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O homem passou-se!

Quinta-feira, 29.11.12

No passado dia 22 de Novembro, numa cerimónia de entrega de prémios de jornalista, o Sr. Cavaco Silva botou discurso.

Eu já o vi a subir um coqueiro e a comer deselegantemente um bolo-rei. Também já o ouvi em diversas ocasiões. É normal. O Sr. Silva (como já foi designado pelo Presidente do Governo Regional da Madeira) é actualmente o Presidente da República Portuguesa e foi durante mais de oito anos Primeiro Ministro de Portugal (XI e XII governos constitucionais). Hoje, critica o que ontem foi feito sob a sua direcção para a desgraça de Portugal. O que não é normal é que no exercício de funções daquela natureza proceda e fale “como não deve ser”.    

 Quando eu era pequeno, as palmadas e a pimenta na língua eram instrumentos educativos aplicados a miúdos maleducados. Aos “grandes”, não. Eram considerados casos perdidos.

O Sr. Presidente da República não queria ir àquela cerimónia porque sabia que teria de subir ao palco e quebrar o silêncio (disse ele). Ora, subir a palcos foi coisa que sempre ambicionou e quebrar silêncios só é censurável se forem ditas imbecilidades ou quando se exprime a convicção, também ela ignorante, de que o silêncio tem peso. Não, o silêncio tal como o ruído não é objecto da acção da gravidade (peso é o resultado dessa acção).

Admita-se, no entanto que existe um cavaco que descobre o peso do silêncio. Qual a sua unidade? Sendo uma força a sua unidade é o Newton e não a onça, como qualquer um sabe. A onça é uma unidade de medida inglesa de massa que pode ter dois valores diferentes conforme a natureza dos objectos: “avoirdupois” (objectos em geral, 28,349523125 gramas) e “troy” (metais e pedras preciosos e medicamentos, 31,103478 gramas).

O Sr. Cavaco Silva acertou na equivalência da unidade de massa, mas ukékiço tem a ver com a TSU (soletrada ou não)? E que nos interessa a cotação do ouro se ninguém sabe a massa do silêncio e, portanto, a massa do silêncio presidencial?

Se o silêncio tivesse a massa de um elefante, o silêncio de um elefante com 10 toneladas  valeria em euros, à cotação de 22 de Novembro de 2012 (atente-se) e de acordo com os dados presidenciais, 10 milhões de gramas x 1730 USD / 31,103478 x 0,7732 = 430 milhões.

Ora, há aí tanta besta que não fala que a informação presidencial é um interessante instrumento para a redução da dívida pública. É pô-los todos a falar. Mesmo que sejam besteiras.       

Depois, o senhor declarou que boa parte da população portuguesa acha que ele está a reflectir durante o seu silêncio (foi o que ele disse). Deus queira que ele não reflicta tanto como fez em relação à agricultura, às pescas, à indústria nos tempos em que era Primeiro Ministro.

“O silêncio é de ouro” (silentium est aurum) é parte de um provárbio antigo: “a palavra é prata e o siêncio é ouro”. Neste caso é caso para se dizer que “mais valia estar calado” (superfluo valorem silere), outro provérbio. Mas, é melhor ler um extracto das “reflecções” do venerando Chefe do Estado (é o estado em que ele se encontra):

"Até aqui, boa parte dos portugueses pensava que o Presidente da República estava a meditar, a refletir sobre a próxima visita a Portugal da senhora já bem conhecida de todos, amada por muitos, a que carinhosamente os portugueses chamam de troika, outros estariam a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre se o aumento de impostos era enorme ou gigantesco, outros pensariam que o Presidente da República estava a refletir sobre os novos apoios que a chanceler Merkel podia trazer para Portugal na sua próxima visita ao país e outros poderiam estar a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre o que fazer relativamente às pressões de vinte corporações e mais de cem individualidades para que ele enviasse o Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional (...) Outros estariam a pensar que o Presidente estaria a refletir sobre o consenso político que foi possível estabelecer entre as forças políticas do arco da governação sobre a forma de realizar a reforma das funções do Estado, outros podiam estar ainda a pensar que o Presidente estava a refletir sobre se a transmissão televisiva dos jogos de futebol em canal aberto fazia ou não parte da definição de serviço público de televisão (...) esperar que a Caixa Geral de Depósitos nos ofereça um jantar que seja condizente com os tempos que vivemos e eu não possa ser acusado de estar aqui por uma qualquer guloseima (...) se forem inquiridos digam que eu estive aqui mas não disse absolutamente nada, e que eu me comprometo a não colocar qualquer post sobre o assunto na minha página do Facebook, deixo, por isso, antecipadamente o meu muito obrigado a todos".

Ler mais em:

http://expresso.sapo.pt/cavaco-ironiza-sobre-comentarios-acerca-do-seu-silencio=f768982

 

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publicado por alea às 15:55

A "Troika", os pactos e as guerras

Quarta-feira, 28.11.12
 
 

Em 17 de Maio de 2011 foi assinado o “Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica” entre Portugal - cujo governo era na altura liderado por José Pinto de Sousa (mais conhecido por engenheiro Sócrates) - e o FMI, BCE e a EU, a denominada “troika”.

“Troika” é um termo russo que significa em política um conjunto de três personagens e que na linguagem do dia-a-dia designa um carro puxado por três cavalos alinhados lado a lado. Escolham.

                   

            

O memorando foi assinado pelo Ministro de Estado e das Finanças, pelo Governador do Banco de Portugal e pela Comissão Europeia. É um documento cuja leitura é muito interessante para a aferição das declarações dos seus apoiantes (cada vez em menor número) e dos seus opositores (cada vez mais alinhados com as críticas na altura feitas pela designada “esquerda radical”, PCP e BE).

A tradução para português do documento original escrito em inglês foi feita mais tarde, salvo erro em 25 de Maio: http://www.portugal.gov.pt/media/371372/mou_pt_20110517.pdf.

