argélia, qualquer país da Europa, da África ou da Ásia? Claro que ter de saber as serras de todos os sistemas montanhosos, os afluentes de todos os rios e as estações de todas as linhas de caminho de ferro de Portugal era, no tempo do "obscurantismo", um exagero, mas desconhecer a localização da Serra dos Candeeiros, que o Zêzere é um afluente do Tejo e que para além do combóio Lisboa-Porto há (havia) muitos mais outros, para sul e para oeste, também não.

E as Ciências Naturais (ou da natureza como julgo ser hoje a designação da matéria) não interessam? Saberão a diferença entre um peixe e uma baleia, entre o humano e um ruminante (diferença tão necessária de ser descortinada hoje em dia)?

E a Física? E a Química? São todas matérias de segunda classe, como o são os cidadãos contribuintes de hoje, à semelhança (imagine-se a ironia) como, no passado, eram identificados os naturais das províncias ultramarinas.

O ensino em Portugal? Uma medíocre tristeza, desde a maioria das escolas secundárias até algumas “universidades” que proliferam como cogumelos, cheias de crânios a leccionar o que muitas vezes sabem muito pouco ou que nem sequer praticam (“quem sabe faz, quem não sabe ensina”…) e que, com a maior naturalidade, passam diplomas de licenciatura aos que não sabem nem um décimo do que sabe um honesto trabalhador não qualificado e com “apenas” a antiga 4ª classe.

É uma preocupante realidade ignorada pelos que proclamam a todos os ventos que Portugal necessita para o seu crescimento económico do aumento da sua produtividade e de assegurar adequadas qualificações profissionais. Ignoram-na ou fazem de conta que não a vêem.

Se a instrução de um povo está relacionada com o seu grau de literacia**(e neste domínio os progressos feitos nos últimos 35 anos são inegáveis), a cultura e a qualificação técnica dos seus cidadãos não é medida, como muitos pretendem, pelo número de licenciaturas ou por uma maior facilidade de acesso a universidades. Mas os governantes gostam de sublinhar o número de licenciados, mestres e doutores como medida de progresso, de aproximação com os padrões europeus. Licenciados mas como, com que grau de conhecimentos, por que tipo de academias? Licenciados por “cunha”, com conhecimentos inferiores aos de um simples bacherelato, por escolas não acreditadas.Tudo mestres e doutores. Assim é que é.

Tal como ser-se apenas professor de uma escola primária ou secundária (profissão difícil, digna e apreciada no passado) é socialmente pouco hoje em dia, amanhã ser-se “apenas” licenciado universitário não será suficiente. Somos um país de mestres, doutores e professores. E, depois, há para além deles e espalhados pelas “verduras” uma quantidade de “misters” e de “professores”.

Ora batatas.

** Cerca de 500 mil portugueses não sabem ler nem escrever, segundo os resultados definitivos do Censos 2011, hoje apresentados. A taxa de analfabetismo caiu de 9% para 5,2% na última década, uma diminuição acentuada, que ainda assim não é suficiente para tirar Portugal do último lugar da tabela a nível europeu.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os resultados do Censos 2011 refletem o progresso registado ao nível das qualificações. Em apenas dez anos, o número de portugueses com mais de 23 anos com ensino superior quase duplicou (passou de 9% para 15%). Entre os licenciados, 60% são mulheres.

Metade da população com 15 ou mais anos concluiu, pelo menos, o 9º ano de escolaridade, o que representa um aumento de 12 pontos percentuais em relação a 2001. Lisboa e Algarve apresentam os maiores níveis de qualificação da população, com 60,4% e 52,7%, respetivamente.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/meio-milhao-de-portugueses-sao-analfabetos=f768287#ixzz2CrAVqQtC

 

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publicado por alea às 19:08






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