Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



D. Sancho II e o capelo azarento

Quarta-feira, 30.12.15
 
 

“O Capelo” (porque o usava quando criança). Ingénuo na política, no casamento, na solidariedade fraternal. Em tudo menos na “Reconquista”.

SanchoII e D.Afonso III.jpg

Sempre tive simpatia por este rei e muito pouca pelo seu irmão Afonso (o futuro Afonso III).
É um sentimento que não é racional, mas a vida não é só feita de razão.
Um foi um valente mas fraco rei e o outro um calculista mas um muito bom rei. Um debateu-se com uma crise profunda interna (nobreza) e externa (Igreja), com a inimizade dos poderosos e o outro, rompendo com compromissos e traindo confiança e solidariedades juradas abandonou a sua primeira mulher Matilde e “roubou” o reino ao irmão (o mesmo tendo acontecido, em circunstâncias muito diferentes é certo, quatro séculos depois com Pedro II e Afonso VI).
Afonso actuou da forma necessária para obter o reino abdicando do título de conde “jure uxoris” (por direito de sua mulher) de Bolonha e divorciando-se de Matilde condessa de Bolonha.
O futuro Afonso III teve que esperar até à morte de Sancho II para se denominar rei. Até lá era “visitador”, “curador”, ” defensor” do reino.Teve que mudar de bandeira porque não podia utilizar a do seu pai Afonso II, pertença do seu irmão mais velho e casou em segundas núpcias com Beatriz de Castela (filha do rei Afonso X) e daí os castelos nas suas armas que depois perduraram nas armas de Portugal.

Bandeiras.bmp

Onde está sepultado esse nosso rei, esse rei de Portugal, neto de Leonor de Inglaterra (irmã de Ricardo “coração de leão”), bisneto de Leonor de Aquitânea e de Henrique II de Inglaterra?
Morreu exilado em Toledo, mas onde está a sua sepultura?
Que diligências fizeram os poderes portugueses desde 1248 até hoje para trazerem para a sua terra esse nosso rei? Que seja do meu conhecimento, apenas com Salazar foi enviada uma comissão científica a Toledo para averiguar sobre o paradeiro da sua sepultura. Nada foi descoberto e tudo ficou na mesma. É circunstância triste para um povo que se pode orgulhar da sua longa, muito antiga e nobre história.
D. Sancho II, quarto rei de Portugal e filho de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela, nasceu em Coimbra em 1209 e subiu ao trono em 1233.
Nesse tempo Portugal encontrava-se em conflito diplomático com a Igreja decorrente da acção de Afonso II para reduzir o seu poder. Afonso II foi excomungado pelo papa Honório III, como, aliás, já acontecera com o seu pai D. Sancho II e aconteceria posteriormente com os seus filhos Sancho (o “hereje”) e Afonso (o futuro D. Afonso III).
D. Sancho II, cuja prioridade era a “Reconquista”, revelou ser um bravo chefe militar, conquistando várias cidades no Algarve e no Alentejo mas, pelo seu descuido nas tarefas administrativas, facilitou e criou conflitos com a nobreza (substituindo os conselheiros da corte pelos seus companheiros de armas) e, sobretudo, com a Igreja. Na sequência de uma disputa com o bispo do Porto, este queixou-se ao Papa Inocêncio IV o qual, no concílio de Lyon, excomungou e depôs Sancho II ordenando (!) aos portugueses que escolhessem um novo rei (para substituir o "hereje")
Em 1246, o irmão mais novo de Sancho, Afonso, casado com a condessa Matilde de Bolonha, foi convidado a ocupar o trono. Numa assembleia de prelados e nobres portugueses, reunida em Paris, Afonso jurou guardar todo os privilégios, nomeadamente os dos municípios, do clero e da nobreza. Abdicou do seu título e das suas terras e marchou sobre Portugal. D. Sancho II fez-lhe frente com sucesso mas a pressão da Santa Sé levou à sua abdicação em 1247 e ao seu exílio em Toledo onde morreu em 1248.
Não foi no campo militar que D. Sancho II (que chegou a pedir o auxílio do seu irmão Afonso!) foi derrotado, foi a pressão da Santa Sé ( em Lyon, em Paris) que levou Sancho II a abdicar em 1247 e a exilar-se em Toledo onde morreu em 1248.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 16:11

O BANIF e o governo de Pedro e Paulo.