É um pormenor insignificante dado que o “inglês técnico” está, como se sabe, rápida e facilmente ao alcance de qualquer um, em particular dos “engenheiros”.

No entanto, numa espécie de preâmbulo, a tradução do referido memorando sublinha que “O idioma da versão original e oficial do Memorando em referência é o inglês. A presente versão em português corresponde a uma tradução do documento original e é da exclusiva responsabilidade do Governo português. Em caso de eventual divergência entre a versão inglesa e a portuguesa, prevalece a versão inglesa”.

Na altura, o PCP e o seu braço sindical, a CGTP, recusaram participar em qualquer reunião com a “troika”. Fizeram mal. Agora, designam aquele memorando como “pacto de agressão” e falam de “pátria”. Vocábulos que não deixam de ser estranhos. De facto, por um lado, em Agosto de 1939 foi assinado pelo então ministro soviético Molotov e pelo ministro da Alemanha nazi Ribbentrop um “pacto de não agressão”. Em linhas gerais, estabelecia que nenhum daqueles estados favoreceria os inimigos do outro, nem tão pouco invadiriam os seus respectivos territórios e, em dois protocolos secretos, efectuava-se a partilha dos territórios da Europa de Leste em zonas de influência.  

Por outro lado e no que se refere à defesa dos interesses da “pátria” (termo que em tempos recentes era considerado fascizante, reaccionário), de acordo com Karl Marx "os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar aquilo que não possuem" e "a acção comum do proletariado, pelo menos nos países civilizados, é uma das primeiras condições para sua emancipação". Nem o PCP nem o BE renegaram o marxismo, o qual estabelece uma definição de pátria incompreensível com a das suas afirmações públicas de hoje.

Tanto o PCP como o BE, reclamam a paternidade dos remédios que hoje, mas só hoje, os economistas de diferentes quadrantes políticos prescrevem, nomeadamente a “renegociação” da dívida.

A Europa está em guerra, mas numa guerra de outro tipo das do passado. Não é militar mas económica e financeira e o seu resultado não será ditado por tropas comandadas pelos melhores generais, mas por interesses financeiros sem pátria e que nomeiam mandantes para a defesa dos seus interesses no mundo da política. Neste aspecto a “esquerda radical” acerta na “mouche” mas não identifica aquelas criaturas cá do sítio, por “consideração pessoal” ou “intelectual”, como fazem questão em sublinhar quando em público as defrontam. Consideração “política” é que não apregoam, como é razoável. No fundo, são oficiais do mesmo ofício e o companheirismo corporativo impõe-se como é por demais evidente. As guerras europeias caracterizaram-se por “troikas” e, também, por “parelhas”.

A 1ª Guerra Mundial (com uma duração de cerca de 4 anos) teve como protagonistas a “troika” dos netos da rainha Victória de Inglaterra: Guilherme II (último kaiser da Alemanha), Jorge V (rei do Reino Unido) e Nicolau II (último czar da Rússia). Todos primos, tudo em família.

Estranha família essa na qual Jorge ignorou um apelo do bolchevique Lenine para acolher o seu primo Nicolau, o que teria salvo este último.   

A 2ª Guerra Mundial( com uma duração de cerca de 6 anos) foi, nos seus inícios, europeia com a “parelha” Inglaterra e França por um lado e, por outro, a Alemanha. Ambas as guerras foram de mortandade inimaginável quando comparada com qualquer das anteriores de qualquer época. Mortos: 19 milhões de soldados e 1 milhão de civis na 1ª, 20 milhões de soldados e 40 milhões de civis na 2ª.

Resultados da tecnologia “como matar muito”.

Claro que é tudo uma questão de escala e de sensibilidade (ficamos mais impressionados com a doença grave da vizinha do lado do que com os milhões de chineses que morrem à fome).

Abordou-se, resumidamente é certo, o contemporâneo. Considere-se, agora, uma guerra europeia, de “parelhas”, que teve directa influência no xadrez ibérico (Castela do lado da França, Portugal do lado da Inglaterra), nomeadamente no sucesso da dinastia de Avis (na batalha de Aljubarrota seguiram-se as novas tácticas guerreiras inglesas: combate apeado de uma cavalaria ligeira apoiado por archeiros, versus a cavalaria pesada tradicional). Refiro-me à “Guerra dos 100 anos”.

A guerra dos 100 anos cobre, de facto, um período de 116 anos (1337-1453) durante o qual se confrontam em território francês duas dinastias: a dos Plantagenetas e a dos Valois (ramo da dinastia dos Capetos).


                                 

Naquele tempo a Europa atravessava uma crise económica, demográfica, política e religiosa (“Grande Cisma do Ocidente” – A França apoia o papa de Avinhão, a Inglaterra o de Roma) e a guerra tem como principal causa as questões da Guiana (feudo da Inglaterra), da Escócia (católica, com a qual a França tem uma aliança de defesa mútua) e da Flandres (na esfera de influência inglesa e em constantes revoltas contra a França). A questão dinástica é apenas o pretexto oficial para a declaração de guerra. Quando Eduardo III, rei de Inglaterra, filho de Isabel de França, neto de Filipe “le Bel”, presta com muitas reticências, homenagem a Filipe VI, rei eleito pelos pares de França e sobrinho de Filipe “le Bel”, fica seu vassalo pelo feudo da Guiana (Aquitânia).

Esta situação é fonte de permanentes conflitos porque, na prática, um julgamento feito na Guiana podia ser objecto de recurso no tribunal de Paris e não no de Londres. O rei de França tinha pois o poder de revogar todas as decisões judiciais tomadas pelo rei de Inglaterra na Guiana, situação totalmente inaceitável para os ingleses que conduziu a uma declaração de guerra em 1337 acompanhada de uma reivindicação de direitos à coroa francesa por parte de Eduardo III.

