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Na nuvem do acaso

Quase nada de um pouco de tudo.


Domingo, 14.01.18

O trapalhadas

Assisti, com curiosidade embora com distanciamento, à evolução destas “primárias” para a presidência do PSD.

O PSD não é um partido qualquer, é o partido com o maior número de assentos parlamentares e ganhou as últimas eleições legislativas. Mas, mesmo coligado com o CDS, não obteve uma maioria para governar. A esquerda em geral e o PS em particular, não lhe permitiram ser governo e isso ficou-lhe como uma espinha na garganta. Mas, diga-se em abono da verdade, o que é que o PSD liberal estava à espera depois de ter sistematicamente ostracizado o PS no período em que foi governo?

Pedro Passos Coelho na sua arrogância, com os seus acólitos e a sua autossuficiência fez com que o PSD sofresse as inevitáveis consequências de um resultado eleitoral negativo. O PS, como acontece noutros países europeus, não tendo ganho as eleições conseguiu constituir governo e construir uma maioria parlamentar.

Mas a espinha ficou e, à laia de vingança, toca a ridicularizar essa maioria constitucionalmente legítima com o epíteto de “geringonça” e a criticar feroz e altivamente a nova política do novo governo.

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Saíu ao Pedro Passos Coelho o tiro pela culatra: a “geringonça” funcionou e os resultados económicos e sociais ultrapassaram as melhores previsões de lá fora e de cá dentro. Baixou o deficit, a dívida, a taxa de desemprego. Schauble aplaudiu com recurso a vocabulário futebolístico (Portugal tem um CR7 nas finanças) e esqueceu a loirinha Maria Luís. Centeno passou de besta a bestial e tomou posse como presidente do Eurogrupo no passado dia 12.

Depois, o PSD perdeu estrondosamente as eleições autárquicas e o PS venceu-as. Isto foi o resultado do voto popular de apoio a uma nova política, quer se goste ou não. Estes são os factos.

Depois, com a expectável bênção de Marcelo I, o discurso mudou. Em vez de se reconhecer simplesmente a eficácia e justeza da nova política, incluindo a reversão de algumas decisões do anterior governo, sublinhou-se que esses bons resultados se deviam também à “corajosa” (?) e difícil governação de Pedro Passos Coelho e, claro, aos sacrifícios do bom povo. É preciso ter memória muito curta e muita lata.

Mas, adiante. Confrontado com a grande derrota eleitoral, o iluminado líder Pedro Passos Coelho informou não apresentar a sua candidatura a um novo mandato como presidente do partido e, a partir daí, saltaram dois. Primeiro, o Rui “cortante” (dizem), depois um menino, Pedro de seu nome.

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Sim, o menino trapalhão Pedro Santana Lopes, o tal que, depois de ameaçar que só andaria por aí, afirmou que nem que os ventos mudassem dez vezes ele se candidataria a presidente fosse do que fosse, do partido ou do governo.

Sim, o mesmo que disse cobras e lagartos do Pedro Passos Coelho e que em 2012, “enojado” teve a ideia de formar um novo partido adversário do PSD.

Sim, o mesmo que há uns anos na sua qualidade Secretário de Estado da Cultura (cultura) teceu loas aos concertos para violino de Chopin desculpando-se em entrevista televisiva desta semana que só tinha tido lições de violoncelo. Patético.

O denominado “menino guerreiro” não passa afinal de um “puto aldrabão”.

E o que fez o outro outro? Rui Rio, ex-presidente da CM do Porto, ex-vice presidente e ex-secretário geral do PSD, embora sendo adulto, achou que era tempo de retorquir ao seu adversário no mesmo tom.

O meu berlinde é maior do que o teu, só fizeste trapalhadas, lealdade é comigo e é coisa que não sabes o que é, e etecetera.

