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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quinta-feira, 20.12.12

As eras e os políticos

Com uma frequência que se torna alarmante, os políticos falam como se não vivêssemos numa era negra (por exemplo, a de Kaliuga - 3101 a. C.-) ou como as suas políticas (e só elas) asseguram às gerações vindouras um futuro resplandecente. Por isso parece interessante (embora, confesso, pouco pertinente) identificar as diversas eras ao longo da história da humanidade.

Será, espero, uma contribuição para que os discursos se adaptem a um verdadeiro tempo e para que seja mais credível o esforço de “calibragem” de orçamentos ou de “refundação” de planos e acordos.

Era vem do grego eirein que significa parar, ponto fixo. Ponto fixo que os nossos políticos não têm (e não podem ter pela sua própria natureza), não se preocupando sequer com a Res Pública.

Não me refiro, como é evidente, aos  ideólogos da esquerda "radical" ou conservadora ou aos “craques” da economia, presos a modelos que nada têm a ver com a realidade que nos rodeia e que não os apalpa (infelizmente) porque ao abrigo da redoma em que se encontram alojados.

Refiro-me aos que têm uma prática resultante ou do interesse próprio ou da mediocridade ou da falta de educação e de valores ou, simplesmente, da bandalheira. São os “parvenus” que, não podendo ser uns senhores, querem ter qualquer título próprio de uma educação académica. Uma licenciatura e, já agora, porque não um mestrado, um doutoramento?

Refiro-me, também, aos “boys” e às “girls” (pouco ou nada referidas pelos “media” porque beneficiárias de uma discriminação dita positiva) que se encontram revestidos de uma autoridade que lhes permite exercer um poder ou gozar de um cargo que não provêem do mérito, seja ele do saber ou da experiência. É vê-los nos mais altos cargos do regime e nas mais cobiçadas posições empresariais (públicas ou privadas) e europeias. São braços de interesses ou destes recompensados servidores. Pululam por aí  e por aí pulam com enorme desfaçatez preocupados em assinalar que existem.

Vivemos numa era de progresso, de prosperidade, de paz e de bem-estar nunca antes referenciada na história do mundo e, no entanto, é uma era negra em muitos e variados aspectos.

A era cristã foi determinada por Dionísio Exíguo, monge do século VI, natural da Cítia Menor (actual Roménia), o qual, pelos seus conhecimentos de matemática e de astronomia, calculou pela data da Páscoa o início do “Anno Domini”, o qual é posterior em 4 anos ao nascimento de Jesus.

 

Depois deste “varrimento” de 7500 anos da história da humanidade, fico perplexo e preocupado. Perplexo porque desde a era da criação até à era de hoje (como é que será designada no futuro?) os homens não aprenderam com as desgraças que os afectaram (dilúvios, guerras, perseguições religiosas, revoluções sanguinárias).

Continuam, por exemplo, a fomentar guerras (por interesses hipocritamente justificados) e a ignorar a inevitabilidade dos fenómenos naturais, tais como tufões, tsunamis e sismos (entre outros), persistindo em habitar exactíssimamente onde eles ocorrem. Assim, ficam na orla do mar em vez de se protegerem nas alturas, edificam em vales de cheia e sobre falhas sísmicas, reconstroem o que foi repetidamente destruído pela natureza do mesmo modo e nos mesmos locais, etecetera.

Ainda recentemente vi e ouvi na televisão as declarações dos habitantes de um prédio de vários andares em Vila Franca de Xira que ameaça ruína eminente. Ignoram o parecer do Laboratório Nacional de Engenharia e a ordem da Câmara Municipal e recusam abandonar os andares que ocupam. Dali não saem.

Por outro lado, espanta-me o facto de terem sido poucos os homens que marcaram o seu tempo e, sobretudo, o futuro. Contei, porque explícitos, nestas eras seis: Abrãao, Alexandre, Júlio César, Jesus Cristo, Maomé, Napoleão. Houve certamente muitos mais (mas mesmo muitos  mais) que a História, aliás, revela e identifica.

No entanto, no Portugal de hoje ninguém marcará qualquer página da história futura não indo figurar sequer numa sua nota de roda-pé. Mas eles acham que sim. Julgam-se "senadores" e são como tal adulados pelos "media".

Uma tristeza. 


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por alea às 08:00



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