Nos primeiros anos da guerra a Inglaterra vence em todos os campos, chegando o rei de França João II (filho de Filipe VI) a ser feito prisioneiro na batalha de Poitiers (1356) e detido em Londres, sendo libertado em 1360 pelo pacto de Brétigny. No período final da guerra a Inglaterra é vencida e perde todas as suas possessões em território francês com excepção de Calais, pelo pacto de Picquigny de 1475.

“Quem tudo quer tudo perde”.

Esta guerra do século XIV, resultante em parte da partilha de soberanias, durou mais de 100 anos. E esta, a do século XXI, também relacionada com a soberania de nações e que assola não apenas três países mas mais outros, quanto tempo durará?

Mais de uma geração certamente.

 

 

 

 

 

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publicado por alea às 11:09

Os primeiros condes portucalenses

Quinta-feira, 22.11.12

Nos primórdios da nossa nacionalidade, as figuras dominantes e que poderiam condicionar o futuro eram os condes e os ricos-homens.

Hoje, na era “anti-trevas” existem, entre outras espécies, os “senadores” (pais do regime democrático), os “fundadores” (americanice), os “democratas” (que raramente seguem o povo mas dele se servem), os “antifascistas” (termo muito políticamente correcto), os “comentadores/analistas políticos” (máximas sumidades juntamente com os advinhos da palma da mão ou com bola de cristal mas com diploma, por vezes de valor discutível), os “mandantes” na política de hoje e que condicionam o nosso futuro (leia-se “chefes” da finança ou da economia, os quais são quem mandam nos políticos - seus subordinados ou homens-de-mão de amanhã, se Deus quizer e ele infalivelmente quer sempre).

Assim, tal como a seguir se apresenta uma listagem dos homens grandes da nossa história nos séculos IX a XII, poder-se-ia fazer o mesmo para os tempos de hoje. Nesta listagem, no entanto,  não figurariam políticos dignos desse nome mas apenas figuras gradas da nossa sociedade e do mundo da finança e da economia.

Poderia, portanto, elaborar facilmente tal listagem mas não o faço. Sofro hoje em dia de enjôos que me impedem de o fazer. As minhas desculpas por este hiato voluntário.

A nossa história é rica em ensinamentos os quais, dada a natureza humana, são facil e infelizmente esquecidos. Se assim não fosse não haveria deficit ou dívida pública ou privada.

Na memória do nosso passado esqueceu-se que a riqueza resulta do trabalho, da terra, de excepcionais heranças ou, também, de criterioso aforro ou de cuidada gestão.

D. Pedro “O Cru” foi rico pelo aforro mas depois veio a pobreza, D. Manuel “O Afortunado” (e que de maneira, era considerado o merceeiro da Europa) herdou as ricas especiarias das Índias mas depois veio a desgraça filipina (pós Filipe I). Veio o ouro do Brasil e dele se aproveitou D. João V (o príncipe mais rico da Europa). A seguir? Desgraças. Desgraças resultantes de reis imbecis (D.José), loucos (D.Maria I), “estranhos” (D. João VI), “varridos” (D.Miguel e o mano D. Pedro IV), “reféns” da autoridade das nobrezas europeias (D. Maria II, D.Pedro V), presos nas decisões pelas redes partidárias (D. Carlos). Opiniões eventualmente erradas do que peço antecipadamente desculpas.

Não vou abordar a 1ª República nem a ditadura (de Sidónio ou de Salazar) porque, por um lado sou republicano e, por outro, não gosto de vaidosos e tenho saudades da honestidade e da competência, venham elas de onde vierem.

               

Adiante.

Os primeiros condes em território português

A palavra conde vem do latim comes, comitis, que significa em latim “companheiro“. No período imperial o comes, além de familiar do monarca, desempenhava funções precisas e fazia parte do conselho de estado do imperador: “...nos cem anos que decorreram desde Constantino até aos filhos e netos de Teodorico o Grande, pode dizer-se com toda a verdade que todo o esplendor do Império estava nos Condes (…). No tempo dos romanos não se limitava a administração destes Condes a uma vila ou cidade, como depois praticaram os godos, mas estendia-se a toda uma grande região...”.

Nos reinos bárbaros mantém-se de início essa acepção e essa função, as quais evoluem para a de senhor feudal, tenente de terras denominadas condado. Nos reinos neocristãos da Península Ibérica os condes exercem funções públicas e estão na dependência do rei.

Nos inícios da história portuguesa o título não foi usado, competindo ao rico-homem as funções públicas do antigo conde leonês. De facto, só há notícia de um conde no reinado de D. Sancho I (D. Mendo de Sousa) e de D. Afonso III (D. Gonçalo Garcia de Sousa), os quais seriam os primeiros casos em que se deu o título separado do exercício de funções públicas, como passou a ser usado com frequência a partir do século XIV.

Nos primeiros trezentos anos da monarquia portuguesa não há nota que na corte houvesse outro título que o de conde. No tempo de D. Dinis, os Condes de Barcelos, no de D. Fernando, os condes de Ourém, no de D. João I, os condes de Arraiolos. Então é criado o primeiro título de duque na pessoa do seu filho bastardo, D. Afonso duque de Bragança.

Posteriormente, na pessoa do primogénito do duque de Bragança, é criado o primeiro título de marquês, o de marquês de Valença. Até à data em Portugal apenas havia seis condes e quando D.Manuel I criou o conde de Portalegre não havia em Portugal senão oito deste título. Desde então o título tenderá a integrar-se na hierarquia dos graus da nobreza na época moderna: duque, marquês, conde, visconde (vice comes, aquele que representa o conde já aparece no direito romano), barão.