E esta campanha de primárias não passou de isto: mentirolas, meias verdades, acusações infantis com recortes de jornais como prova. António Costa para a direita e para a esquerda. Debate político? Na proximidade do zero.

Quem ganhou com isto tudo? O negociador espertalhão do António Costa! Terá muito menos dificuldade em monopolizar no futuro uma candidatura a primeiro ministro e, se necessário, em negociar com a esquerda extrema uma nova maioria parlamentar.

Disse o Relvas das falsas licenciaturas, preclaro político na reserva e esperança da governação nacional, que o mandato do Rui ou do Pedro não vai durar mais de dois anos. Até às eleições de 2019. Mas se assim for, como será o PSD no futuro? É que não há no horizonte homens de estado sejam eles profissionais liberais, empresários, universitários, técnicos. Hoje e naquele universo apenas o candidato Rui Rio porque, contrariamente ao que existia no passado, apenas há meninos a falar para inglês ouvir, a ler difícil e a fungar umas coisas.

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Rui Rio para bem do PSD ganhou mas, para minha surpresa, apenas com mais 10% dos votos.

Há, de facto, muita gente à manjedoura dos lugares partidários, no parlamento, nas direcções do Estado, no partido.

Coitado do menino Pedro que com a derrota ficou sem absolutamente nada, coitados dos que apostaram no cavalinho errado: o “cortante” Rui Rio certamente não os vai esquecer.

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por alea às 16:27

Sábado, 30.12.17

Passa para cá uns milhares

Passa para cá uns milhares de euros que eu só faço o que achares que devo. E, aparentemente, assim foi.

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Um guarda redes, dois defesas centrais e um lateral de uma equipe de futebol da 1ª divisão foram subornados e alteraram o resultado de um desafio.

Para os apostadores portugueses de nada lhes valeu porque a Stª Casa da Misericórdia, responsável pelas apostas, alertou de imediato as autoridades. Foi há 6 meses. Ouvidos pela polícia judiciária, os quatro jogadores, um deles já numa equipa inglesa, foram constituídos arguidos.

O presidente do sindicato e a equipa onde os quatro presumíveis criminosos jogam já vieram a terreno manifestar espanto, seis meses depois dos factos. O que dizer?

A corrupção alastra neste país não poupando nada e ninguém. Agora foi no futebol, mas foi no governo (como a substituição/resignação de vários Secretários de Estado), nas autarquias (“eles roubam mas fazem” é quase um lema para uma eleição), nas forças armadas (o escândalo dos fornecimentos na manutenção militar que envolveu um oficial general), na justiça (com um procurador constituído arguido), na educação (com textos de exame divulgados por uma professora com particulares responsabilidades), na banca (os exemplos são por demais conhecidos), nas IPSS (a “Raríssimas” é um dos casos), no meio empresarial (poupem-me esclarecer com famosos nomes que na vergonha deveriam ter caído se soubessem o que ela é) e etecetera.

Muito provavelmente há muito mais e que existe onde menos se suspeita. Haverá muito mais para descobrir e só não se sabe mais porque estão quase todos à “manjedoura do Estado” (a recente proposta de lei sobre o financiamento dos partidos políticos é disso reflexo) e só põe a “boca no trombone” quem estiver irremediavelmente entalado. Esprema-se, dê-se a volta ao torniquete, e as vergonhosas verdades virão ao de cima. Mas quem tem espremedores e torniquetes na mão talvez não queira.

O futebol não é a virgem que os seus fanáticos apoiantes querem fazer crer: apito de várias cores, emails com intuitos mais do que duvidosos e agora corrupção de jogadores. Que fazer?

Dar às autoridades de investigação e à Justiça meios humanos e materiais indispensáveis a uma rápida, inflexível e exemplar acção. No caso vertente, caso se prove, expulsar de qualquer competição os presumíveis culpados, cadeia com eles e, em vez de tatuagens de que eles tanto gostam, carimbar de preto as suas caras.

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por alea às 19:39


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