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O burlão e os pacóvios

Segunda-feira, 24.12.12

Haveria tantos comentários a fazer sobre talvez a melhor anedota do ano de 2012.

Acontecimento inacreditavel mas paradigmático. 


“(...)Artur Baptista da Silva é um ilustre desconhecido para a maioria dos portugueses. Mas não devia ser um ilustre desconhecido para o Governo. Em primeiro lugar, porque coordena a equipa de sete economistas que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, decidiu criar para estudar o risco geopolítico e social na Europa do Sul como resultado dos programas de ajustamento. E em segundo, porque é ele que ficará encarregado do Observatório Económico e Social das Nações Unidas para a Europa do Sul, a instalar em Portugal a partir de 2013.(...). (Nicolau Santos in "Expresso" de  22.12.12).

As descrições (por exemplo no semanário Sole no diário i) do que se passou e os esclarecimento do semanário Expresso falam por si.

Aqui vão eles.

     

             (em: http://www.acapoeira.com/?pg=8&lng=pt)

“Apresentou-se como coordenador de um centro de estudos das Nações Unidas e foi entrevistado por jornais, rádios e televisões portuguesas, propondo a renegociação da dívida. Mas o dito observatório não existe e ninguém na ONU conhece o suposto «economista» Artur Baptista da Silva, que poderá ser um impostor. A conclusão é da SIC, televisão 'enganada' por Baptista da Silva, à semelhança do Expresso e da TSF, entre outros órgãos que deram grande destaque às declarações do suposto especialista das Nações Unidas. A televisão de Carnaxide afirma que o português foi condenado nos anos 80 por uma burla milionária a uma empresa. O canal contactou ainda várias fontes na ONU, que afirmaram desconhecer tal nome e que apontaram a inexistência do suposto observatório liderado pelo 'académico'. Baptista da Silva tinha feito manchetes ao defender que Portugal estaria «de joelhos dentro de seis meses» se não renegociasse 41% da dívida, declarando ser essa a opinião institucional das Nações Unidas.

Ainda na sexta-feira, o suposto economista tinha sido um dos convidados do Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias. Não há nos sites da ONU qualquer referência ao nome de Baptista da Silva, nem o dito centro de estudos para a Europa do Sul aparece mencionado. Surgem também dúvidas sobre o currículo académico do português, que diz ser doutorado por uma universidade norte-americana e mestre por uma universidade belga. (...)."

http://www.ionline.pt/portugal/falso-coordenador-da-onu-engana-imprensa

“Artur Baptista da Silva, o homem que nos últimos dias deu três entrevistas na qualidade de coordenador do Observatório Económico e Social das Nações Unidas é afinal um farsante. Segundo o i apurou ontem, foi o Ministério dos Negócios Estrangeiros que ao tentar confirmar o relatório que analisava a política de austeridade portuguesa deparou-se com uma fraude: nem o homem trabalha na ONU nem o observatório referido existe.(...)”

http://www.ionline.pt/portugal/falso-coordenador-da-onu-engana-imprensa

“(...)Artur Baptista da Silva, suposto membro do PNUD e supostamente encarregue pela ONU de montar em Portugal um Observatório dos países da Europa do sul em processos de ajustamento (...), (intitulando-se) professor em "Social Economics", na Milton Wisconsin University, nos Estados Unidos da América. (...), realizou conferência no Grémio Literário a 4 de Dezembro tendo sido introduzido pela presidente do American Club, Anne Taylor. Tudo indica que Artur Baptista da Silva não exerce os cargos e as responsabilidades que dizia ocupar e que as declarações que fez não vinculam nem a ONU nem o PNUD. Investigações conduzidas pelo Expresso e por outros órgãos de comunicação social indicam que Artur Baptista da Silva não faz nem nunca fez parte dos quadros de nenhuma daquelas organizações (...). Consultados os sites alusivos aquela universidade constata-se que ela encerrou em 1982."

(Extracto de esclarecimento do semanário Espresso de 24 de Dezembro.) 

http://expresso.sapo.pt/o-expresso-e-artur-baptista-da-silva=f775848#ixzz2Fz2GIlMn.

 

Vide vídeo em: http://videos.sapo.pt/Cn15AIpaqJSJTo9IvDJu.  

Simplesmente delicioso.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Alea às 16:37

O bispo de Roma

Segunda-feira, 24.12.12

“ (...) As primeiras comunidades de fiéis, as ecclesias, não foram nem mais nem menos do que células, como se chamam hoje às comunistas.

Estavam espalhadas em todas as cidades do Império aonde chegara a palavra dos apóstolos.

Na chefia de cada comunidade era colocado um presbítero,... livremente escolhido pela assembleia de fiéis. Para o assistir foram nomeados diáconos e subdiáconos, acólitos, leitores e exorcistas (aos quais se confiava a cura dos epilépticos).

Inicialmente as ecclesias não tinham entre si relações hierárquicas. O presbítero dava conta da sua conduta apenas a Deus e aos fiéis que o tinham eleito, o que garantia uma perfeita democracia mas não se revestia de qualquer forma de organização.

Com a difusão maciça do cristianismo nas províncias do Império, a necessidade de uma verdadeira organização revelou-se essencial. Multiplicando-se as ecclesias em cada cidade, os vários presbíteros acabaram por eleger um epíscopo, um bispo, que lhes coordenaria as acções.

No séc. IV começaram a aparecer os primeiros arcebispos, os metropolitas e os primazes que eram os supervisores dos bispos de uma província. Até que em cinco cidades – Roma, Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria – foi instalado um patriarca.

Paulo, nas suas cartas, informa que o movimento de Jesus (o termo “cristão” só surgiu mais tarde) era dirigido por três “pilares”: Simão-Pedro, João e Tiago “irmão do Senhor”, ressaltando claramente que este último, que exercia o seu magistério em Jerusalém, constituía a autoridade suprema.

       

O de Roma chamou-se Papa, mas este título era também usado por muitos outros bispos.

O papa de Roma era apenas o bispo de Roma, eleito, como todos os outros, pelo clero e pelo povo da cidade.

A teoria de que S. Pedro, fundando a primeira ecclesia em Roma, tinha uma primazia começou a desenvolver-se apenas no séc.V. Até então o seu bispo tinha a mesma importância e os mesmos atributos que os das outras quatro sedes patriarcais. Só no Concílio de Calcedónia de 381 o bispo de Roma foi reconhecido, com muitas dificuldades e divergências, primus inter pares.

No séc. VI, a supremacia, que ele já de facto exercia, foi consagrada com o título de Pontífice ou seja sucessor de Pedro, vigário de Cristo e chefe ecuménico da Igreja. (...)“

(notas recolhidas há anos, cuja fonte hoje desconheço).


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publicado por Alea às 15:23