Ricos-homens

O rico-homem, com direito ao título de Dom (dominus), é o grau mais elevado da nobreza na estratificação social dos primeiros séculos da monarquia portuguesa (séculos XII a XV). Classe de enorme importância tinha o seu poder assente em avultados bens e na autoridade proveniente do exercício de cargos públicos. Na maioria dos casos, o rico-homem era um nobre de linhagem, ou seja, de ascendência fidalga pelo menos até aos bisavôs. No entanto, tal condição não era essencial podendo o rei “fazer“ ricos-homens, contrariamente aos infanções, grau de nobreza imediatamente inferior, fidalgos de linhagem por definição e que por isso não podiam ser “criados“ pelo monarca. Etimologicamente o termo também se liga à ideia de poder: rico deriva da palavra germânica reik, poder. As funções do rico-homem dentro do seu distrito (no qual exercia jurisdição completa e gozava de total imunidade perante o fisco) equivalem às do conde na monarquia leonesa, título que se oblitera nos primórdios da monarquia portuguesa. No século XV o significado da expressão apagou-se por completo, constando o seu mais antigo emprego nas “Ordenações Manuelinas“.

O Condado Portucalense

Geralmente é assim designado o território cujo governo foi confiado ao conde D. Henrique de Borgonha, como dote de casamento da sua filha bastarda D. Teresa, por D. Afonso VI rei de Leão e Castela (que também se intitulava imperador da Hispânia), segundo filho de Fernando Magno, o qual, por testamento, deixou o seu reino dividido pelos seus três filhos: Sancho com Castela, Afonso com Leão, Garcia com Galiza e Portugal. O condado confiado a D. Henrique (filho do duque de Borgonha, sobrinho de D. Constança mulher de D. Afonso VI, sobrinho-neto de S. Hugo abade de Cluny) tem uma extensão de difícil delimitação, com excepção da faixa ocidental que ia desde o rio Minho até ao rio Tejo. A Norte, a fronteira só em parte seguia o curso do Minho, não sendo conhecida com rigor para lá dele passando provavelmente a sul do rio Lima e do território de Chaves. A Oriente, ao norte do Douro estendia-se desde a Terra de  Bragança e a de Panóias e a sul do Douro entre Lamego e o Côa. A fronteira meridional dependia da posição dos muçulmanos. Este território, antes de entregue a D. Henrique, estava integrado na Galiza governada pelo conde. D. Raimundo.

Condes, ricos-homens e infanções no território portucalense

Pode considerar-se que o período do primeiro condado portucalense se estende de 868 a 1071, com início no reinado de Afonso III das Astúrias e fim no de Garcia II da Galiza e Portugal. O segundo condado portucalense inicia-se em 1096 com D. Henrique e termina em 1139 com a  aclamação de D. Afonso Henriques como rei na sequência da batalha de Ourique. Listam-se a seguir as personagens mais frequentemente citadas na bibliografia, no período de 868 (início do 1º condado portucalense integrado no reino de Leão e Castela) a 1128 (batalha de Ourique, aclamação de D. Afonso Henriques como rei):

868: D.Vímara Peres (1º conde do condado portucalense, sucede-lhe o seu filho Lúcido Guimarãis).

871: D. Hermenegildo Guterres . 872: D. Odoário de Lugo. 878: D. Diogo Fernandes (conde portucalense, casado com a condessa D. Onega; pai de D. Mumadona **); D. Hermenegildo ou Mendo Gonçalves ; D. Guterres Mendes e D. Aires Mendes (filhos do conde D. Mendo Gonçalves); D. Gundesinho Eris. 950: D. Gonçalo Mendes. 960: D. Rodrigo Tedones. 1002: D. Mendo Gonçalves; D. Toda (condessa portucalense, mulher de D. Mendo Gonçalves); D. Nuno Alvitiz; D. Mendo Nunes “O Grande “ ; 1008: D. Alvito Nunes. 1017: D. Mendo da Luz (infanção). 1034: D. Gonçalo Trastamires da Maia (infanção). 1064: D. Sesnando Davides (senhor do condado de Coimbra; moçárabe natural de Tentúgal, ex-vizir de Sevilha, nomeado por D. Fernando I embora fosse considerado como inimigo pela nobreza portucalense; casou com D. Loba Nunes filha de D. Nuno Mendes, último conde do 1º condado portucalense). 1068: D. Mónio Viegas de Ribadouro (infanção, tio-avô de Egas Moniz). 1071: D. Nuno Mendes, último conde do 1º condado portucalense. 1096: D. Raimundo. 1096: D. Henrique de Borgonha (conde portucalense). 1112: D. Teresa (condessa portucalense). 1128: D. Afonso Henriques (príncipe).             

 
 

** Mumadona Dias foi com certeza uma das mulheres mais importantes da região portucalense. Foi a iniciadora da dinastia dos Mendes que governou o Condado Portucalense desde 950 até 1071. Filha de Diogo Fernandes e de Onega Lucides era, talvez, sobrinha de Afonso III de Leão. Casada com Hermenegildo (ou Mendo) Gonçalves, chamou a si, quando enviuvou, a governação de Guimarães e do território que se estende desde a Galiza até Coimbra e do mar até ao Tâmega (a ela se ficou a dever a construção do castelo de Guimarães e do mosteiro de S. Mamede). Quando Bermudo II de Leão morre (999), deixa a educação do seu filho (o futuro rei Afonso V) ao cuidado do conde Mendo Gonçalves, neto da condessa Mumadona Dias. Foi durante a dinastia dos Mendes que se criou a sul do Douro o condado de Coimbra, com população de maioria moçárabe.

 

Ref. “Dicionário de História de Portugal” de Joel Serrão; “Origem do Título e da Dignidade dos Condes” de António Pereira de Figueiredo.                                                                                                                                        


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publicado por alea às 10:15

A linha do horizonte e o fundo do túnel

Sábado, 17.11.12

Lembro-me de, à mesa de uma esplanada à beira-mar, me terem questionado sobre a distância a que estaria um barco que se via lá ao longe, junto à linha do horizonte.


Utilizei as noções elementares da geometria e da matemática e, escrevendo na toalha de papel da mesa, concluí com a fórmula que abaixo apresento.

Pelas leis da geometria relativas ao círculo e ao triângulo, a distância “D“ (km) correspondente á linha do horizonte observada de uma altura “h“ (m) é dada, a menos de infinitésimos de 2ª ordem, pela expressão:

D = SQR (2 R x h : 1000) ~ 3.6 SQR (h)   (SQR= raiz quadrada)

na qual “R“ é o raio da Terra expresso em km (6.366 km) e “h“ é a altura de observação em metros (altitude do ponto de observação).