Terça-feira, 22.12.15
 
 

Na edição “on line” do jornal Público de 21 de Dezembro, aparecem como subtítulos:
- “Factura do BANIF para os contribuintes pode chegar aos 3835 milhões de euros”,
- “A política tem que começar a ser diferente da vigarice”,
- “Passos Coelho tem de se explicar”.
Estes subtítulos merecem os seguintes comentários:
1 – O valor pago pelos contribuintes relativo à ajuda do Estado para o “saneamento” do sistema financeiro eleva-se à data a cerca de 14.000 milhões de euros, dos quais mais de 3.500 milhões para o BANIF. Para informação mais detalhada consultar: http://www.dn.pt/economia/interior/ajuda-aos-bancos-custou-195-mil-milhoes-a-portugal-4782803.html e http://observador.pt/2015/12/22/tribunal-contas-apoios-publicos-aos-bancos-atingiram-11-822-milhoes-ate-2014/

2 – A “era Passos/Portas” não é só uma vigarice, que a campanha do período eleitoral fez esquecer, é também um conjunto de mentiras;
3 – Passos Rabbit explicar-se-á tão bem como a brilhante ex-ministra das Finanças Maria Luís na sua entrevista televisiva de ontem: não sabe de nada e a culpa é de outos. Lembrou-me as declarações prestadas por aldrabões na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES.

Os-três-macacos-sabios.jpg

Os 3 macacos.gif

Pedro e Paulo para chegarem ao governo prometeram em 2011 que não haveria corte de pensões, corte de salários, aumento de impostos. Mentiram porque, uma vez sentados na cadeira do poder, implementaram não só o dobro das medidas de austeridade previstas no Memorando da Troika mas também legislaram o maior aumento de impostos da história recente de Portugal, como afirmou o insuspeito e respeitadíssimo ex-ministro das finanças Victor Gaspar. Mentirosos, portanto.
A vigarice não se ficou por aqui, basta lembrar o modo opaco como foram levados os processos de privatização, nomeadamente o da TAP já com o governo de Pedro e Paulo com uma acção limitada a uma gestão corrente, os ditos “cofres cheios” cujo nível hoje não se sabe qual é de facto, a aldrabice eleitoral da redução da sobretaxa do IRS e os eteceteras que o tempo revelará e que estão escondidos sob o tapete. Um dos etc de hoje (os de amanhã não se sabem) é o caso BANIF.
Passo a citar o editorial do Público: http://www.publico.pt/politica/noticia/um-monumento-a-irresponsabilidade-da-era-passos-1718124

“O estouro do Banif é um exemplar manifesto de incompetência, irresponsabilidade e dolo. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu com o BES, não se conhecem actos de manipulação de informação relevante nem práticas de gestão suspeitas de condutas criminosas. Quando António Costa nos deu conta da resolução do Banif e da brutal factura que todos teremos de pagar, foi muito fácil constatar que este era um desastre cada vez mais evidente a cada adiamento, a cada varrer do lixo para baixo do tapete, a cada hesitação denunciadora da falta de coragem. Desde Dezembro de 2014 que se sabia que o Banif não conseguia assumir os seus compromissos com o Estado, desde sempre que se conhecia o criticismo e receio com que a Direcção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia olhava para a forma como o Governo geria a situação. Os oito planos de reestruturação chumbados eram prova cabal de que o tempo não resolveria coisa nenhuma. Nestes três anos, Maria Luis Albuquerque, Pedro Passos Coelho e o Governador do Banco de Portugal limitaram-se porém a tergiversar, a prometer soluções que ora não avançavam por causa da saída limpa, ora ficavam congeladas por causa do calendário eleitoral. Quando Bruxelas anunciou que a brincadeira estava para acabar (este fim-de-semana), bastou uma notícia especulativa na TVI para que mil milhões de euros desaparecessem do balanço e a salvação do Banif passasse a ser feita à custa dos impostos. A aura de Pedro Passos Coelho como político responsável, que quer que “se lixem as eleições”, apagou-se nessa conta astronómica. Já se sabia que os cidadãos teriam de pagar alguma coisa, mas três mil milhões de euros é um custo demasiado alto para que a sua gestão neste caso mereça um mínimo de condescendência.” (fim de citação).
O Governo de Pedro e Paulo? Uma cambada.

