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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Terça-feira, 11.12.12

A matemática, as outras e os doutores

Sim, “maravilhas” mas não é certamente por elas que a Matemática (juntamente com a língua portuguesa) deva ser considerada pelo Ministério da Educação Nacional como a prioridade entre as prioridades do ensino. A ignorância não reside apenas nelas.

Hoje em dia, os nossos jovens nem sabem a tabuada (“prova dos nove”, o que é isso?) mas têm máquinas de calcular e computadores. Os “magalhães” são o produto desta cegueira de que sofre o entendimento do ensino da matemática. Os alunos olham para os resultados que esses sofisticados instrumentos (deuses dos resultados) lhes dão com um respeito e uma confiança próprios, de facto, de quem nada sabe. Esquecem-se que sses instrumentos não passam de meras ferramentas, como o lápis, o garfo e a faca, o pente, a escova de dentes, etc.

Se qualquer maquineta lhes comunicar que o seu peso é de 6550, 00 kg (seis mil...), eles aceitam confiantemente com uma total ausência de espírito crítico ou de noção da palpável realidade e que só uma sólida instrução lhes poderia e deveria transmitir.

E a História de Portugal, tem menos importância? A história (desculpem-me: “estória”, salvo erro é assim “em bom português…) deles, dos pais, dos avós, do seu país é menos importante de que saber (?) “teclar” sete vezes nove e obter 63 (se o dedo não escorregar)? Saber quem eram os nossos reis, conhecer as suas dinastias e não confundir a revolução do 25 de Abril com a de 1383, não será muito importante? Ou é indiferente a confusão entre Nuno Álvares Pereira (nuno quê?...) e um rei do século XVIII?

E a Geografia? Ou querem ser como os americanos, povo de mestres indiscutíveis na mais avançada investigação mas que não têm a mais pequena ideia onde é a Pérsia, a Argélia, qualquer país da Europa, da África ou da Ásia? Claro que ter de saber as serras de todos os sistemas montanhosos, os afluentes de todos os rios e as estações de todas as linhas de caminho de ferro de Portugal era, no tempo do "obscurantismo", um exagero, mas desconhecer a localização da Serra dos Candeeiros, que o Zêzere é um afluente do Tejo e que para além do combóio Lisboa-Porto há (havia) muitos mais outros, para sul e para oeste, também não.

E as Ciências Naturais (ou da natureza como julgo ser hoje a designação da matéria) não interessam? Saberão a diferença entre um peixe e uma baleia, entre o humano e um ruminante (diferença tão necessária de ser descortinada hoje em dia)?

E a Física? E a Química? São todas matérias de segunda classe, como o são os cidadãos contribuintes de hoje, à semelhança (imagine-se a ironia) como, no passado, eram identificados os naturais das províncias ultramarinas.

O ensino em Portugal? Uma medíocre tristeza, desde a maioria das escolas secundárias até algumas “universidades” que proliferam como cogumelos, cheias de crânios a leccionar o que muitas vezes sabem muito pouco ou que nem sequer praticam (“quem sabe faz, quem não sabe ensina”…) e que, com a maior naturalidade, passam diplomas de licenciatura aos que não sabem nem um décimo do que sabe um honesto trabalhador não qualificado e com “apenas” a antiga 4ª classe.

É uma preocupante realidade ignorada pelos que proclamam a todos os ventos que Portugal necessita para o seu crescimento económico do aumento da sua produtividade e de assegurar adequadas qualificações profissionais. Ignoram-na ou fazem de conta que não a vêem.

Se a instrução de um povo está relacionada com o seu grau de literacia**(e neste domínio os progressos feitos nos últimos 35 anos são inegáveis), a cultura e a qualificação técnica dos seus cidadãos não é medida, como muitos pretendem, pelo número de licenciaturas ou por uma maior facilidade de acesso a universidades. Mas os governantes gostam de sublinhar o número de licenciados, mestres e doutores como medida de progresso, de aproximação com os padrões europeus. Licenciados mas como, com que grau de conhecimentos, por que tipo de academias? Licenciados por “cunha”, com conhecimentos inferiores aos de um simples bacherelato, por escolas não acreditadas.Tudo mestres e doutores. Assim é que é.

Tal como ser-se apenas professor de uma escola primária ou secundária (profissão difícil, digna e apreciada no passado) é socialmente pouco hoje em dia, amanhã ser-se “apenas” licenciado universitário não será suficiente. Somos um país de mestres, doutores e professores. E, depois, há para além deles e espalhados pelas “verduras” uma quantidade de “misters” e de “professores”.

Ora batatas.

** Cerca de 500 mil portugueses não sabem ler nem escrever, segundo os resultados definitivos do Censos 2011, hoje apresentados. A taxa de analfabetismo caiu de 9% para 5,2% na última década, uma diminuição acentuada, que ainda assim não é suficiente para tirar Portugal do último lugar da tabela a nível europeu.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os resultados do Censos 2011 refletem o progresso registado ao nível das qualificações. Em apenas dez anos, o número de portugueses com mais de 23 anos com ensino superior quase duplicou (passou de 9% para 15%). Entre os licenciados, 60% são mulheres.

Metade da população com 15 ou mais anos concluiu, pelo menos, o 9º ano de escolaridade, o que representa um aumento de 12 pontos percentuais em relação a 2001. Lisboa e Algarve apresentam os maiores níveis de qualificação da população, com 60,4% e 52,7%, respetivamente.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/meio-milhao-de-portugueses-sao-analfabetos=f768287#ixzz2CrAVqQtC

 

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por alea às 19:08



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