Da expressão anterior pode construir-se o seguinte quadro:

h(m)

D (km)

2

5

5

8

10

11

20

16

50

25

100

36

200

51

529 (Serra de Sintra)

83

1000

113

2000 160

                                            

 

                                  

                                              












Depois, empurrado pelo orgulho e pela miragem do conhecimento absoluto, decidi criar a “Lei do Pinto” para resposta à questão: daqui a quantos anos se sai do “túnel”?




a) Admita-se que os governos são classificados numa escala de 0 (zero, nunca deveriam ser nomeados e muito menos eleitos) a 20 (excepcional, coisa que não existe excepto nalgumas universidades de hoje).

b) Considere-se que se mantém a actual política para a redução do buraco orçamental português, o qual atinge números muito díspares consoante as tendências partidárias dos especialistas na matéria, mas sempre da ordem dos milhares de milhões de euros.

c) Oiçam-se os apelos do povo ou as reflectidas considerações dos actuais governantes e dos seus opositores ou putativos sucessores no que se refere a uma luz no fundo do túnel ou ao fim do “pacto de agressão”.

d) Seja-se um cidadão exemplar e, sobretudo participativo na resolução dos problemas nacionais.

Hipóteses:

1 - Um governo que reúna, entre outras, as qualidades de competência, de honestidade, de rigor, de independência em relação a interesses financeiros e/ou económicos, de sentido do dever e do bem público, de coragem e que seja patriota (adjectivo que no passado era associado a uma ideologia fascizante mas que nos tempos que correm já não o é) tem uma competência de 18 (dezoito) valores;

2 – De acordo com declarações públicas nacionais (governo) internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI), Portugal voltará aos mercados em 2013 (vá lá em 2014 e porque não “refundar-se” já, amanhã, o annus mirabilis para 2015 ou, espante-se, para 2032, como já ouvi). Assim e de acordo com a perspectiva mais optimista, isto é 3 anos após a tragédia socratiana - para não referir a cavaquista que lhe é anterior mas talvez mais marcante (se é que tal é possível) -  Portugal terá contas públicas “equilibradas” num futuro próximo (hipótese muito discutível  mas que não deixa de ser por isso uma “hipótese de trabalho”).

3 - A parábola, que é sempre a melhor e por vezes obscura resposta às perguntas mais difíceis, é considerada, por pura e assumida arbitrariedade, a função matemática que melhor traduz o problema, adoptando-se, por simplificação, a sua equação do 2ºgrau, ou seja:

A = 3 + 0,1175 (20 – C) E2

na qual “A” é o número de anos até se ver luz ao fim do túnel, “C” a competência do governo e E2 o símbolo de “ao quadrado”.

Obtém-se a seguinte tabela:

C (competência governativa)

A (anos, luz ao fim do túnel)

0 (a expulsar)

50

5 (mau)

29

8 (medíocre)

20

11 (sofrível)

13

14 (bomzito)

7

17 (muito bom)

4

20 (excepcional)

Ora, ora, pois, pois.

Sugestões:

Aceite-se como informação com algum interesse a tabela da “Linha do horizonte” e considere-se a segunda tabela como simples e muito optimista “brincalhotice” (talvez  substituindo a vírgula na identificação de A por um hífen a resposta resultasse mais correcta).

 




 

 

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publicado por alea às 11:31

A Grande Pirâmide de Giseh e os protestos

Quinta-feira, 15.11.12

A Grande Pirâmide de Giseh também conhecida como a de Khufu (Chéops em grego) , rei da 4ª dinastia (2650 a.C.), tinha uma base quadrangular com cerca de 230,56m de lado e uma altura de cerca de 146, 6m (actualmente a altura reduziu-se para 130,80 m devido à erosão).

O seu volume é estimado em 2.500.000 m3 (dois vírgula cinco milhões de m3, vinte vezes menos do que os 50 milhões de m3 de movimentos de terra do famigerado projecto de um aeroporto na Ota).




O território da França continental tem uma área de 543.030 km2.

Por medição expedita à escala, as suas fronteiras têm uma extensão da ordem de 3.900 km (como número aferidor deste comprimento estimado, o perímetro de um hexágono regular – como frequentemente aquele país é apelidado pelos seus nacionais: “l´Hexagone” -  com aquela área é de 2.740 km).

Para aqueles números (2.500.000 m3 e 3.900 km) seria possivel construir com o material da pirâmide de Chéops um muro com uma secção de 0,60 m2 de área ao longo da fronteira francesa, isto é, por exemplo, um muro com 2,00 m de altura e 0,30m de espessura.

Com os seus blocos de pedra poderiam ser fabricados 2.500 milhões de pedras da calçada, para efeitos de pavimentação das ruas das nossas cidades ou para outros de natureza protestativa.




Clara falta de material e evidente manifestação de selvajaria e ausência de educação cívica.

Enfim, energúmenos.

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publicado por alea às 10:27

Estou farto disto tudo.

Terça-feira, 13.11.12

"Estou farto de ver o país sequestrado por corruptos. Farto de ver políticos a mentir. Farto de ver a Constituição ser trespassada. Farto de ver adolescentes saltitantes e acéfalos, de bandeira partidária em punho, a lamberem as botas de meia dúzia de ilusionistas. Farto de oportunistas que, após mil tropelias, acabam a dirigir os destinos do país. Farto de boys que proliferam como sanguessugas e transformam o mérito em pouco mais do que uma palavra. Farto da injustiça social e da precariedade. Farto da Justiça à Dias Loureiro. Farto dos procuradores de pacotilha. Farto de viver num regime falso, numa democracia impositiva. Farto da austeridade. Farto das negociatas à terceiro mundo. Farto das ironias, da voz irritante, dos gráficos e da falta de sensibilidade de Vítor Gaspar. Farto dos episódios inacreditáveis do 'Dr.' Relvas, das mentiras de Passos Coelho e da cobardia de Paulo Portas. Farto de me sentir inseguro cada vez que ouço José Seguro. Farto de ter uma espécie de Tutankhamon como Presidente da República. Farto dos disparates do Dr. Mário Soares.