Passos-Coelho-1060x594.jpg

a triade.gif

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 15:44

Pacóvios e parolos.

Segunda-feira, 21.12.15
 
 

“(...)o nosso país tem sido governado por um grupo de pacóvios com tiques de parolo.(...)”

Palácio de Belém.png

No meio dos meus apontamentos descobri este texto de 2012 da autoria de Tiago Mesquita e que foi publicado no semanário Expresso.
O significado do termo “pacóvio” é o mesmo do de “parolo”: ignorante, pouco inteligente, pouco evoluído, tolo, idiota, parvo.
O artigo foi escrito no tempo do governo de Pedro Passos Coelho mas, como nele se assinala, inclui sucessivas gerações de anteriores “governantes”. Do chamado “Arco do Governo”, claro, ou seja dos partidos PS, PSD, CDS. É um “arco” falso porque apenas PS e PSD foram governo com significativa expressão parlamentar sendo o CDS apenas uma bengala ou o partido do “taxi” como era conhecido. Em boa verdade, o escrito aplica-se que nem uma luva à época do governo do Sr. Pinto de Sousa, vulgo Eng. (?!) Sócrates, na minha opinião também ao governo do Dr. (?) Passos Coelho e ver-se-á se não se aplica ao actual governo do PS.
Verificou-se recentemente uma novidade: partidos à esquerda do Partido Socialista - o PCP e o BE - têm hoje uma palavra a dizer, decorrente dos acordos com incidência parlamentar para a viabilização do actual governo PS - que perdeu as eleições - como alternativa a um governo da coligação PSD/CDS - que ganhou as eleições mas perdeu a maioria parlamentar - tendo essa nova maioria rejeitado tal governo nos termos constitucionais. O “Arco do Poder” alterou-se, graças a Deus e à Constituição da República, com o ressabiamento da direita na qual, infelizmente, o PSD ultraliberal está hoje integrado. O centro-direita desapareceu.
O futuro nos dirá se essas “palavrinhas” conseguirão alterar o cenário desolador e arrasador descrito no artigo de Tiago Mesquita, que passo a transcrever com a devida vénia:

faxineira.jpg

“A dívida do nosso país pode ter muitas causas. Endógenas e exógenas, micro e macroeconómicas, conjunturais ou estruturais. Há todavia um traço comum que, a meu ver, é a principal causa do estado a que chegámos, independentemente das dificuldades que todos os países enfrentam, da crise internacional e de tudo o resto que gostam de nos vender.
A causa de que falo é simples e nada tem de rebuscada: o nosso país tem sido governado por um grupo de pacóvios com tiques de parolo. O novo-riquismo da política portuguesa é sem duvida o maior cancro da democracia partidária.

Por Deus.gif

O dinheiro público, quando gasto de forma racional, não é contabilizável. A boa utilização destes recursos traduz-se em melhorias que, direta ou indiretamente, permitem à sociedade manter níveis de desenvolvimento elevado. E só com desenvolvimento o crescimento pode ser sustentável. E o pior é que isto nunca aconteceu neste país.
De que serve construir dezenas e dezenas de autoestradas se não temos dinheiro para nelas circular, nem tão pouco para as pagar ou sustentar? O maior centro comercial da europa? A maior ponte da europa? E ter alguma coisa à nossa medida, não pode ser? É coisa de pobre? De que serve gastarmos milhões em formação se não temos empregos? E aeroportos sem aviões? E dezenas de estádios de futebol às moscas? E escolas sem alunos? Submarinos ou cortes na saúde? Tanques ou reformas? E parcerias feitas para o Estado ser prejudicado? Privatizações em cima do joelho? E os dinheiro que jorrou da UE durante décadas, em que foi investido? Snack bares atrás do sol-posto? Jipes para passear nos montes alentejanos? Não querem gastar a próxima tranche da Troika em plasticina e paus de giz? Quem gastou o que não devia? Quem gastou o que não tinha? Quem gasta o que não tem? Que futuro pensavam estas alminhas iluminadas que iriamos ter? Imbecis.

