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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quinta-feira, 28.02.13

Na Grécia a Justiça é rápida. Cadeia com eles


Político conservador grego condenado a prisão perpétua por desvio de 17 milhões de euros (in Público de 28 de Fevereiro de 2013)

“Um tribunal grego condenou o antigo presidente da Câmara de Salónica a uma pena de prisão perpétua, pelo crime de peculato.

Vassilis Papageorgopoulos, que presidiu à segunda maior autarquia da Grécia entre 1999 e 2010, foi considerado culpado do desvio de 17 milhões de euros do erário público (...) Além do autarca, foram também condenados à mesma pena o antigo secretário-geral do município e o tesoureiro acusados dos crimes de falsificação e branqueamento de capitais. Dois directores financeiros municipais receberam penas de 10 e 15 anos, naquele que foi o primeiro grande caso de corrupção política desde o início da crise financeira na Grécia – 17 arguidos responderam pelo desvio de verbas do município num valor estimado de 52 milhões de euros. 

Papageorgopoulos, um membro do partido Nova Democracia do primeiro-ministro Antonis Samaras, foi “considerado culpado de cumplicidade directa no desfalque” do dinheiro público (...) serviu como vice-ministro do Desporto no início da década de 90 (...) acusou a justiça grega de ter conduzido um “processo político” com o único objectivo de “satisfazer o desejo de vingança do público, que pede o sangue dos políticos”. O Ministério Público abriu uma investigação às finanças de Salónica na sequência de denúncias que apontavam para o misterioso desaparecimento de milhões de euros que deveriam ter sido transferidos dos cofres municipais para a Segurança Social grega (...). Segundo o tribunal deu como provado, os três arguidos montaram um esquema que consistia em apropriar-se das contribuições devidas à Segurança Social dos salários dos funcionários municipais. (...).”

O nosso Ministério da Justiça não poderia enviar para lá uma missão para saber como é? 

 

"Prisão perpétua"...Dá que pensar.

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por alea às 11:36

Terça-feira, 26.02.13

Movimento "Cinco Estrelas" precisa-se

“Itália ingovernável”. A preocupação instalou-se nos governos europeus.

Itália ingovernável? Claro que não. Qualquer país é governável excepto se a sua governação for inconveniente para os poderosos (antigamente eram as armas que falavam, hoje é o dinheiro).

Veja-se o caso do Zimbabwe e da inacreditável criatura Mugabe, seu supremo líder (na opinião dele excelente governante, para não fugir à regra, lá como cá). A comunidade internacional mantém-se serena com esta situação e com outras mais recentes. Mas a Itália é diferente: faz parte da Europa, da “civilização”.

Corrupção, compadrio, malandros à solta, justiça inoperante, incompetência generalizada, riqueza de governantes e de “boys”, pobreza do mexilhão, total ausência de transparência nos actos do Governo (democracia? Vou ali e já volto). Lá como cá, em escalas e dores diferentes é certo.

O resultado das eleições na Itália e o “downgrade” do Reino Unido tiveram um impacto económico muito significativo, nas bolsas e nos mercados. É um pertinente exemplo porque aqueles comportamentos nada mais são do que reflexos/avisos de quem realmente manda na “civilização”: a finança. Esta manda nos que nós pensamos que mandam: nos governos.

                                    

No Zimbabwe a situação foi mais sangrenta, é mais aflitiva para os de lá e menos grave do que a que existe cá. Que diabo, nós somos “civilizados”. Em vez de sangue, tortura, prisões e puro despotismo, por cá existe desemprego galopante, quase-miséria na classe média, dívida para além do razoável, esmagamento do contribuinte em geral e dos reformados em particular, nepotismo, corrupção, incompetência, indecência cívica. A terceira força italiana resultante das eleiçõe de ontem é um movimento cívico denominado, “Movimento Cinco Estrelas”. É eurocéptico, contra o euro, contra os partidos. Obteve 25,55% dos votos. A coligação da esquerda e a de centro-direita obtiveram na Câmara dos Deputados, respectivamente, 29,55% e 29, 18% dos votos. Contra os partidos? Fico curioso quanto ao futuro. Não seria estranho se se transformasse em mais um partido... O que aconteceu em Itália deveria ser um exemplo para nós: que se crie cá um movimento com as bandeiras “Decência”, “Honestidade”, “Competência”, “Dever de Serviço Público”. O movimento italiano, que reuniu dezenas de milhares nas ruas e nas redes sociais e não em teatros, hóteis e restaurantes fechados ou com “reserva do direito de admissão”, classifica-se como “anti-político”. Acho que esta afirmação resulta da revolta. Toda a governação é, por definição, política. Governo tecnocrata? Não existe e se existe é mau. O movimento “Cinco Estrelas”, fundado em 2009, entende, pela voz do seu fundador (que não dá entrevistas, ele lá sabe porquê e eu também) Beppe Grilo, que “ser honesto está na moda”. Novamente não estou de acordo. Ser-se honesto não é uma questão de moda mas sim de carácter e de educação (hoje, 26 de Fevereiro, li no DN: “desde que tomou posse, o ministro da Administração Interna já assinou 58 despachos para expulsar elementos da PSP e da GNR, 13 da primeira força de segurança, 45 da segunda. A maior parte é devida a casos de crimes de corrupção, com a GNR a dar o maior contributo”). Só ali, naquelas duas? E no governo do Estado, das Autarquias, das Juntas, dos clubes de futebol, etecetera? Não? A corrupção não invadiu tudo? Claro que sim, basta “parar, ver e escutar” junto à cancelas que nos rodeiam no dia-a-dia. Mas a onda de m...em que mergulharam este pobre povo tem que ser negada. Tem que haver “discurso de estado”, que somos tão bons como os melhores. “Não só no futebol e na música, na economia também”. E na política? Como está o povo neste regime partidocrático? Bem? A democracia é o melhor regime até que se descubra/invente outro? Sim, eventualmente sim, mas os romanos suspendiam-na nas ocasiões graves e perigosas para o Estado. Ou não? Democracia? Qual? A presidencial, a parlamentar, a para lamentar, a participativa, a popular, a directa, a eteceteraetal? Ora, ora, pois pois.

Pois. O que nos falta é um movimento daqueles e escusa ser de cinco estrelas. Por mim contentava-me com duas.

                                     

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por alea às 18:22

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