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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.



Quarta-feira, 03.07.13

Durão Barroso e Estaline

Como docente convidado do Instituto Superior Técnico, durante mais de dez anos, tive milhares de alunos, sem exagero. Tenho saudades daqueles tempos em que a esses alunos dedicava toda a minha atenção, toda a minha exigência, todo o meu rigor e, também, amizade.

Eram 35h semanais? 40h? Não. Foram certamente menos porque acumulava aquela função com a de engenheiro numa empresa privada. Mas foi assunto que nunca me preocupou, eram as que deveriam ser para uma correcta e, se possivel, sem falhas transmissão do conhecimento e de uma experiência real. Digo real porque as restantes horas semanais (num conjunto superior a esse número imbecil de 40 - objecto de disputa e de negociação entre o governo e as estruturas sindicais -) eram utilizadas no projecto de estruturas reais (não teóricas).

 

                                    

Segui sempre o conselho que um dos meus mestres me deu depois da minha licenciatura: “Agora você tem licença para continuar a estudar sózinho. Continue a estudar”. Foi o que fiz durante toda a minha muito feliz vida profissional, contrariando o dito popular “quem sabe faz, quen não sabe ensina”.Ensinava os meus alunos a aprender e sabia e os meus alunos sabiam que eu sabia.

Muitas histórias poderia contar sobre essa relação com os meus alunos que tão gratas recordações me deixou, mas vou apenas transmitir uma constatação que esse relacionamento revelou: entre os bons alunos houve uns de 17/18 e outros de 13/15. Os alunos médios/bons tornaram-se, em significativa percentagem, muito bons profissionais do projecto ou da construção, mas os muito bons alunos raramente se revelaram “engenheiros com mão certa e conhecedora”. Tiraram mestrados e doutoramentos e dedicaram-se à investigação ou ao ensino.

O que hoje em dia me choca é ver alguns sem experiência digna desse nome ensinarem.

Como é possível? Será que basta ser um crânio, escrever centenas de artigos, achar que nada pode aprender com um pedreiro ou um carpinteiro, ignorar por o achar objecto indigno um balde de cimento, nunca ter visto uma talocha ou uma colher de pedreiro, nunca ter tocado numa tábua de cofragem, nunca ter ido a uma obra, ser um doutor na teoria das estruturas mas um pequeno aprendiz na experiência? Acho que não.


O mesmo acontece na política: os governantes de amanhã (de hoje) começaram, em geral, nas juventudes partidárias (do PCP ao CDS) onde, primeiro, aprenderam os truques e golpes partidários e a oratória parlamentar e, depois, quando eram jeitosos para a coisa, dedicaram-se a conhecer a máquina do seu partido e, sobretudo, a como dominá-la.

Foi o caso de Guterres - excelente aluno do IST que pouco ou nunca praticou engenharia -,  de Sócrates - criatura com bacharelato, licenciatura no limite da fraude e, hoje, “estudante” de uma das mais prestigiadas escolas superiores francesas, as denominadas “Grandes Écoles” – (como foi isso posível, meu Deus!), de Coelho, de Seguro. Óptimos ou medíocres na teoria do que conseguiram estudar mas péssimos na prática política por falta de experiência.

Hoje, os nossos governantes não passam, na sua maioria, de miúdos, de imaturos ou de iluminados doutores a que Portugal, para sua desgraça, está entregue. (Ontem, depois de Gaspar, o Paulo bateu com as portas, Cavaco deu, mesmo assim, posse à Maria Luís e o Coelho declarou: “Eu, fico”. Patético, surrealista e muito mau para Portugal)

Por vezes há uns que sobem muito alto na roda mundial. Guterres é um exemplo pela positiva e Barroso pela negativa. Uns, como o primeiro, mantiveram as suas escolhas políticas de estudantes, outros (e o seu número na política não é irrelevante) mudaram 180º (sempre para a direita...), como o último.

Durão Barroso foi presidente do PSD, primeiro-ministro e é actualmente presidente da Comissão Europeia sendo, também, um putativo candidato presidencial.

Olhem p´ra ele antes e depois:


Nos tempos do PREC era do MRPP (de onde foi expulso). Foi-me enviado um texto alegadamente da sua autoria que aqui transcrevo com as reservas que daquele facto decorrem:

"As obras teóricas do grande Estaline são contribuições valiosas. Por elas estudaram e estudam o marxismo-leninismo milhões de operários em todo o Mundo. Com elas o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia educaram os seus quadros, com elas formaram milhares de bolcheviques na União Soviética. (...). O camarada Estaline está demasiado vivo nos corações de todos os explorados e oprimidos do mundo inteiro para que oportunista algum o possa fazer esquecer. A vida, a obra, a atividade do grande Estaline pertencem aos Comunistas de todo o mundo e não apenas aos soviéticos, pertencem à classe operária e não apenas ao povo da URSS.

Na pátria do Socialismo, a União Soviética, o Socialismo vencerá, uma nova revolução surgirá tarde ou cedo. Os autênticos comunistas soviéticos já se organizaram e, juntamente com a classe operária e o povo da URSS, erguerão bem alto a bandeira vermelha de Estaline, instaurando de novo o poder proletário.

Força alguma o poderá evitar. QUE VIVA ESTALINE!"

 

Não me digam que não é uma lindeza (o texto, não o cartaz).

 

 

 

 

 

 

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por alea às 17:07



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