ladrões.png

A forma abusiva, parola, irresponsável, impune, pacóvia, descontrolada, despesista, acéfala e em muitos casos socialmente 'criminosa' como sucessivas gerações de governantes têm vindo a desbaratar o património de todos, os bens e o dinheiro que deveria ser alvo de uma gestão cuidada e rigorosa, é a principal causa do estado de falência em que estamos. O novo-riquismo, a falta de visão, a falta de formação, qualidade e competência dos políticos portugueses é a principal causa desta crise. A génese desta crise é política. Mas infelizmente a irresponsabilidade destas pessoas é directamente proporcional às responsabilidades exigidas pelos mesmos aos portugueses, com as quais são permanentemente confrontados, sem terem culpa alguma. Comemos e calamos. Gastassem menos, parolos.” (fim de citação).

Bola cristal.jpg

 

 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 14:29

O DAESH e a a Arábia Saudita

Quarta-feira, 16.12.15
 
 

Extractos do diário “Público” do passado dia 15 de Dezembro:
“A Arábia Saudita anunciou que 34 países maioritariamente islâmicos, do Médio Oriente, África e Ásia, se juntaram numa nova coligação militar para combater o terrorismo. O centro de operações será em Riad.
O anúncio ocorre num contexto de pressão internacional para um maior envolvimento de Estados muçulmanos na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico (EI). (...) a coligação não se focará apenas no combate ao EI disse (...) o ministro saudita da Defesa, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/arabia-saudita-anuncia-coligacao-islamica-antiterrorista-1717463

O principe.gif

A iniciativa “partiu da vigilância do mundo islâmico na luta contra esta doença [extremismo islâmico] que causou estragos ao mundo islâmico (...) Actualmente, cada país muçulmano combate o terrorismo individualmente …coordenar esforços é muito importante (...) o islão proíbe a corrupção e a destruição do mundo e (que o terrorismo é uma) grave violação da dignidade e dos direitos, especialmente do direito à vida e do direito à segurança “.
A lista inclui um vasto leque de países, da Turquia, que pertence à NATO, às Ilhas Comores (...). A Guiné-Conacri e a Somália são outros participantes. Como seria previsível, a coligação não inclui o Irão xiita, principal rival regional da Arábia Saudita sunita. Afeganistão, Iraque e Síria também não fazem parte. (...).
A Arábia Saudita integra, assim, a coligação contra o EI liderada pelos Estados Unidos e lidera uma intervenção militar no Iémen contra os combatentes houthi, uma tribo xiita.(...) Para além dos 34, dez outros “países islâmicos”, incluindo a Indonésia, o mais populoso país muçulmano do mundo, manifestaram o seu apoio. (...).
Os países da coligação são:
Arábia Saudita, Bahrain, Bangladesh, Benim, Chade, Costa do Marfim, Djibuti, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Guiné-Conacri, Iémen, Ilhas Comores, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, Paquistão, Palestina, Qatar, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Togo, Tunísia, Turquia."
Esta coligação é fundamental para o combate e derrota do DAESH mas segundo observadores atentos e credíveis:
“O Estado Islâmico sempre existiu, é a Arábia Saudita”
http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-estado-islamico-sempre-existiu-e-a-arabia-saudita-1716649

O futuro dirá mas a esperança é pouca e o efectivo empenho desta coligação islâmica deveria merecer muitas reservas.

Daesh.gif

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 12:24

O homem e o clima de amanhã.