Estou farto de ver gente a sofrer sem ter culpa. Farto de ver pessoas perderem o emprego, os bens, a liberdade, a felicidade e muitas vezes a dignidade. Farto de ver tantos a partir sem perspectivas, orientados pelo desespero. Farto de silêncios. Farto do FMI e da Troika. Farto de sentir o pânico a cada esquina. Farto de ver lojas fecharem a porta pela ultima vez e empresas a falir. Farto de ver rostos fechados, sufocados pela crise. Farto dos Sócrates, Linos, Varas, Campos e outros a gozarem connosco depois de terem hipotecado o futuro do país. Farto da senhora Merkel.

Estou farto de ver gente miserável impor a miséria a milhões. Farto da impunidade. Farto de ver vigaristas, gente sem escrúpulos, triunfar. Farto de banqueiros sem vergonha, corresponsáveis em tudo, a carpirem mágoas nos meios de comunicação social. Farto de ver milhares de pessoas a entregarem as suas casas ao banco. Farto de vergonhas como o BPN e as PPP. Farto de ver um país maltratar os seus filhos e abandoná-los à sua sorte. E, finalmente, estou farto de estar farto e imagino que não devo estar só."

 

6 de Novembro de 2012

 

Tiago Mesquita

 (www.expresso.pt)

 

Ler mais :

http://expresso.sapo.pt/estou-farto-disto-tudo=f764688#ixzz2HCdTIqN1

 

Que Deus me dê a força para mudar aquilo que posso.

Que Deus me dê a paciência para suportar aquilo que não posso mudar.

Que Deus me dê o discernimento para distinguir o que posso daquilo que não posso.

Vou ausentar-me do país durante uma temporada para ver se isto passa...


 

 

 

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publicado por alea às 15:28

Merkel – Governo de Portugal?

Segunda-feira, 12.11.12

Primeiro foi, na cerimónia do 5 de Outubro à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, o hastear da bandeira portuguesa de pernas para o ar.




Hoje, é a chanceler Merkel da RFA a falar num "púlpito" do Governo de Portugal.



Mas não há ninguém que ponha ordem nesta bagunçada?

Regras de protocolo? Parece que não. Vejam-se Merkel e Sarkosy, respectivamente em Berlim e no Eliseu:


 



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publicado por alea às 19:51

A língua portuguesa e o "acordo" ortográfico

Domingo, 11.11.12

"Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?"


 Nada do que se segue é da minha autoria. Trata-se de apontamentos que tenho tirado de livros, da net, sobre esta língua que é a minha e de que tanto gosto.

Portugal, país de poetas e de soldados.

Sim, de soldados e sei do que falo. Estive na “Nó Górdio” no norte de Moçambique e vi a bravura, a coragem dos soldados portugueses com quem confraternizei, como alferes, durante dois muito difíceis anos (quando falo de soldados, penso neles e não dos mercenários que hoje vão defender o Ocidente de óculos escuros, “écharpe” colorida ao pescoço e uns bons euros no bolso). E quando falo de poetas não falo nos políticos que “compaginam” muita coisa nem dos do mundo do futebol que parlapateiam discursos inimaginavelmente imbecis.

Somos, de facto, um povo que é estranho em muitas coisas do dia-adia, desde a governação à língua, passando por paixões que desrazoam como a do futebol.

Povo, no entanto, que eu não trocava por nenhum dos que conheço.

Hoje, o serviço público de televisão, na sequência do “acordo” ortográfico

(“acordo” esse para o qual os cidadãos não foram ouvidos nem chamados a pronunciar-se devidamente - será que o assunto é menos importante do que o aborto, o casamento “gay” ou o euro?) teima, todas as manhãs e através do canal 1 da televisão pública, em ensinar como se fala “em bom português”. Aparentemente o outro, aquele que teimo em continuar a praticar, é “mau”, como “mau” é para “eles” a 4ªclasse que os da minha geração felizmente tiveram no ensino público, obrigatório.

Enfim, coisas da vida, como diria a minha Engrácia.

Não nego a inevitável e própria evolução das línguas (leiam-se as crónicas de Fernão Lopes ou, para não se ir tão longe, textos do século XVIII).

As línguas são como as cidades. São vivas e, por isso, evoluem, mudam e por vezes radicalmente quando vistas com a distância própria do tempo. Quando deixam de o ser passam, naturalmente, a “mortas”, como é o caso do latim e dos sítios arqueológicos

Outra línguas há, tão ou mais ricas como a nossa e com uma expansão geográfica comparável, mas que evitaram sempre uma súbita e forçada “modernização” que, de algum modo, as matasse.

Veja-se o caso do inglês.

Houve algum acordo da Grã-Bretanha com os EUA e com os países da Commonwealth (só para falar do país mais falante) para a “oralidade” (gosto deste vocábulo) e  da língua escrita, da uniformização de vocábulos?

Não.

E o francês?

Espalhado pela a Europa como língua da cultura (ainda o sendo na Rússia e outros países daquela região), por África e só recentemente gradual e fatalmente substituído pelo inglês (o latim do tempo contemporâneo, principalmente na ciência e na comunicação), procurou aquela língua adaptar a sua escrita à “oralidade” (como gosto deste culto vocábulo!), abandonando as suas raízes latinas e gregas? Substituíram eles o “ph” pelo “f”, por exemplo?

Não.

Mas, em Portugal, uns especialistas de linguística (adjectivação esta que não contesto) entenderam criar uma nova língua escrita, embora com a clara oposição de muitos escritores e especialistas do ramo de renome, cuja competência é indiscutível. Uma língua cuja escrita se aproximasse da “oralidade” (que maravilha; desculpem a repetição) e fosse mais conforme com o facilitismo e a incompetência próprios da sofistificada boçalidade e da ignorância que se ouve e lê no dia-a-dia, nos jornais nos canais da televisão portuguesa.

