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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Sexta-feira, 16.06.17

Os media e o Circo

A notícia de hoje é a permanência ou não de CR7 em Espanha.

É o assunto mais debatido nas redes sociais, mais "retwitado" (é o que dizem; vale o que vale).

Já Vali.jpg

O monstruoso incêndio de um prédio de 24 andares em Londres com 600 moradores, as suas 30 mortes confirmadas e as dezenas de desaparecidos?

A morte do chefe máximo do Daesh (um tal "Al -Bagdadi") e de uma dezena de líderes da besta em resultado de um cirúrgico bombardeamento das forças armadas russas?

A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (onde está desde 2009 e que permitirá um crescimento da economia dez vezes superior) decidida hoje numa reunião dos ministros no Luxemburgo?

Os comentários sobre política interna do presidente da república na Argentina e no Chile e o "portunhol" de António Costa que lá foi ver os originais dos mapas de Fernão de Magalhães (absolutamente nada com fotografias ou reproduções dos mesmos, o que é pena)?

A morte do grande estadista que foi Helmut Kohl?

O calmo e objectivo esclarecimento sobre a polémica da escolha governamental da candidatura de Lisboa para sede da Agência Europeia do Medicamento, para além dos conflitos claramente regionais e da ciumeira (que já cansa) da capital como única cidade de características europeias (acho que Évora é a cidade mais bonita de Portugal; e Braga, e o Porto, e Coimbra, e Marvão? e Óbidos? e Monsanto? e a Costa Vicentina? e, e, e?).

Portugal é um país cheio de maravilhas mas delas haverá muito poucas que tenham as condições para instalar uma agência europeia (acessibilidades internas, facilidade de ligações aéreas e outras à Europa, escolas de língua estrangeira, equipamentos urbanos e culturais, segurança, e por aí fora). Será que Lisboa e só ela reúne condições objectivas e competitivas com outras cidades europeias depois da forçada saída da Agência de Londres em resultado do Brexit?

Merda.jpg

Debate sobre estes assuntos? Quase nada ou muito pouco quando comparado com os programas televisivos de futebol (em todos os canais, duas, três vezes por semana).

Para cereja no bolo desta semana, nunca vi um Chefe de Estado abraçar e quase beijar figuras do "desporto-rei" na cerimónia de condecoração de um dos seus chefes. Na civilização passa-se precisamente o contrário: os condecorados agradecem respeitosamente. Mas, lembram-se da figura do nosso presidente da república com sua majestade britânica? Sim? Então está tudo explicado: o menino e a Senhora.

A notícia, a grande notícia, é a decisão (de hoje, amanhã ver-se-á) do Cristiano sair revoltado de Espanha por ter sido acusado de "fraude fiscal" e "branqueamento de capitais" traduzidos nuns míseros 14 a 15 milhões de euros (mais coisinha menos coisinha).

Claro que as opiniões de preclaros causídicos portugueses (dos quais apenas é referido um ilustre ex-deputado que não seria hoje o que é se não tivesse sido aquilo ontem) não coincidem com as dos fiscalistas espanhóis (que já constituíram arguidos).

Enfim, o que interessa e minuciosamente relatado é a sensacional decisão de CR7, o melhor dos melhores nesse vergonhoso mundo do futebol (corrupção, falcatruas, ordinarices, violência, eteceteretal). Mas se o povo quer circo, como na decadente Roma, que fazer se não dar-lho, por enquanto só em 2D?

Estão contentes.jpg

 

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por alea às 22:16

Domingo, 11.06.17

Sunitas e Xiitas. As guerras no Médio Oriente

Sunitas e Xiitas.jpg

Com a devida vénia, transcrevem-se a seguir extractos do último artigo de Vasco Pulido Valente no Observador de 11 de Junho de 2017 intitulado "O Ocidente e o Islão":

http://observador.pt/opiniao/o-ocidente-e-o-islao/

"O terceiro atentado terrorista em Inglaterra desde Março produziu os lugares comuns do costume. (…).As causas são claras. Em primeiro lugar, a América estabeleceu uma base na “terra santa” da Arábia e a seguir começou duas guerras em países muçulmanos: no Iraque e no Afeganistão. Esta criminosa estupidez está em grande parte na origem da violência que veio depois. (…). O islão é um mundo em crise, um mundo imerso numa guerra religiosa, que se confunde, como invariavelmente sucede, com a luta pela hegemonia de um bilião de muçulmanos.

Qualquer intervenção de fora implica duas consequências. Por um lado, favorece uma facção ou facções dos beligerantes. Por outro, leva a América e as potências da Europa a conduzir elas mesmas uma guerra por interposta pessoa. (…).

Para as nações da Europa que têm comunidades islâmicas, o problema é mais complicado. Os tempos do consumo e da boa cidadania passaram com a paragem ou quase paragem do crescimento, com o desemprego (principalmente dos jovens) e com a criação de guetos em bairros suburbanos ou simplesmente com a falta de habitação (…). Perante a pobreza e a perspectiva de uma existência sem destino nada mais natural que, por mais assimilados que tencionassem ser, os muçulmanos ou os filhos de muçulmanos dirijam a sua raiva contra uma civilização que os seus preceitos religiosos radicalmente condenam (…). A maioria pacífica acabou por se tornar numa pequena minoria europeizada e próspera; o resto oscila.

Por essa razão, a análise académica do tipo e da metodologia dos atentados não ajuda muito. Por mais fina que seja a rede de segurança alguém escapará. O mal deve ser cortado pela raiz: retirar, nem que seja por fases, toda a interferência no islão (militar, económica e política); rejeitar o multiculturalismo tão querido à “inteligência” da esquerda; diminuir drasticamente a imigração; e por muito que doa à sra. Merkel, não aceitar nem mais um único refugiado."

 

Esta solução radical e impossível seria, na minha opinião, muito mais eficaz do que as implementadas até à data. Mas, como Vasco Pulido Valente adverte no seu artigo, "os interesses que se opõem a uma medida tão drástica nunca o permitiram".                                   

                                                     %População.jpg

Muito resumidamente e para melhor entendimento do assunto:

As guerras no mundo muçulmano datam do califato Umayyada constituído em 661 após o assassinato de Ali, genro do Profeta. Era um califato proto-Xiita que durou até 750, baseado no Iraque (cidades de Kufa e de Basra). Depois e até à conquista mongol, instalou-se o califato proto-sunita Abássida da família do tio paterno do Profeta Abbas b. Abd al- Mutattalib com capital na Síria. A cor preta foi eleita como uma espécie de símbolo e era a utilizada no vestuário da corte abássida. Hoje é a cor do estandarte do "estado" islâmico, o sunita Daesh responsável pelo recente e mortífero na chiita cidade de Bagdade.

Pode dizer-se que hoje em dia aqueles dois ramos do islão, em guerra permanente, se localizam principalmente, por um lado, os sunitas na Síria, na Arábia Saudita e, também, no Afeganistão, no Paquistão na Jordânia, Kuwait, Iémen, Emiratos Árabes Unidos, Egipto, Tunísia, Qatar, Líbia e Turquia.

Por outro lado, os Xiitas são maioria no Irão, Azerbaijão, Bahrein, Iraque e Líbano.

Talvez esta distribuição geográfica contribua para uma melhor compreensão sobre as guerras em algumas daquelas regiões e o porquê de quem apoia quem.

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por alea às 16:28


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