Segunda-feira, 14.12.15
 
 

Há quase 20 anos que nas Nações Unidas é debatida a questão do aquecimento global provocado pelas emissões de gases com efeito de estufa (GEE): as emissões de CO2 resultantes da utilização dos combustíveis fósseis (mais de 80% do total) e as emissões de metano e do protóxido de azoto.

chaminés.jpg

Para além dos GEE também é muito significativa, para o aquecimento global do planeta, a enorme desflorestação levada a efeito pelo homem.
As atenções estão agora centradas na COP 21 que está a decorrer em Paris, com múltiplas opções que deverão ser objecto de decisão dos países participantes até ao final da Conferência em 11 de Dezembro (2015).
Note-se que as alterações climáticas são um processo lento, progressivo e, em certa medida, irreversíveis: o que hoje for feito só será significativo daqui a duas gerações e não remediará o mal do passado. Reduzir as emissões de CO2, em nunca menos de 2ºC, tem como medida fundamental e incontornável uma transferência para outras fontes de energia, em particular as energias renováveis e a energia nuclear. Esta transferência tem custos e levanta interrogações económicas baseadas no parâmetro “custo-benefício”, o que é, de facto, a questão central porque o custo é certo e de curto prazo e o benefício é incerto e sempre de longo prazo.
Em termos económicos, pode afirmar-se que o investimento de um processo de alteração para aquelas fontes de energia, menos poluentes e com maior eficácia, será tanto menor quanto maior forem as taxas de juro de hoje e mais distante o horizonte temporal da meta a atingir.
O homem-económico, o homem-político, embora tenha a consciência de ter arruinado a natureza do nosso planeta, tal como a conheceram e usufruiram os nossos avós, afirma, por pura conveniência, que sem nada ser feito a natureza se adaptará às barbaridades por ele praticadas e que o futuro sendo certamente diferente não será tão catastrófico como o homem-cientista alerta e comprova.

mudançasclimáticas.jpg

Tudo começou em 1988 (há quase 30 anos) na Conferência de Toronto, seguida da Conferência da ONU Eco-92 no Rio de Janeiro. Era proposto que os países-membros tivessem a obrigação de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 5,2% em relação aos níveis de 1990 e no período de 2008 a 2012. Para que esse protocolo entrasse em vigor era necessária a sua ratificação por 55 países que juntos produzissem 55% das emissões (continua a ser a condição legal imperativa).
Seguiu-se, então, em 1997 o Protocolo de Quioto que só entrou em vigor 8 anos mais tarde, em 16 de Fevereiro de 2005, após a Rússia o ter ratificado em 2004.
Se tivesse sido então implementado, a temperatura do globo ter-se-ia reduzido de 1,4ºC a 5,8ºC até 2100, valores mesmo assim contestados como insuficientes pela comunidade científica.
Os EUA (segundo maior emissor de GEE) negaram-se a ratificar o Protocolo, algumas nações europeias admitiram então que não conseguiriam atingir as metas do Protocolo e que a redução dos GEE seria em 2010 apenas de 1% e 9 dos 15 países europeus signatários do Protocolo viram as suas emissões aumentar entre 20% e 70% (!).
O Protocolo expirou em 2012 e aqui estamos com o Mundo cada vez mais à beira de uma catástrofe ecológica nos próximos 50 anos se não antes. Os sinais aí estão, entre outros o degelo nos polos, inundações, tempestades e secas extremas, como é o caso do Lago do Tchad que já foi o maior lago de África e que hoje ocupa um área inferior a 10% da sua área em 1960 (23.000 km2 em 1963, 4.000 km2 em 2001, 2.500 km2 em 2008). https://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Chade

evoluçao tchad.jpg

 No passado dia 12 de Dezembro foram publicados os termos do acordo da Cimeira de Paris. É um texto em inglês com 31 páginas que incluem os 29 artigos do Acordo propriamente dito.
http://unfccc.int/resource/docs/2015/cop21/eng/l09.pdf
No seu Artigo 1 é declarado “Suster o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2ºC acima dos níveis pré- industriais e continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, reconhecendo que tal reduziria significativamente os riscos e impactos da mudança climática”.
Foi muito e sorridentemente aplaudido.
“Continuar os esforços”? Quais? O “acordo” continua a ser imperativo só se 50% dos países que etc...
Enfim, veremos se, mais uma vez, os interesses políticos e económicos não se irão sobrepor às exigências científicas as quais se desenvolvem apenas com a preocupação do equilíbrio climático do planeta e, portanto, com o bem-estar do homem.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 16:15

A Nova Guerra

Quarta-feira, 09.12.15
 
 

Começou.

