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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.


Quinta-feira, 06.12.12

Filhos de piteu

“ Não compreendo para que é preciso caluniar. Se se quer prejudicar alguém, a única coisa a fazer é dizer alguma verdade  acerca da pessoa “ F. Nietzche  

A vida é como é mas frequentemente não é como os princípios da Ética recomendariam. Se a Ética poderá ser, eventualmente, menos importante nalguns domínios da vida, não o é noutros. Refiro-me à profissão.

Por exemplo, ser-se médico, engenheiro, advogado ou funcionário público exige uma escrupulosa obediência à Ética. Não referi a política porque entendo que não é ou não deveria ser uma profissão, mas nela a observância dos mais elementares princípios da Ética, que resultam de carácter e de educação, são essenciais para a defesa do interesse público, o que, em geral, não se observa nos dias de hoje.

Um bom profissional sem ética é (como a ignorância) mais perigoso para a sociedade do que um malfeitor portador de uma metralhadora.

No entanto, não o ignoremos, há profissionais que são eticamente sólidos que nem uma rocha, nos bons e nos maus momentos que na vida atravessam, mas que são infelizmente poucos.

Grande parte deles zarpa da boa conduta, talvez incomodados pelas regras que esta impõe às suas conveniências pessoais, nomeadamente financeiras ou de carreira. Os que tomam aquele barco estão no limiar da conduta criminosa e, quando políticos, além de constituírem uma vergonha nacional, mudam de partido ou neles ficando (quando lhes é permitido) mudam de opinião com ligeireza e admirável à-vontade.

É comportamento que considero próprio das pessoas sem carácter porque há convicções que se devem seguir com a alma e que se devem defender intransigentemente. Na vida deve fazer-se o que é justo e digno e não o que é agradável, a nós ou aos outros. Doa a quem doer.

Lembra-me Sócrates e os seus acusadores e juízes “... muda, não persistas mais nas tuas filosofias ou morrerás…”. Depois, um natural do demo de Piteu (um tal Meleto) apresentou ao arconte-rei uma acusação jurada na qual era pedida a pena de morte, porque Sócrates não acreditava nos deuses em que acreditava a cidade e corrompia com os seus ensinamentos a juventude.              

Há criaturas que não respeitam o caminho da Ética e porque não acreditam nos deuses desta espalham a mentira com descaramento, sem qualquer vergonha.

Esses filhos de piteu de hoje ainda têm ainda a presunção de serem juízes dos actos dos outros e o falar verdade passou a ser, por causa deles, uma perigosa ou temerária audácia o que nunca, fossem quais fossem as circunstâncias, deveria ser. Aquelas criaturas que infelizmente abundam em particular na política, são umas autênticas merdas, uns filhos de Piteu do nosso tempo embora sejam consideradas respeitadas pessoas.

Na política deveria imperar a verdade, a honestidade e a competência. Nunca deveria ser de outro modo e um verdadeiro homem de Estado (incluindo os designados nos media por “senadores") nunca deveria fazer “concessões” naquilo que é justo, ainda que tivesse de sofrer o ostracismo ou a morte política.

Mas nada muda neste regime tão cheio de “adversários” políticos que exprimem “consideração pessoal” e “apreciação intelectual” mútuas, comovendo profundamente quem os houve em mesas redondas e quadradas.

Esses amigos, confrades ou irmãos sabem, no entanto, dizer mal dos “do outro lado” mas apenas no segredo do círculo dos seus “ninhos” (o que, diga-se de passagem, não se compreende uma vez que “para se prejudicar alguém basta apenas dizer algumas verdades“, as quais quanto mais públicas melhor).

Mas deste modo estão bem na vida, graças a Deus e aos cidadãos, reafirmando, com desenvoltura e desplante, os seus direitos e os deveres dos outros, e os valores da seriedade e do altruísmo.

Escutando-os sofre-se uma estranha sensação que é mistura de ofensa, revolta e, por vezes, de resignação.

Atenção, andam por aí muitos filhos de piteu.

                                                                

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por alea às 09:40

Sexta-feira, 02.11.12

Não asguento

As universidades de verão

O verão acabou e as suas universidades também.

Já foi há algum tempo, mas certas “lições” nelas proferidas “aborreceram-me” pela imbecilidade demonstrada por alguns dos “professores” e na altura, confesso, não asguentei.

Tive vontade de dar bengaladas, de rasgar jornais, de martelar televisões mesmo as de alta tecnologia e com “pivotes” lindas.

Sim, não asguentei.

Estou duvidoso que este neologismo de maravilhoso som não tenha sido contemplado no também maravilhoso acordo ortográfico (o qual na televisão com serviço público – assunto muito actual – é caracterizado com a frase “como se fala em bom português”; o outro aparentemente era mau português).

Mas, adiante.

Como é bom estar a par das universidades de verão do PSD e do PS.

Universidades de “líderes” (com ou sem assento agudo?) como em Angola.

Como é reconfortante e animador ouvir Paulas, Rangeles e Seguros orientar os “chefes” de amanhã cuja “profissão” será a política, a gestão da coisa pública e, sobretudo, da coisa deles.

É simplesmente lindo. 

E quem paga estes imbecis tempos de antena quem é, quem é?

As Paulas (inesperadas defensoras da iniciativa pública e dos seus indispensáveis funcionários, os quais são muitos diz ela)? Os Rangeles (que acenam com uma guerra europeia, e aqui os ignorantes devemos ser nós)? Os Seguros (até quando será o desgraçado – embora, o que não é pouco, detentor da máquina do partido - “líder” de um dos partidos do “arco do poder”)?

Não não, quem paga somos nós massa amorfa e ignorante que necessita de ensinamentos.

O Sr. Cavaco (primeira figura do Estado, responsável pelo “regular funcionamento das instituições democráticas”, chefe supremo das forças armadas e licenciado em finanças e doutorado em economia pública – e veja-se o estado em que as finanças e a economia continuam a estar neste desgraçado país - é mestre nesta matéria e na da de como acabar com a agricultura, as pescas, a pequena indústria, etecetera-e-tal, e na dos bolos-reis e na das economias dele e da D. Maria (não a do Prof. Oliveira Salazar – humilde governanta – não, a dele, a primeira dama de Portugal).

Deixei de fora a criatura Relvas e a sua extraordinária (sim, sem qualquer exagero) licenciatura, que é um insulto aos honestos licenciados.

Quanto ao Sr. Portas, licenciado “de facto” em direito pela Universidade Católica e ex-PSD (1979), quais submarinos qual quê, inocentes criaturas. Não! É tempo de rever o acordo com o PSDzinho (o rapaz de parvo não tem nada).

Estive, estou, enjoado, enojado, revoltado.

Mas que fazer?

Olhem: desabafar.

Desculpem.

                                                                                                                                                                                              

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por alea às 17:10


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