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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quarta-feira, 18.12.13

A Dívida Soberana e o relógio do Paulinho

Como é natural, muito se tem falado na questão da dívida soberana. Não só por cá, não só pelos países do Sul da Europa (pais da civilização ocidental), mas também nos EUA por exemplo. Enfim, sem qualquer exagero pode afirmar-se que a questão é objecto de particular interesse desde, pelo menos, 2008.

Por cá, quando ela é discutida ou simplesmente noticiada são recorrentes as referências à sua “reestruturação”, à sua negociação, aos seus juros, aos seus prazos .

                   

A Irlanda, país com a dimensão de Portugal, cuja dívida se deveu ao sector financeiro (leia-se bancos), com uma produtividade bem melhor do que a de Portugal e assente em sectores diferentes vai “saír” do programa de “apoio” da Troika. Afirma orgulhosamente que reganhou a sua soberania. Será que sim? O facto é que os juros da sua ex-dívida (da ordem de grandeza da de Portugal, 120% a 130% do PIB) tiveram um valor de cerca de metade do que aqueles que os “mercados” impuseram a Portugal. Porquê?

O “governo” de Portugal informa que só faltam duas avaliações por parte da Troika (a décima terminou ontem 16 de Dezembro) e que depois, lá para Junho do próximo ano, reganharemos a nossa soberania: A certeza é tanta que o vice-primeiro ministro Paulinho inaugurou um relógio de contagem decrescente para a data de regresso aos mercados. Além de ridiculo revela falta de bom-senso e de sentido de estado.

Mas, será que sim ou é outra aldrabice? Não me atrevo a botar palpite por falta de adequadas qualificações e de suficiente conhecimento sobre a verdadeira situação (quem é que o tem para além de um muito restrito círculo?).

No entanto, Mario Draghi na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu veio dizer que Portugal vai precisar de mais um programa quando o actual programa de resgate terminar...

Mas, voltando à questão da dívida soberana dos estados (em pé-de-página indica-se o link que conduz ao vídeo de uma conferência realizada na Turquia sobre o assunto.).

A dos EUA é enorme: em 2013 a dívida é de 17 triliões de dólares e os respectivos juros ascendem a 450 biliões de dólares (cerca de 2,7% do valor da dívida). Estudos recentes realizados pela Universidade da Califórnia (Prof. James Hamilton) afirmam que o actual valor da dívida não é aquele mas sim muitíssimo superior e da ordem dos 70 triliões de dólares (atenção que as normas de certos países não seguem a Convenção de Sèvres de 1948 segundo a qual um bilião é um milhão de milhões e um trilião um billhão de biliões. Um bilião são mil milhões e um trilião um bilião de milhões...).

A dívida soberana é condicionada, entre outros factores, pelos juros, claro, mas também pelo que se designou na conferência por controlo. Controlo, repito.

                   

Controlo por parte dos que emprestam.

E quem empresta? Os bancos. E se os bancos não concordarem com a política seguida pelo estado devedor? Deixam de emprestar.

Poderá concluir-se que a política de um estado devedor é a imposta pelas entidades credoras? Parece que sim porque não se dever esquecer o provérbio “ o devedor é escravo do credor”. Se um estado é devedor deixa de ser soberano.

A reter da exposição do conferencista (que não consegui identificar) no “International Forum on Finantial Systems” realizado na Turquia:

“(...) os bancos são empresas e requer-se que as empresas maximizem os seus lucros (...) os bancos nunca terão como objectivo o interesse público, é impossível (...); “ (...) o excesso de consolidação do poder mata uma governação sustentável porque mata a participação pública”;

“(...) as dívidas nacionais estão a matar a sustentabilidade nacional: os juros sugam a economia, o o contrlo exercido pelo credor impede uma resolução do problema pela legislação”.

“(...) nacionalizem o dinheiro, não nacionalizem os bancos (Irving Fischer-Yale University, 1936)”.

A questão é muito interessante e é pena que não seja explicada e discutida publicamente,  “academicamente” e não, como cá na terrinha, apenas partidariamente e só quando é conveniente.

Ref.:

http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DI6fImpY0jjw&h=PAQE4peK2&s=1

(Fundamental ver até ao fim).

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por alea às 09:53



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