God of war.jpg

Os acontecimentos sangrentos do passado muito recente que incluem terrorismo e assassinatos, abates de aviões civil e militar russos, matança em Paris, tiroteios mortíferos nos EU, assassínios na Grã Bretanha, Tunísia e Mali, estados de emergência e cancelamento de eventos públicos na Bélgica e na Alemanha são sinais. Sinais da impotência de nações politica e militarmente poderosas, sinais de perigoso antagonismo entre potências. Sinais de guerra.
A extrema violência que recentemente deflagrou é diferente da ocorrida no passado. Para além de uma raíz religiosa, como ocorreu na Europa no século XVI com a reforma protestante e mais recentemente com a questão irlandesa, e para além de um problema nacionalista como o do país basco ou de um terrorismo político como o das brigadas vermelhas e dos extremistas palestinianos, a violência de hoje é muito próxima da de uma guerra, sobretudo no sofisticado armamento, no profissionalismo, na logística, no planeamento.

terrorism 1.jpg

O Médio-Oriente foi desmantelado por pressões externas de que a invasão do Iraque e a chamada “Primavera Árabe” são exemplos. Porquê impor a todos os povos e a todas as culturas regimes políticos que são próprios apenas dos povos e das culturas ocidentais?: pelos enormes ganhos financeiros no monopólio do comércio das matérias primas em geral e do petróleo muito em particular.
Vive-se um mundo violento e perturbado, desde o Kurdistão ao Iemen. O Ocidente assiste impávido ao colapso de estados e apoia a desorganização territorial daquela zona.

children_of_w.jpg

No passado mês de Outubro, a Alemanha anunciou que iria ter um papel mais activo no combate aos jihaditas. Aviões, navios de guerra e 1200 militares irão intervir na Síria. Também, muito recentemente, a Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou a intervenção da Força Aérea na Síria. Ocorreram, então, em Londres manifestações contra esta intervenção lembrando-se os fracassos no Iraque e no Afganistão.

O Ocidente não aprendeu com a experiência recente: os bombardeamentos aéreos não resolveram nada, provocando milhares de vítimas civis e acirrando o ódio contra o Ocidente.
A barbárie ocorrida em Paris mudou tudo. A Europa está em guerra a qual, no entanto, é de muito difícil combate só ganho a longo prazo com a destruição das fontes de financiamento e de armamento ** do Daesh e com tropas árabes no terreno, nomeadamente da sunita Arábia Saudita apoiada pelo Ocidente. Arábia Saudita mãe do fanatismo religioso, mãe do Al Qaeda de ontem e do Daesh de hoje.
Ocorrerão mais guerras limitadas com assassínios, terror e subversão que constituem a nova guerra que o presidente Hollande anunciou numa 6ª Feira 13.


** A Amnistia Internacional identificou recentemente a natureza e as fontes de fornecimento do armamento do DAESH. São mais de cem os tipos de armamento provenientes de mais de 25 países. As forças armadas do Iraque são um dos principais fornecedores, quer directa quer indirectamente como aconteceu com a conquista de Mossul.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 17:46

Os mentirosos

Sexta-feira, 04.12.15
 
 

