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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Segunda-feira, 01.12.14

A cereja no bolo

 
 

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“Só se é culpado após trânsito em julgado” é uma exclamação, uma justificação, um esclarecimento de olho franzido. Pois.
Mas é um facto aplicado à justiça e só a ela, não ao cidadão (cuja liberdade de expressão a Constituição assegura), não aos jornais, à radio, às televisões que têm o direito de informar e se a informação for falsa ou caluniosa, existe o direito de resposta e o recurso aos tribunais.
Vem isto a propósito do “Processo Marquês”.
Desde quando é que o cidadão não pode ter opinião? A criatura é um malandro que já devia ter sido engavetado há muito tempo ou um desgraçado inocente crucificado na praça pública? Não sei. Sei que cada um, seja a título individual seja por recurso aos meios de comunicação social, tem o direito de exprimir opinião. Este direito é tanto mais legítimo quanto maior tenha sido a oposição à censura, a um regime autoritário. Não é o que se verifica.
De facto, o partido da “alternância” hoje na oposição, o partido dos “cravos” hoje tão murchos, o partido da liberdade hoje após o seu congresso tão castigador dos que não seguem as orientações do seu novo e esclarecido líder Costa, esse partido da ”alternância” critica, cerceia, admoesta os opositores do seu ex-líder Sócrates.
“À justiça o que é da justiça e à política o que é da política” é uma magnífica frase desde que não hipócrita e coerente e coerência é o que mais falta.
Se não, porque é que são vedados ou criticados pelos “costistas” juízos puramente políticos?
Se não, porque é que estes, sem quaisquer bases que não seja a admiração pelo “melhor” líder de sempre da história do PS, juram uma inocência que só à justiça compete?
Se não, porque ostracizam os apoiantes de António José Seguro que à governação de Sócrates colocaram reservas e promovem os que o elogiam ou hoje lhe pagam favores?
E tudo isto, imagine-se, com a despudorada afirmação que o partido está mais unido do que nunca e que a reconciliação foi assegurada pela eleição dos órgãos do partido, nomeadamente o Secretariado e a Comissão Política.
Não? E o discurso do novo Secretário-Geral sublinhando “o choque” sofrido e sem qualquer hesitação em assumir o “assombramento”?
Não? E o banimento de Francisco Assis de quaisquer órgãos do partido?
Não? E a composição dos recém-eleitos órgãos?
Fique-se por aqui; o futuro não se afigura risonho.
Tudo indica que será um “socratismo” com novas vestimentas. Serão as da competência, da verdade, da defesa do interesse público, da realidade económica e financeira do país, enfim, da seriedade?
Ver-se-á.

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por alea às 21:43



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