É assim. Nada há a fazer.

A Assembleia da República aprovou a proposta do Governo, o Governo decretou, o Presidente da República assinou.

E pronto.

O Português (apontamentos tirados em 2007 e cuja autoria hoje desconheço).       

 “ (...) o português é a sexta língua mais falada no mundo, indicam as estatísticas da Unesco que revela a existencia de 6,7 mil linguas vivas no mundo.

Segundo a instituição, o português está atrás do mandarim, do hindu, do castelhano, do inglês e do bengali.

Segundo o documento "Língua Portuguesa: Perspectivas para o Século XXI", elaborado polo Instituto Camões, a lingua portuguesa tem ganho falantes de forma contnua, desde o começo do século XX. Em 2000, a Unesco estimou en mais de 176 milhões o número de falantes de português no mundo.

O português é a língua oficial de oito países – Portugal, Brasil,  Angola, Cabo  Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - nos diferentes continentes. Desta forma, o português está presente nos quatro cantos do mundo. Utilizada diariamente por cerca de 200 milhões de pessoas, lonje dos cerca de três milhões que a utilizavam, na sua forma arcaica, no século XVI, quando foi difundida espontaneamente por navegadores, guerreiros, mercadores, marinheiros e missionários.

O galego e o português eram a mesma língua até aos séculos XII-XIII, quando se iniciou un processo de afastamento devido ao qual em Portugal adquiriu o caracter de língua nacional e na Galiza ficou submetida ao processo nacionalista que se concluiría com a criação de Espanha. Em Portugal a lingua foi normalizada e naturalizada e na Galiza não, além de que o seu uso desapareceu na prosa legal e na literária.

O esplendor literário medieval foi desconhecido nos dois lados da fronteira até ao século XIX por volta da década de 1920. Apesar disto, existem posições diferentes no que respeita à unidade-separação do galego e do português, como é o caso,por exemplo, do chamado reintegracionismo.

O reintegracionismo é uma corrente de pensamento e de movimento social que defende as seguintes proposições:

- O galego, historica e internacionalmente, está integrado na lingua portuguesa ou, no ámbito científico, na língua galego-portuguesa; as diferentes falas galegas são, como as portuguesas, parte do mesmo diasistema linguístico.

- Adopção da grafia histórica do galego que, no essencial, coincide  com a actual norma portuguesa, se bem que mantendo algumas das particularidades das falas galegas (...).

Nota: No sec. XII, em 2100 vocábulos do português primitivo, 1200 eram latinos (57%), 800 árabes (38%) e 100 germânicos (5%).                                                                                            

E, agora, uma maravilhosa contribuição paraxegarmux à (à sua, dela, língua portuguesa) perfaisaumque transcrevo parcialmente e com a devida vénia.

in “O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa” de Maria Clara Assunção, publicado em 14 de Agosto de 2009 no blogspot:

 http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/2009/08/o-acordo-ortografico-e-o-futuro-da.html

“ (...) Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. (…) Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.(...) Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”? Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som. (...) também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
(...) Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”. (...) Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. (...) O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa. (...) o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
(...) Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox. (...) Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.(...) Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
(...) eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum? ”

 (Uma autêntica maravilha de texto. A sua versão integral é de leitura obrigatória.)

                                                                                                                                         

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Israel e a Palestina

Terça-feira, 06.11.12

Há já algum tempo que não leio ou oiço notícias nos meios de comunicação sobre o conflito israelo-palestiniano.

Em Julho deste ano, o Presidente da Comissão Europeia afirmou em Ramallah que a União Europeia manterá o apoio aos palestinianos. Dois dias depois recebia o grau de doutor "honoris causa" pela Universidade de Haifa.

Amanhã é eleito o novo Presidente dos E.U.A. Seja eleito Obama ou o seu opositor republicano, caso seja apresentado no Conselho de Segurança qualquer projecto condenando Israel, ele terá, não tenho dúvidas, o veto dos E.U. Desde 2011 foram 11 (onze) e o último, que condenava Israel pela construção de colonatos em território palestiniano, foi da administração de Obama. Nada indica que no futuro próximo as coisas se alterem e que o "lobby" judaico naquele país manterá a sua influência.

Há muita desinformação sobre o assunto e para um esclarecimento cabal e fundamentado só escrevendo um livro.

Aqui deixo umas breves notas para reflexão.

 

Palestina: Parte meridional da antiga região de Canaã (de Cham, neto de Noé), de fronteiras imprecisas a Nascente do rio Jordão mas que, a Sul e Norte, se pode considerar limitada, respectivamente, pelo Sinai e pelo rio Orontes. A antiga Canaã integra, actualmente, o que são, territórios do Líbano, do Egipto, da Jordânia, da Siria e, claro, de Israel. O primeiro povo de Canaã, os canaanitas, era cultural e religiosamente heterogéneo com influências do Egipto, da Mesopotamia, da Anatólia, do Egeu. Dizem que lá se estabeleceu por volta de 2000 AC. A  Palestina deve o seu nome ao povo dos Filisteus, povo originário de Creta, que invadiu a parte meridional de Canaã cerca de 1300 a.C., assim como outro povo: os Hebreus.

 

Hebreus: Designação que vem de “heber“, que designa  “do lado de lá“ porque vieram do outro lado do rio Eufrates, de Nascente do rio Jordão. O povo, que a ele próprio sedenominava “ben-Israel“, era constituido por 12 tribos (10 de Jacob e 2 de José) agrupadas em 4 famílias as quais, posteriormente (em 928 a.C.) e no seguimento de uma guerra civil, deram origem a dois reinos, o de Israel (a Norte entre Jafa - ou Joppa -  e Sidon e com capital em Samaria) e o de Judeia, cujo nome vem da tribo preponderante no  território, a de Judas (a Sul entre o Egipto e Jafa e com capital em Jerusalém). No século IX (a.C.) as relações entre os dois estados eram hostis, tendo a Judeia beneficiado do apoio militar de Damasco (Assíria).

