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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quinta-feira, 30.11.17

Uma ova!

Palavra dada, palavra honrada?

Uma ova!

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Estive atento ao que se passou no Parlamento (para lamento) e aos comentários que se seguiram nos vários programas políticos aqui da praça. Tratava-se do acordo entre membros do governo e o BE sobre as taxação das energias renováveis.

Não houve um único desmentido à vergonhosa cambalhota do Governo quando num dia votou favoravelmente a proposta do Bloco e dois dias depois voltou atrás e votou contra (por imposição do Costa, dizem).

Era vê-los, os dignos representantes do povo de cabeça baixa, mudos e quedos. Estranhíssimo numa assembleia onde os insultos e as torpes insinuações não faltam. Uma vergonha só ultrapassada pelas cenas de pancadaria que ocorrem de vez em quando em parlamentos de outros países e que gostosamente a nossa televisão retransmite.

O líder parlamentar do PS (“his master voice”) bem clamou pela independência de acção do seu partido, a qual, segundo ele, não é condicionada por nenhuma empresa, por nenhum partido…

O primeiro ministro com a lata que o caracteriza tocou exaltado uma melodia semelhante e reafirmou com desfaçatez que “palavra dada, palavra honrada”.

Não há vergonha neste país.

Já nas cortes de Évora de 1391 ou de 1408 (?), o representante do povo dizia :

“…não sabem que cousa é honra, nem quando deve a honra preceder o proveito, nem podem distinguir entre as virtudes morais. Somente (, como homens atónitos,) com tumultos e vozes vãs, dão clamores de ora escolherem e ora enjeitarem, e segundo as vozes andam, assim andam…”

Nem mais, há 600 anos era a voz do povo.

Hoje, à falta de vergonha e à desfaçatez só a estalada.

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por alea às 12:52

Terça-feira, 21.11.17

O escândalo da Tecnoforma

relvas e passos na tecnoforma.jpg

Em 2006 a Comissão Europeia atribuiu à empresa Tecnoforma e à ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) fundos para a realização de projectos no âmbito dos denominados Fundos Europeus (concedidos entre 2000 e 2013).

Nesse período de tempo Pedro Passos Coelho era administrador e consultor daquela empresa e Miguel Relvas desempenhava as funções de Secretário de Estado da Administração Local.

A ANAFRE subcontratou à Tecnoforma projectos integrados nos referidos fundos europeus.

Em 2015 a Comissão Europeia, através do seu gabinete antifraude (OLAF), lançou uma investigação sobre a gestão por aquelas entidades dos fundos que lhe tinham sido concedidos. Concluiu terem sido cometidos “graves irregularidades, ou mesmo fraudes” existindo suspeitas de corrupção, abuso de poderes e prevaricação.

O resultado final dessa investigação de 2015 foi agora conhecido em Portugal (“Público” de 12 de Novembro citado pelo “Expresso” on line de 13 de Novembro de 2017)

http://expresso.sapo.pt/revista-de-imprensa/2017-11-13-Tecnoforma.-Bruxelas-contraria-decisao-do-Ministerio-Publico-e-diz-que-houve-fraude

Em Portugal, O Ministério Público lançou em 2012 um processo de inquérito. Este conclui, em total contradição com os resultados da investigação da CE, não existirem factos que sustentem a prática de irregularidades, quer na Tecnoforma quer na implementação do Programa Floral. O processo foi arquivado alegando-se que parte dos factos já se encontrar prescrita 3 anos antes (crimes cometidos entre 2002 e 2004).

Hoje, face à divulgação do inquérito da CE o Ministério Público “informa” o Jornal Económico (14 de novembro de 2027) que “pondera reabrir o caso”. Estes são os factos.

Está em causa a devolução à CE de mais de seis milhões de euros (6.747.462) que esta considera terem sido fraudulentamente utilizados. O Sr. Miguel Relvas (responsável pelo Programa Floral) considerou que as acusações que lhe são feitas, nomeadamente os de abuso de poder e de participação económica em negócio, com o favorecimento da Tecnoforma, são “despropositadas e maliciosas”.

Esperei por mais notícias, pelo desenvolvimento do caso, por comentários na imprensa escrita, por análises nos mais conhecidos programas televisivos. Bem sei que neste período de poucas semanas houve outros casos: as greves, as lagartas nas refeições escolares, as consequências da seca, a ressaca dos fogos, o orçamento do Estado, a disputa para a liderança dos sociais democratas, a epidemia de legionela, o jantar no panteão, as escutas do caso Marquês, a sucessão em Angola, a situação dos sem-abrigo, enfim tudo o que pode apertar o coração mas, também, o que provoca um encolher de ombros, tudo regado profusamente com futebol. Não foi disponibilizada ao cidadão qualquer informação que dissesse respeito ao “Caso Tecnoforma”. Curiosamente, o “caso” atinge outro ex-Primeiro Ministro, o Dr. Pedro Passos Coelho.

Assim, mau grado as gravíssimas conclusões da investigação levada a efeito pelo Gabinete Antifraude da CE, paira uma estranha nuvem de silêncio sobre a Justiça e sobre as comissões de sábios e crânios que formam os vários painéis informativos televisivos.

E a Voz, a da sabedoria, a dos “afectos”, a do omnipresente, a do que vai a todas? O que diz ela, ela que fala por tudo e por nada, sobre tudo e sobre nada? Ela, que tem ajoelhada em estulta subserviência a comunicação social?

A Voz continua no mesmo registo mas, estranhamente, nunca foi interrogada sobre o caso ou sobre ele alguma vez se pronunciou, contrariamente ao que ocorreu com o BES ou com o Ministério do Interior.

Porquê?

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In Blog “77 Colinas” (Ref. “A Estátua de Sal”).

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por alea às 17:31


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