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Edgar Cardoso e a Ponte sobre o Tejo.

Sábado, 07.09.19

"Porque é que Edgar Cardoso não projectou a ponte Salazar sobre o Tejo?"

Esta a pergunta que surge nos "termos de pesquisa" deste meu blog "Na Nuvem do Acaso".

É uma interrogação pertinente dado o prestígio e excepcional competência do Mestre Edgar Cardoso.                                                                    

Tive a honra de o ter como meu professor na disciplina de "Pontes e Estruturas Especiais" do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

Fui por ele muito bem classificado e sempre teve comigo um relacionamento afável que se traduziu numa carta de recomendação para a frequência do meu curso de especialização em França. Mas, na minha opinião, as suas qualidades didáticas eram abaixo da média e muito longe do seu saber e experiência: excepcional engenheiro, mau professor.

Na sua actividade profissional tinha, em geral, uma característica: não apreciava a transposição para o desenho das suas soluções estruturais e previlegiava o estudo por modelos reduzidos (caso da belíssima e, em muitos aspectos, estruturalmente revolucionária ponte de S. João no Porto com troços por ele analisados em modelos à escala natural - 1/1).

Porto170307.jpg

Tinha enorme desprezo pelas então modernas técnicas matemáticas aplicadas ao cálculo estrutural, como era o caso do “método dos elementos finitos” só viável na prática com o aparecimento do computador.

Mas os modelos à escala natural são, como é compreensível, caros e só merecem o aval do Dono de Obra em casos muito especiais. O Mestre era um caso especial e só ele tinha a força do prestígio a apoiar as suas exigências.

Mas voltemos ao caso da Ponte sobre o Tejo em Lisboa.

Foram apresentadas a concurso várias soluções, todas elas eram inevitavelmente do tipo "ponte suspensa" e uma delas era da autoria do Mestre. A solução estrutural era única e muitíssimo avançada para o seu tempo e por isso suscitou, julgo, surpresa e muito provavelmente desconfiantes receios. A dimensão do seu vão central colocava-a na época como a maior ponte suspensa da Europa e uma das maiores do Mundo.

p25.jpg

Mas a razão da escolha da solução que traduzia o que é hoje a actual ponte foi fundamental uma: as condições financeiras. Por elas e só por elas a United States Steel ganhou o concurso.

O que atrás é escrito é apenas um resumo de resposta a uma interrogação colocada por um leitor. Muito mais haveria a dizer mas não muito interessante para o leitor comum.

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publicado por Alea às 16:34