 

A conquista: Os hebreus levaram 3 séculos a conquistar a terra aos povos aborígenes, Idumenos e Amalecitas a Sul, Moabitos, Ismaelitas e Amonitas a Este. A maior oposição foi dada pelos Filisteus que bloquearam a expansão para SO. A ocupação, iniciada por Joshua, foi sempre feita com base na soberania das tribos, as quais, no entanto e devido á forte oposição dos filisteus, reuniram-se numa monarquia cujo primeiro rei foi Saul (1006 a.C.).

 

Os reis: A Saul sucedeu David o qual, após ter submetido os povos aborígenes, criou o 1º estado hebreu. David abandonou a capital da sua tribo (Hebron) e conquistou, 300 km a Norte, a fortaleza de Sion capital dos autoctones cananitas, os jebuseanos. Sion seria baptizada (965 a.C.) como Jerusalém. A  David sucedeu o seu filho Salomão que mandou construir o “Templo“. O filho de Salomão, Rahoboam, não conseguiu manter a unidade entre as tribos e a guerra civil estalou entre judeus (que incluia as tribos mais populosas de Judas, de Benjamim, de Isau e de Simão) e israelitas. Depois de Rhoboam, foram 20 os reis da Judeia (até Sedécias, 587 a.C.).

 

O estado de Israel: A desunião e conflitualidade com a Judeia, assim como o poder crescente dos Assírios, conduziu ao enfraquecimento do estado de Israel, o qual no século.VIII a.C. era um reino vassalo do império assírio com capital em Samaria. Em 727 a.C. uma revolta conduzida por  Hoshea foi esmagada. Israel foi anexado e a sua população deportada para território assírio. O estado da Judeia: Em 701 a.C., o império assírio conquistou, também, a Judeia . Em 612 dá-se a queda do Império e a Judeia fica sob domínio do Egipto. Por pouco tempo, já que em 605 o rei Nabucodonosor captura Jerusalém e, anos mais tarde, deporta os judeus para a Babilónia. Em  539, o grande rei Cyrus da Pérsia destrói a Babilónia e autoriza o regresso dos judeus ao território entre a fronteira com o Egipto e Jerusalém. Nem mais, nem menos. Era o início da Diáspora.

 

Acima estão factos históricos podendo os mais relevantes serem resumidos nos seguintes pontos:

1 - Os hebreus invadiram um território que não era o deles em 1300 a.C. 

2 - Os hebreus eram 12 tribos desavindas.

3 - Os hebreus organizaram-se em dois estados distintos: Judeia e Israel.

4 - Há que considerar na História duas capitais: Jerusalém (Sion ) e Samaria.

5 - O que se pode designar como “Grande Israel“, não durou mais do que 80 anos (de David a Rahoboam).

6 - O regresso de judeus no século VI a.C. limitou-se, até ao século XX d.C., ao território entre a península do Sinai e Jerusalém. 

                  

 

                                                                                                 

 

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publicado por alea às 19:30

Não asguento

Sexta-feira, 02.11.12

As universidades de verão

O verão acabou e as suas universidades também.

Já foi há algum tempo, mas certas “lições” nelas proferidas “aborreceram-me” pela imbecilidade demonstrada por alguns dos “professores” e na altura, confesso, não asguentei.

Tive vontade de dar bengaladas, de rasgar jornais, de martelar televisões mesmo as de alta tecnologia e com “pivotes” lindas.

Sim, não asguentei.

Estou duvidoso que este neologismo de maravilhoso som não tenha sido contemplado no também maravilhoso acordo ortográfico (o qual na televisão com serviço público – assunto muito actual – é caracterizado com a frase “como se fala em bom português”; o outro aparentemente era mau português).

Mas, adiante.

Como é bom estar a par das universidades de verão do PSD e do PS.

Universidades de “líderes” (com ou sem assento agudo?) como em Angola.

Como é reconfortante e animador ouvir Paulas, Rangeles e Seguros orientar os “chefes” de amanhã cuja “profissão” será a política, a gestão da coisa pública e, sobretudo, da coisa deles.

É simplesmente lindo. 

E quem paga estes imbecis tempos de antena quem é, quem é?

As Paulas (inesperadas defensoras da iniciativa pública e dos seus indispensáveis funcionários, os quais são muitos diz ela)? Os Rangeles (que acenam com uma guerra europeia, e aqui os ignorantes devemos ser nós)? Os Seguros (até quando será o desgraçado – embora, o que não é pouco, detentor da máquina do partido - “líder” de um dos partidos do “arco do poder”)?

Não não, quem paga somos nós massa amorfa e ignorante que necessita de ensinamentos.

O Sr. Cavaco (primeira figura do Estado, responsável pelo “regular funcionamento das instituições democráticas”, chefe supremo das forças armadas e licenciado em finanças e doutorado em economia pública – e veja-se o estado em que as finanças e a economia continuam a estar neste desgraçado país - é mestre nesta matéria e na da de como acabar com a agricultura, as pescas, a pequena indústria, etecetera-e-tal, e na dos bolos-reis e na das economias dele e da D. Maria (não a do Prof. Oliveira Salazar – humilde governanta – não, a dele, a primeira dama de Portugal).

Deixei de fora a criatura Relvas e a sua extraordinária (sim, sem qualquer exagero) licenciatura, que é um insulto aos honestos licenciados.

Quanto ao Sr. Portas, licenciado “de facto” em direito pela Universidade Católica e ex-PSD (1979), quais submarinos qual quê, inocentes criaturas. Não! É tempo de rever o acordo com o PSDzinho (o rapaz de parvo não tem nada).

Estive, estou, enjoado, enojado, revoltado.

Mas que fazer?

Olhem: desabafar.

Desculpem.

                                                                                                                                                                                              

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publicado por alea às 17:10






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