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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.


Terça-feira, 20.10.15

O camarada Arnaldo

 
 

MRPP 1975.5[5].jpg

Arnaldo Matos o “Grande educador da classe operária” (personagem política exemplo de corajem, seriedade e coerência política), preso pelo COPCON em Caxias após o 25 de Abril, reapareceu agora.
Tenho dele viva memória dos tempos do PREC.
E o que vem agora decidir e declarar o camarada Arnaldo?
Decidiu (ele não, claro, os órgãos do partido) suspender Garcia Pereira e outros pelos maus resultados eleitorais do MRPP.
Que diz ele (assinado no editorial do passado dia 11 de Outubro do “Luta Popular”?
Que:
“(...) o mentecapto presidente da república, que nos calhou ter em sorte nesta altura, bloqueia a norma do nº 1 do artº 187º da Constituição da República e está a sabotar a formação do governo que haverá de sair da assembleia eleita (...) Assim, já se passaram oito dias, e o palonso que temos em Belém nem sequer começou ainda a ouvir os partidos representados na Assembleia da República, nem nomeou ainda o primeiro-ministro, tendo em conta, como o reclama a norma constitucional, os resultados eleitorais.
(...) Cavaco vai para a rua, com a condecoração popular de indecente e má figura (...) e, se calhar, julga poder passar estes cinco meses que lhe faltam para ir pentear macacos a inventar pretextos para impor ao país um governo de maioria absoluta, juntando na mesma cama Passos, Portas e Costa, o que, diga-se de passagem e sem réstia de homofobia, é pouca mulher para tanto homem.
(...) Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!”
http://lutapopularonline.org/index.php/editorial/1767-a-classe-operaria-e-o-momento-politico-actual

os tres.jpg

Uma delícia.
Não saboreiam apenas: isto é tudo, de facto, um p..., termo que, embora não figure no dicionário da Academia das Ciências, tem entendimento bastante claro e que se ajusta perfeitamente e há anos à situação política portuguesa e aos seus principais protagonistas.

 

 

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por alea às 14:56

Quinta-feira, 15.10.15

Assim não.

 
 

question-mark-96288_640.jpg

Compreendi o comportamento inicial do António Costa, certamente avalisado pela Comissão Política do PS e totalmente conforme ao discurso eleitoral: o PS não será uma oposição negativa e uma inviabilização de um governo do PáF, por voto favorável de uma moção de rejeição ou por voto contra um orçamento, só seria concretizado com a certeza de existência de uma solução de governo alternativa.
Qual? Um governo PS com o apoio parlamentar do BE e da CDU.
Até aqui tudo muito bem.
O que não está de maneira nenhuma bem, é uma negociação eventualmente pró-forma e hipócrita com a coligação PáF, conversações políticas e técnicas com os partidos à esquerda do PS para apresentação ao Presidente da República de uma alternativa de governo para efeitos do disposto no nº1 do art.º 187 da Constituição  (“O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.” Nada, absolutamente nada é referido sobre o "partido mais votado" como é afirmado por vários comentadores políticos.).
Isto não, mas tudo parece ser assim e se tal se confirmar é uma nódoa: a aversão pelo PáF e pelos seus líderes Passos e Portas tem limites que a ética política impõe (só que neste país e a todos os níveis a ética é uma noção muito nebulosa e discutível).
O que seria correcto? O PR encarregar o vencedor das eleições de formar governo, o governo apresentar programa e orçamento na Assemleia da República e, depois, cada partido ficar responsável pelas consequências da sua votação.
Um governo assim constituído ficaria obrigado a negociação sistemática com o PS? Que assim seja porque tal também é consequência do resultado das eleições.
Um governo de gestão uma vez que a dissolução da AR e a convocação de novas eleições só é possível depois de Abril de 2016? É assim por força constitucional. Está mal? Que se revejam pertinentes revisões constitucionais em sede e tempo próprios.
A arrogância, brevemente melosa, do PáF mantém-se como se nada tivesse acontecido, só que aconteceu uma muito substancial alteração das condições de governação que não pode ser ignorada: a coligação perdeu a sua maioria.
Há um problema? Há, mas o PS, podendo e devendo lembrar a sua oposição à política seguida no passado pela coligação e sublinhando (porque não?) o papel relevante que passaram a ter o BE e a CDU (quase 20% dos eleitores), tem que ter um comportamento claro, coerente e acima de qualquer suspeita, doa a quem doer.
Impôr o seu programa eleitoral para um acordo parlamentar com o PáF? Não pode ser considerado como uma credível postura negocial.  

Não se trata de uma questão de ilegitimidade política, que não existe, mas de confiança e de seriedade negocial que exige não transformar uma clara derrota eleitoral numa fictícia victória.
acesso_negado.jpg

 

 

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por alea às 15:10


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