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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.


Terça-feira, 06.11.18

Tancos. Marcelo sabia.

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Marcelo sabia e, de acordo com a sua maneira de ser (o que pode ser surpreendente para quem não o conhece), fez de conta que não negando o que lhe não é conveniente.

António Costa também sabia, mas este é um espertalhão.

Sabiam os dois e hoje negam os dois.

Para um melhor entendimento, analise-se a cadeia de comunicação do “problema” de Tancos, vergonha nacional que mancha as nossas Forças Armadas.

O director da polícia judiciária militar (coronel Luís Vieira) foi de certeza informado sobre a realidade, nomeadamente sobre a simulação da restituição das armas roubadas. A lealdade que lhe era devida pelos princípios militares a isso obrigava. Só quem não foi militar ignora o automatismo deste comportamento.

O presidente Marcelo ordenou ao coronel Luís Vieira, na sua primeira visita a Tancos, que o mantivesse informado das investigações. Hoje nega qualquer conversa, qualquer pedido/ordem. Hoje, nega tudo e afirma ter sido o guardião da investigação da verdade.

O que é que poderá tornar inverosímil esta ordem? É totalmente legítima vinda do comandante supremo das forças armadas.

Por outro lado, o então ministro da defesa Azeredo Lopes foi certamente posto ao corrente da evolução da situação, dadas as suas funções e a pressão política que sofria de todos os lados.

É totalmente impensável que não tivesse informado o primeiro ministro António Costa.

Este, como João Ratão que é (ele é um espertalhote), deu conhecimento da evolução das coisas (não vá o diabo – que anda por aí – tecê-las) ao Sr. Presidente Marcelo (que, certamente, delas estava a par por outras vias).

O então chefe de gabinete do ministro (Major-General na altura) recebeu em reunião o director da PJ militar (Coronel) e o responsável pelas investigações (Major). Na altura, estes seus subordinados militares entregaram-lhe um memorando (cuja existência ninguém, absolutamente ninguém, contesta excepto Marcelo) sobre o “acordo” com a ladroagem.

Aquele Sr. Major-General confirmou, em âmbito parlamentar, aquela reunião e a entrega de um memorando a ser entregue ao seu ministro. Um Chefe de Gabinete tem funções e responsabilidades que ultrapassam em muito as de um alferes, sobretudo quando se é Major-General.

A situação foi muito provavelmente reportada ao Sr. Presidente Marcelo, o qual, no entanto, nega, novamente, o facto.

“Não sabia…Não toleraremos jogos de poder…A mim não me calam”? Ora, ora.

“O Sr. Presidente está com muita ansiedade!” (António Costa dixit).

Lama para a ventoinha! Muito elucidativo.

Com as carecas já claramente descobertas, Marcelo "apenas" não se cansa de lembrar que sempre e repetidamente exigiu “em homenagem à transparência” todo o apuramento dos factos e das responsabilidades. Responsabilidades? Não tem nenhumas. Apuramento dos factos? Claro que sim! Nada sabia? “Ora, ora, pois, pois”.

Haverá alguém que acredite neste discurso de Marcelo?

Haverá alguém que acredite numa conspiração contra ele?

Haverá alguém que considere a investigação levada a efeito pela

RTP 1 uma fraude, uma confulabução contra o Sr. Presidente da República?

Acho claramente que não, mas infelizmente há quem ache que sim e são jornalistas e comentadores televisivos com peso. Como é possível? Pusilanimidade? Sim, pusilanimidade porque para aqueles lados há de tudo menos ingenuidade.

Ah! se ele fosse Trump ou Bolsonaro talvez houvesse um coro de críticas e de protestos. Assim, com ele, não…

“Et tu, Marcelo?!”

 

 

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por alea às 16:07

Quarta-feira, 15.08.18

Tudo ao molhe.

Hierarquia, do grego “hierarkhes”, é a organização de entidades em diferentes níveis (“acima”, “abaixo”, “igual”).

Numa hierarquia directa aqueles níveis conduzem a entidades “superiores”, “subordinadas” ou “iguais” consoante o seu grau de autoridade, importância, complexidade.

                                                  Copy of Hierarquia.jpg       

No passado recente a hierarquia da sociedade era muito clara nos vários domínios de actividade como, por exemplo, a familiar ou a profissional.

Assim, havia o pai e o filho, o professor e o aluno, o chefe e a equipa. Hoje em dia, na sociedade, com excepção da instituição militar, a autoridade e o respeito atenuaram-se ou mesmo desapareceram. Por exemplo, na relação pai-filho ou na do professor-aluno.

Na família, as cabeças pensantes de sociólogos e pedagogos eliminaram os degraus da autoridade e do respeito e reforçaram, dando-lhes uma importância que não têm, a camaradagem e a fraterna igualdade.

O difícil e importante problema da autoridade foi substituído pela fácil e afectuosa explicação mesmo que incompatível com os graus de experiência e de maturidade de cada um.

Modernos conceitos da educação, nascidos nos anos 50, louvavam a tolerância, a permissividade, a compreensão e a desculpa do claramente censurável.

Benjamim Spock foi o expoente duma nova e revolucionária teoria da relação entre pais e filhos. O seu livro “The Common Sense Book of Baby and Child Care”, publicado em 1946, foi um dos maiores “bestseller” de todos os tempos com 50 milhões de exemplares vendidos até 1950.

Entrou pelas casas alterando o tradicional relacionamento entre pais e filhos. Em novos moldes criou uma nova geração. Foi um desastre.

Mais tarde, face ao evidente fracasso, Spock foi levado a justificar-se afirmando que os seus críticos não tinham bem interpretado os seus escritos.

Na escola, a autoridade e, sobretudo, o respeito desapareceram praticamente, embora sem haver ainda uma clara contestação à “explicação” dos problemas e aos modos de “transmissão do saber”.

Alguns professores da geração “spokiana”, criados numa época cheia de facilitismos com muitos direitos e poucos deveres e aparentemente tecnicamente bem preparados, têm comportamentos próprios da má educação e não podem constituir exemplo para os seus alunos. Basta vê-los e ouvi-los nas suas manifestações transmitidas em reportagens de televisão. 

Resumindo, deixou de haver professores e alunos, pais e filhos. É tudo um molhe de amigos.

Assiste-se, incrédulo, ao que se pode designar como uma hierarquia invertida e cujos efeitos se fazem sentir a todos os níveis.

Incompetência e grosseria são algumas das consequências daquela inversão nos comportamentos diários.

Infelizmente, na política, que deveria ser uma das mais nobres actividades públicas, assiste-se incrédulo ao compadrio (que substituiu a competência), à corrupção (que a Justiça deixa ficar impune), ao profissionalismo (exercido em proveito próprio e que ignora o dever do serviço público devido à comunidade que os paga).

O que falta? Educação, e o que escandaliza e choca o cidadão do antigamente é a falta de educação de agora.

O respeito pela hierarquia natural é importante na educação? É, muito.

Há alternativa? Não há e aquilo a que se recorre é mau:

Tudo ao molhe e… fé em Deus.

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por alea às 12:41


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