Risos.jpg

Hoje, ontem e anteontem é um conjunto de mentirosos que governa Portugal.
Desde um ex-Primeiro-Ministro preso, passando por ex-ministros arguidos até ex-governantes ou altas personalidades do Estado ou partidárias condenadas, presas ou em vias de o ser, há de tudo.
Uma vergonha comparável ao escândalo brasileiro do mensalão. Mas se lá há uma espécie de “impeachment” por cá fica tudo a assobiar para o lado. Nem vale a pena referir os submarinos ou as dúvidas muito mal esclarecidas das acções da SLN.
Não vale a pena, com mais ou menos trigo ou mandioca, é tudo farinha do mesmo saco para vergonha de quem a tenha.
Vem isto a propósito da última informação da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) na sua análise à execução orçamental do mês de Outubro entregue esta quinta-feira dia 2 aos deputados da Assembleia da República. Os dados revelam que em Novembro, o anterior Governo usou mais de metade da dotação provisional prevista para todo o ano. Ou seja a “almofada orçamental” foi à vida sacrificada pelas promessas eleitorais do PáF.
Vergonha.

Esta maltazinha tem o desplante de interrogar o actual governo, durante a discussão do seu programa eleitoral na Assembleia da República, sobre uma sua garantia do cumprimento do deficit de 2, 7% por eles fixado!
Infelizmente, existe cegueira do actual governo que deveria, pelo menos, comentar publicamente as conclusões do UTAO e alertar para as suas consequências no próximo orçamento.
Passos Coelho começou a sua acção governamental com promessas mentirosas.
Quem não se lembra da sua campanha eleitoral de 2011 em que era negada a intenção de corte nas pensões e nos vencimentos da função pública? Foi o que se viu: cortes em pensões e salários e o maior aumento de impostos na história recente da política portuguesa, de acordo com o insuspeito ex-ministro das finanças Victor Gaspar. Não se discute a necessidade, apenas a mentira.
E Passos Rabbit continuou na mentira na campanha eleitoral de 2015. Prometeu, na altura, a devolução de 35% da sobretaxa do IRS que hoje se revela ser de zero%, garantiu que a resolução do BPN não traria custos para o contribuinte, informou (ufano) sobre a existência de uma significativa almofada financeira (ainda existe?) que seria suficiente para alguns meses de dificuldades e por aí fora.
O que, paranoicamente ou não, o PáF tem é a preocupação de sublinhar que toda aquela mentira foi uma inevitável (!) consequência da irresponsabilidade do governo socrático que deixou o país à beira da banca rota. Graças a Deus, perdão, a eles segundo eles, tudo foi salvo pela “responsável” acção do governo da coligação PSD/CDS. Vê-se, não falta lata mas falta vergonha.
Portugal tem sofrido na última década de uma doença: a mentira governamental. A mentira.
Com Pinto de Sousa (vulgo Sócrates) era paranóica, com Rabbit e Paulinho é medida e planeada muito conscientemente.
O que é pior: um irresponsável que transfere o seu delírio para a esfera da governação ou um convicto da sua importância nacional e europeia e que mente sistematicamente na sua acção governativa, em particular em período eleitoral? São ambos maus, mas um é inimputável e o outro não.
O actual governo do PS deveria ter como prioridade uma auditoria à actuação do desgoverno de Pedro e Paulo, nomeadamente nos domínios das finanças, da economia e das privatizações (muito pouco transparentes). Não me admiraria se aparecesse muita porcaria por baixo do tapete.

Há heranças e heranças. Por exemplo, a de Salazar com toneladas de ouro e sectores primário e secundário da economia em boa forma e a de hoje com um Portugal de mão estendida à Europa e reduzido a um fraco sector terciário que sem o turismo seria nada.
Se, segundo proposta aberrante e constitucionalmente impossível, deveria haver novas eleições de modo a avaliar se os votos no PS se manteriam num cenário de eventual apoio parlamentar do PCP e do BE a uma sua alternativa de governo, seria de inteira coerência idêntica proposta que comprovasse que os votos no PáF se manteriam caso fossem conhecidas as mentiras eleitorais que hoje a UTAO revela.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 19:29

O feriado do 1º de Dezembro

Quarta-feira, 02.12.15
 
 

