Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quinta-feira, 10.11.16

"Obrigado" e o seu a seu dono.

Recebi esta semana um mail com um vídeo do ex-candidato presidencial Prof. Sampaio da Nóvoa sobre a gratidão https://www.youtube.com/watch?v=saEanT_xc5g no âmbito de uma sessão de agradecimento aos seus colegas brasileiros.

Desconhecia o tema, em particular o “Tratado da Gratidão” (mais correctamente “Suma Teológica” pelo que aprendi) de S. Tomaz de Aquino, e fiquei maravilhado, não só com os “níveis” da gratidão mas, também, com a cultura do Professor o qual, no início da sua intervenção dá a entender, com modéstia, que seria tema do conhecimento da assistência.

S.Tomaz.jpg

Resolvi consultar a Net e descobri com estupefacção que tratando-se do que consta num tratado religioso não passa, também e muito explicitamente, de um plágio de um texto do Prof. Jean Lauand da Universidade de S. Paulo. “Ipsis verbis”. www.jeanlauand.com/AntonioNovoa.html

Este académico publicou em 1998 (nº 1 da revista “Notandum”) o que Sampaio da Nóvoa declamou em 2014  e, novamente, em 2005 (nº 2 da revista “Língua Portuguesa” - “A gratidão inscrita na língua”). É uma desfaçatez, indigna das altas qualificações do ex-candidato a Presidente da República de Portugal.

Para quem prefira prescindir de uma consulta mais aprofundada, aqui deixo o resumo dos três níveis de gratidão e a sua correspondência nas línguas europeias.

- O nível mais superficial é de natureza cognitiva (intelectual) e corresponde ao reconhecimento (ut recognoscat) do benefício recebido. Em inglês é o “thank you” (interessante seria relacionar o “thank” com o “think”) e em alemão é o “zu danken”.

- O nível intermédio a gratidão traduz-se por louvar e dar graças (ut gratias agat). Em francês é o “merci”, em castelhano o “gracias” e em italiano o “grazie”.

- O nível mais profundo é a gratidão na forma de vínculo, de comprometimento, do dever de retribuir . A língua portuguesa é a única que isso exprime com a palavra “obrigado” (ob-ligatus).

À única palavra única, só nossa, “saudade” veio unir-se outra tão bela como aquela: “obrigado”.

O discurso do Professor António da Nóvoa aos seus colegas brasileiros, por não citar a sua verdadeira fonte (oriunda, imagine-se de um colega!) é, repito, uma vergonha para um académico. Mas, como não me tenho cansado de repetir, o desconhecimento da ética, o desprezo por esta é um mal geral que, aparentemente, não poupa sequer os que por profissão e formação deveriam conhecer a importância da referência das fontes do seu saber.

Aqui fica um castigo ao professor:

Escreva, menino feio, 100 vezes no quadro preto: “O seu a seu dono. Não volto a plagiar”.

Sampaio da Nóvoa.JPG

 

.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por alea às 16:09



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Novembro 2016

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930


Links

Blog

  • www.metralhada.blogspot.com