À data, são 9 os feriados nacionais; 5 religiosos e 4 civis:
Sexta-Feira Santa, Páscoa, Assunção de N.Sr.ª, Dia da Imaculada Conceição, Natal, Ano Novo, 25 de Abril, Dia do Trabalhador, Dia de Portugal.
Em 2012 o governo (hoje demitido) aboliu 4 feriados, dois religiosos e dois civis: Dia do Corpo de Deus, Dia de Todos os Santos, Dia da Implantação da República e Dia da Restauração da Independência.
O actual governo (com maioria parlamentar) irá, segundo tudo indica, repor os dois feriados civis e negociar com a Igreja os feriados religiosos. A influência na produtividade dos feriados anulados revelou-se nula. Portugal, contrariamente à voz comum, é um dos estados europeus com menos feriados mas, de acordo com declarações do passado de um responsável do ex-governo, o mais liberal de todos...
Foi a República que logo em 1910 instaurou o Dia da Restauração como feriado nacional, sublinhando o seu carácter patriótico. Em Portugal houve muito poucos políticos republicanos partidários de uma união entre Portugal e Espanha, contrariamente ao que ocorria nesse tempo em Espanha. Pudera…
Este facto não invalida outro facto: os inimigos declarados da casa real portuguesa ( a de Bragança) e da monarquia instauraram em 1910, como feriado a data em que aquela mesma casa chefiou uma Revolução Nacional para a independência de Portugal: 1 de Dezembro de 1640.
Os dias 5 de Outubro e 1 de Dezembro estão, deste curioso e antagónico modo, indissociavelmente ligados.
O dia 1º de Dezembro foi um Golpe de Estado que iniciou a Guerra da Restauração (cujo monumento comemorativo marca a Praça dos Restauradores em Lisboa).

Restauradores.jpg

A guerra durou 28 anos.
Terminou em 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa, assinado por Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha, pelo qual era reconhecida a independência de Portugal.
A morte do cardeal - rei D.Henrique de Portugal em 1580 provocou uma crise dinástica na qual os principais pretendentes foram os netos do rei D. Manuel I: D. António Prior do Crato filho bastardo do infante D.Luís, Filipe II de Espanha filho da Infanta D. Isabel, e D. Catarina de Bragança filha do infante D. Duarte.
Os dois primos entraram em guerra e as forças portuguesas foram derrotadas pelo exército castelhano comandado pelo Duque de Alba na batalha de Alcântara em Lisboa. A guerra continuou nos Açores até 1583 onde D. António e os seus partidários se tinham refugiado.

Sucessão.jpg

Filipe II de Espanha e primeiro de Portugal jurou, nas cortes de Tomar de 1581, manter todas as leis portuguesas, respeitar as liberdades sendo a administração do reino mantida por portugueses, nomeadamente o cargo de Vice-Rei e todos os outros previstos na corte portuguesa. O comércio da Índia e da Guiné só podia ser feito por portugueses.
Cumpriu.
Dois reinos e um só rei.
No início do reinado de Filipe IV de Espanha, o tratado foi anulado pela mão do conde-duque de Olivares. A autonomia portuguesa foi anulada e Portugal passou a ser apenas mais uma província espanhola, como a Catalunha que nessa altura também se revoltou. Foi o rastilho da Guerra da Restauração que tinha na sua base uma muito elevada carga fiscal (Espanha debatia-se com graves problemas financeiros) contestada pela burguesia a qual tinha o apoio da nobreza portuguesa que tinha sido substituída pela espanhola nos assuntos internos do até então reino de Portugal.

Filipe IV rompeu o juramento feito por Filipe I nas cortes de Tomar.
Um descendente de Catarina de Bragança, D. João duque de Bragança, aceitou, com grande relutância, chefiar os revoltosos. De certo modo, passados 60 anos, a História repetiu-se.
Desta vez, Portugal venceu libertando-se para sempre da tutela castelhana.
Dizem que hoje muitos catalães nos invejam, mas a população de Olivença - anexada pela Espanha mau grado o estabelecido pelo Congresso de Viena em 1815 – não tem inveja e deseja manter-se espanhola, tal como os gibraltinos querem continuar a ser cidadãos britânicos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por alea às 15:48